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Relembre o que prevê o projeto da dosimetria que favorece Bolsonaro e por que Lula o vetou

Proposta, que pode beneficiar condenados pelo 8 de Janeiro, tem gerado embate entre governo e oposição

Brasília|Giovana Cardoso, do R7, em Brasília

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • O veto do presidente Lula ao projeto de dosimetria será analisado pelo Congresso Nacional.
  • A proposta reduz penas para condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro, podendo beneficiar Jair Bolsonaro.
  • Lula considera o projeto inconstitucional e prejudicial ao Estado Democrático de Direito.
  • O veto foi assinalado em janeiro, celebrando a vitória da democracia sobre regimes autoritários.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Para Lula, PL 'daria o condão de aumentar a incidência de crimes contra a ordem democrática' Joédson Alves/Agência Brasil - 07.10.2025

O Congresso Nacional deve analisar nesta quinta-feira (30) o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva aplicado ao projeto da dosimetria, que reduz as penas dos condenados envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro. A proposta, que também pode beneficiar o ex-presidente Jair Bolsonaro, tem gerado embate entre o governo e a oposição, que acusa Lula de “vingança”.

O veto foi assinado em janeiro deste ano, durante a cerimônia que marcou os três anos desde os atos antidemocráticos. Na ocasião, o petista não citou Bolsonaro em nenhum momento, mas ressaltou que a democracia venceu sobre aqueles que defendem regimes de exceção. “Eles foram derrotados, o Brasil e o povo brasileiro venceram”, disse.


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O projeto de lei, vetado integralmente, em regra geral, prevê que os condenados cumpram apenas 1/6 da pena estabelecida. Porém, cada caso difere. Por crimes violentos primários, o réu ficará preso apenas 25% do tempo determinado. Já por crimes violentos reincidentes, é de 30%, por exemplo.

Para Lula, o PL da dosimetria é inconstitucional e contraria o interesse público, “uma vez que a redução da resposta penal a crimes contra o Estado Democrático de Direito daria o condão de aumentar a incidência de crimes contra a ordem democrática e indicaria retrocesso no processo histórico de redemocratização que originou a Nova República”.


Ao justificar seu veto, o presidente alegou que o projeto facilita ações que ameaçam o Estado Democrático de Direito, representando impunidade e “ameaça ao ordenamento jurídico e a todo o sistema de garantias fundamentais”.

O petista entende, ainda, que o projeto contraria os princípios constitucionais da proporcionalidade, da isonomia e da impessoalidade. Por fim, Lula argumenta que a sanção violaria a integridade do processo legislativo e a organização do Congresso.


Na maior parte dos vetos, o petista se apoia em questões sobre a inconstitucionalidade do texto, aumento de crimes contra a ordem democrática e violação da integridade do processo legislativo.

“A facilitação de condutas que ameaçam o Estado Democrático de Direito representaria não apenas a impunidade baseada em interesses casuísticos, mas também a ameaça ao ordenamento jurídico e a todo o sistema de garantias fundamentais alicerçado na Constituição ao afrontar os princípios constitucionais da proporcionalidade, da isonomia e da impessoalidade, incorrendo em uma proteção deficiente de bens jurídicos fundamentais”, diz o presidente em suas justificativas.


PL da dosimetria

A dosimetria estipula que a pena deve ser calculada com base na gravidade do crime, nos antecedentes e nas circunstâncias do caso. Aprovado pelo Congresso no fim de 2025, o projeto fixa regras para esse cálculo e prevê a possibilidade de redução das penas dos envolvidos na depredação das sedes dos Três Poderes. As novas regras poderiam alcançar condenados por esses crimes, inclusive investigados e réus em processos relacionados.

Saiba algumas das possíveis consequências da proposta:

- Aumento do tempo de cumprimento de pena para condenados por crimes graves, como crimes hediondos (crimes muito graves, a exemplo de homicídio qualificado e estupro) e feminicídio.

- Maior rigor na progressão de regime para reincidentes e líderes de organizações criminosas.

- Redução de penas em casos de crimes praticados em contexto de multidão, desde que o agente não tenha papel de liderança ou financiamento.

- Alterações podem impactar o sistema prisional, aumentando o tempo de permanência de alguns presos.

No caso do ex-presidente Jair Bolsonaro, por exemplo, que foi condenado a 27 anos e três meses de prisão, em regime inicial fechado, o tempo de reclusão poderia ser reduzido para 2 anos e 4 meses.

A pena estipulada a Bolsonaro foi a mais elevada entre todos os julgados pela Primeira Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) — a menor, de 1 ano e 11 meses, foi aplicada ao tenente-coronel Ronald Ferreira de Araújo.

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