Prisão de Ramagem, liberação e delegado da PF expulso: entenda a cronologia do caso
Alexandre Ramagem é foragido da Justiça brasileira; caso envolve fuga internacional, pedido de asilo e tensão entre autoridades
Brasília|Luiza Marinho*, do R7, em Brasília
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Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

O caso envolvendo o ex-deputado Alexandre Ramagem ganhou novos desdobramentos neste mês, após sua prisão e posterior liberação nos Estados Unidos. A sequência de acontecimentos, que começou ainda em 2025, inclui investigações, sua condenação a 16 anos e 1 mês de prisão pelo STF (Supremo Tribunal Federal), fuga do país, pedido de extradição e a expulsão de um delegado da Polícia Federal.
Veja a seguir a ordem cronológica do caso:
Investigação da “Abin Paralela” (2024-2025)
Em janeiro de 2024, a PF deflagra uma operação que investigava o uso da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) na trama golpista, em que o monitoramento de autoridades e opositores na gestão de Ramagem acontecia durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Com o uso da inteligência para fins pessoais, a Abin monitorou mais de 33 mil conexões sem qualquer autorização judicial, tendo como alvo ministros do STF (como Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes), políticos de oposição, jornalistas e até aliados do próprio governo Bolsonaro, segundo a PF.
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Em junho de 2025, investigações apontaram que um delegado da Polícia Federal, Carlos Afonso Coelho, que era ligado a Ramagem e atuava na aviação operacional da corporação, teria ordenado a destruição de documentos e agendas. O material ligaria a gestão do então diretor da Abin a um suposto monitoramento ilegal de urnas eletrônicas e de ministros do STF.
Condenação no STF e fuga (setembro de 2025)
Com as investigações em curso, em setembro de 2025, Ramagem foi julgado e condenado pelo STF a 16 anos, um mês e 15 dias de prisão. A decisão fez com que ele perdesse seu mandato em dezembro do ano passado, após a corte determinar sua cassação em decorrência da condenação.
Porém, no mesmo mês, o ex-diretor da Abin fugiu do país. De acordo com a PF, a saída ocorreu de forma clandestina: Ramagem cruzou a fronteira por Roraima, entrou na Guiana por via terrestre e seguiu até Georgetown, de onde embarcou para Miami, nos Estados Unidos, sem passar por postos oficiais de fiscalização migratória.
Na ocasião, Ramagem ainda exercia mandato parlamentar e utilizou passaporte diplomático para entrar nos EUA. O documento perdeu validade apenas após a Câmara declarar a perda de seu mandato, em dezembro daquele ano.
Prisão e liberação nos EUA (abril de 2026)
Já em solo norte-americano, Alexandre Ramagem foi preso no dia 13 de abril na Flórida por agentes do ICE (Immigration and Customs Enforcement). A detenção ocorreu por irregularidades migratórias. De acordo com apurações do R7, ele estaria com o visto vencido e foi abordado ao tentar comprar um carro com um passaporte cancelado.
Ele foi levado ao sistema prisional do condado de Orange, em Orlando, e foi solto dois dias depois, sem pagamento de fiança.
Asilo político e delegado expulso
A decisão americana permitiu que ele respondesse em liberdade enquanto aguarda a análise do pedido de asilo político, pois Ramagem alega ser alvo de perseguição no Brasil. Caso o pedido seja aceito, ele pode permanecer nos Estados Unidos; se for negado, poderá ser deportado ou extraditado.
Já nesta segunda-feira (20), o delegado da Polícia Federal Marcelo Ivo de Carvalho, que atuava como oficial de ligação em Miami, foi expulso dos Estados Unidos após o Departamento de Estado americano acusá-lo de tentar “contornar” os trâmites legais de extradição e “manipular” o sistema imigratório para forçar a prisão de Ramagem.
O governo americano alegou que o delegado agiu de forma irregular ao tentar estender o que classificaram como “perseguição política” ao território americano, provocando uma crise diplomática imediata que levou o governo brasileiro a considerar medidas de reciprocidade contra funcionários dos EUA no Brasil.
Em reação ao movimento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva falou nesta terça-feira (21) em uma possível ação de reciprocidade do governo brasileiro aos Estados Unidos no caso do delegado.
“Acho que, se houve um abuso dos americanos com relação ao nosso policial, nós vamos fazer a reciprocidade com os deles no Brasil. Não tem conversa. Nós queremos que as coisas aconteçam da forma mais correta possível, mas não podemos aceitar essa ingerência e esse abuso de autoridade que algumas autoridades americanas querem ter em relação ao Brasil”, disse Lula.
Agora, Ramagem permanece em liberdade nos Estados Unidos, aguardando a análise de seu pedido de asilo político.
*Estagiária sob supervisão de Joana Pae, editora de texto
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