Vorcaro acusa PF de barrar delação para blindar diretor-geral; PGR aponta falta de provas
Sem apresentar documentos, Vorcaro diz em depoimento sem representante da PF que agentes tentaram impedir colaboração
Brasília|Gabriela Coelho e Augusto Fernandes, do R7, em Brasília
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O ex-banqueiro Daniel Vorcaro afirmou, em depoimento prestado a um juiz auxiliar do gabinete do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça, que tem sofrido ameaças e intimidações por agentes da Polícia Federal desde que foi preso. Segundo ele, as pressões visam impedir uma colaboração premiada sobre as fraudes envolvendo o Banco Master.
O R7 teve acesso à íntegra do depoimento. Vorcaro também citou o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e afirmou que poderia apresentar informações sobre ele caso sua colaboração com a Justiça avançasse.
A reportagem procurou a assessoria de imprensa de Rodrigues e da Polícia Federal para pedir um posicionamento. O espaço segue aberto para manifestação. A matéria será atualizada em caso de resposta.
As acusações de Vorcaro, porém, foram feitas sem a apresentação de documentos ou outras provas. O depoimento ocorreu sem a presença de um representante da Polícia Federal, embora tenha sido acompanhado por um representante do Ministério Público.
Depois de analisar o conteúdo, a PGR (Procuradoria-Geral da República) pediu o arquivamento do depoimento. Segundo o procurador-geral Paulo Gonet, Vorcaro não relatou nenhum fato concreto ou juridicamente delimitado que pudesse justificar a adoção de novas providências investigativas.
O episódio ocorre ainda depois de duas propostas de colaboração premiada apresentadas por Vorcaro terem sido rejeitadas pela PF e pela PGR, que não aceitaram a delação por entenderem que o empresário não entregou informações novas ou elementos suficientes para justificar um acordo.
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Vorcaro diz que pressão veio ‘de cima para baixo’
Ao longo do depoimento, Vorcaro afirmou ter “certeza” de que as tratativas de colaboração foram deliberadamente travadas por uma pressão interna na Polícia Federal. Segundo ele, o objetivo seria impedir que informações sobre autoridades chegassem às investigações.
Questionado por seu advogado se entendia que suas colaborações não avançavam por causa de uma pressão “de cima para baixo”, respondeu: “Isso eu tenho certeza. Não tenho nem entendimento. Isso eu tenho certeza.”
O ex-banqueiro afirmou que os delegados responsáveis pelas tratativas não demonstravam interesse em ouvir seus relatos. Segundo ele, reuniões com seus advogados teriam sido recusadas ou realizadas apenas de forma protocolar. “Não tem a menor chance disso se viabilizar e dar certo. Eu já sabia que não teria.”
Em outro trecho do depoimento, Vorcaro disse que foi ameaçado de morte por agentes da PF durante uma transferência de helicóptero.
Segundo ele, os policiais iniciaram as intimidações dizendo que ele havia errado ao tentar delatar. Em seguida, um dos agentes sugeriu jogar o empresário da aeronave em movimento.
“Aí o outro ia e comentava: ‘É mais fácil, de repente, jogar ele daqui.’”.
Relação com o diretor-geral da PF
Um dos nomes citados por Vorcaro no depoimento foi o de Andrei Rodrigues. O ex-banqueiro afirmou que mantinha com o diretor-geral da PF uma relação cordial anterior à investigação e que os dois participaram de eventos sociais.
Segundo Vorcaro, Rodrigues teria viajado para eventos acompanhado da namorada e recebido ingressos de cortesia oferecidos por ele. O ex-banqueiro mencionou ainda encontros de charuto, eventos promovidos pelo banco e convites para provas de Fórmula 1.
“Nesse caso, era uma relação cordial. Não chegou a ser uma amizade, mas uma relação de estar em eventos conjuntos, de estar em eventos de charuto, juiz, de ter uma tratativa cordial, amistosa, de ir com família em eventos do banco, convites para eventos de Fórmula 1, de outras coisas.”
Vorcaro afirmou que a aproximação com pessoas influentes do governo fazia parte de uma estratégia para se proteger de problemas econômicos e regulatórios que, segundo ele, vinha enfrentando.
“Toda a minha colaboração, ela, no que tange a pessoas, são pessoas do núcleo do atual governo, que eu acabei fazendo relação para me proteger dos ataques que eu estava sofrendo.”
Na sequência, porém, o ex-banqueiro afirmou que algumas dessas relações teriam ultrapassado limites éticos e legais. Segundo ele, seriam justamente esses episódios que pretendia apresentar caso conseguisse fechar uma colaboração com a Justiça.
“Nesses momentos, teve uns casos que foram cruzadas linhas de moralidade, linhas de ilicitude, que esses eu pretendia relatar.”
Vorcaro não detalhou no depoimento, contudo, quais seriam os atos ilícitos envolvendo as autoridades mencionadas, nem apresentou documentos que comprovassem essas acusações.
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