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Veja quem são os alvos da operação contra Jaques Wagner e o que a PF atribui a cada um

Investigação aponta senador como beneficiário de vantagens indevidas nas fraudes envolvendo o Banco Master

Brasília|Augusto Fernandes, do R7, em Brasília

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A Polícia Federal deflagrou a nona fase da Operação Compliance Zero, investigando corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo o extinto Banco Master.
  • Jaques Wagner, senador e líder do governo no Senado, é acusado de receber vantagens indevidas, como voos gratuitos e ocultação de um apartamento de luxo.
  • Augusto Lima, empresário, é apontado como principal operador do esquema, coordenando repasses financeiros e ocultando a posse do apartamento.
  • Família e associados de Wagner, incluindo seu enteado, estão envolvidos, com medidas restritivas impostas a eles, como suspensão de passaportes e proibição de contato entre investigados.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

senador Jaques Wagner (PT-BA).
Jaques Wagner recebeu apartamento de luxo em Salvador avaliado em R$ 2,45 milhões Carlos Moura/Agência Senado - 16.6.2026

A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (18) a nona fase da Operação Compliance Zero, que investiga um suposto esquema de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes financeiros envolvendo o extinto Banco Master. A ação foi autorizada pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça e teve entre os alvos o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), e o empresário Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, apontado como um dos principais operadores do esquema.

Segundo a investigação, Jaques Wagner teria sido o principal beneficiário das vantagens indevidas supostamente oferecidas pelo grupo investigado. A PF afirma que o senador recebeu voos gratuitos em aeronaves particulares, ingressos de alto valor para shows no exterior e teria ocultado a posse de um apartamento de luxo em Salvador avaliado em R$ 2,45 milhões.


Em contrapartida, de acordo com a corporação, Wagner teria atuado em favor dos interesses do Banco Master em temas discutidos no Congresso Nacional, como mudanças relacionadas ao crédito consignado, ao limite de cobertura do FGC (Fundo Garantidor de Créditos) e na fiscalização da tentativa de aquisição do banco pelo BRB (Banco Regional de Brasília).

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Mendonça autorizou buscas em endereços pessoais, residenciais e profissionais do senador, com exceção do gabinete dele no Senado. Além das buscas, Wagner foi proibido de manter contato, direta ou indiretamente, com os demais investigados — com exceção de um enteado e uma nora.


Também ficou impedido de se comunicar com profissionais ligados ao empreendimento do apartamento de luxo e de exercer atividades de gestão ou consultoria junto às empresas investigadas.

O R7 tenta contato com o senador e os demais alvos da operação citados nesta reportagem.


O presidente nacional do PT, Edinho Silva, declarou confiar na inocência de Jaques Wagner. “O senador Jaques Wagner é depositário de toda a nossa confiança. Apoiamos todas as apurações envolvendo o Banco Master, a sociedade tem o direito de saber a verdade. Os crimes cometidos precisam ser apurados e os responsáveis penalizados. Nesse processo de investigação e apuração, temos confiança que o Jaques Wagner esclarecerá todos os fatos, comprovando a sua inocência”, afirmou.

Papel de Augusto Lima

O empresário Augusto Lima foi descrito pela Polícia Federal como o principal interlocutor entre o Banco Master e Jaques Wagner.


Segundo a investigação, teria sido o empresário quem recebeu do senador as informações sobre o apartamento desejado e imediatamente acionou operadores financeiros para adquirir o imóvel de forma oculta, escondendo o verdadeiro beneficiário da operação.

A PF também afirma que ele coordenou os repasses milionários destinados à BN Financeira Ltda., empresa ligada à família do parlamentar, e articulou a entrega das supostas vantagens indevidas.

Contra Augusto Lima, Mendonça autorizou buscas em endereços residenciais e empresariais, determinou o uso de tornozeleira eletrônica, suspendeu seu passaporte, proibiu sua saída do país e impôs restrições de contato com todos os demais investigados. Ele também ficou proibido de administrar ou manter relações comerciais com as empresas investigadas.

A defesa de Augusto Lima afirmou que as diligências desta quinta eram “desnecessárias”, sustentando que o empresário está há seis meses à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.

Segundo os advogados, as medidas deverão demonstrar que “os fatos apurados nesta fase da investigação são rigorosamente lícitos”. A defesa acrescentou que Augusto Lima “sempre atuou dentro dos limites da lei, com transparência, responsabilidade técnica e observância das normas que regem o sistema financeiro e a administração pública”.

Familiares e operadores financeiros

A investigação também alcançou familiares do senador. O enteado de Jaques Wagner, Eduardo Mendonça Sodré Martins, é acusado de cobrar pagamentos diretamente aos gestores do Banco Master por meio da BN Financeira, mencionando boletos, notas fiscais e dificuldades financeiras da empresa. A PF afirma ter identificado mais de R$ 2,3 milhões recebidos por estruturas societárias ligadas ao grupo.

O pai de Eduardo, Guilherme Henrique Sodré Martins, conhecido como “Guiga”, aparece como articulador entre o núcleo empresarial do banco e o entorno do senador. Segundo a investigação, intermediou pautas legislativas e continuou tentando reorganizar juridicamente a situação do apartamento mesmo após o início das investigações, utilizando linguagem cifrada.

Os dois tiveram mandados de busca cumpridos, tiveram os passaportes suspensos, foram impedidos de deixar o país e ficaram proibidos de manter contato com outros investigados e de atuar na gestão das empresas investigadas.

Bonnie Toaldo Bonilha, mulher de Eduardo, não foi alvo de busca e apreensão porque o ministro entendeu que ainda não havia indícios suficientes de participação ativa no esquema. Mesmo assim, ela teve o passaporte suspenso, ficou impedida de sair do Brasil, proibida de manter contato com os demais investigados — exceto familiares próximos — e impedida de administrar empresas investigadas.

Outros operadores do esquema

Entre os demais investigados, está Valério Marega Júnior, conhecido como “Valério Fundos”, que teria operacionalizado a compra do apartamento utilizando fundos de investimento ligados ao Banco Master para ocultar o verdadeiro proprietário.

Em nota enviada ao R7, a defesa de Marega disse que ele não participou do negócio imobiliário mencionado na decisão do STF. “Na ocasião, foi apenas consultado sobre a possibilidade de fundos então sob gestão da WNT adquirirem imóveis, tendo respondido negativamente, por se tratar de fundos voltados à aquisição de direitos creditórios. Valério desconhecia o objetivo da eventual negociação. A defesa confia que os fatos serão plenamente esclarecidos no curso da investigação.”

David Lopes Monteiro teria atuado tanto na aquisição e reorganização jurídica do imóvel quanto na intermediação dos repasses financeiros destinados à BN Financeira.

Daniel Lopes Monteiro é apontado como responsável por elaborar contratos e instrumentos de cessão de direitos para tentar dar aparência de legalidade à propriedade do apartamento, inclusive após o avanço das investigações.

Também foram alvo da operação:

  • Andréa Lima Novaes, diretora da PKL ONE Participações e prima de Augusto Lima, apontada como responsável por uma transferência de R$ 3,5 milhões para empresa ligada à família do senador;
  • Luiz Antonio Lombardi, diretor da Epítome S.A., apontado como “laranja” na compra do imóvel;
  • Márcio Domingues dos Santos e André Pissolito Campos, que, segundo a PF, participaram da formalização documental da operação.

Todos eles tiveram buscas autorizadas, passaportes suspensos, foram impedidos de sair do país, proibidos de manter contato entre si e afastados da administração das empresas investigadas.

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