Com visual aventureiro, Etios Cross cativa pelo desempenho — no asfalto
Hatch da Toyota, que ganhou visual fora de estrada no fim de 2013, custa a partir de R$ 47.390
Carros|Luiz Betti, do R7

Poucos carros no mercado brasileiro são atualmente mais polêmicos que o Toyota Etios, e o motivo é conhecido: o visual do modelo, lançado em 2012 nas versões hatch e sedã, nunca agradou a gregos e troianos. Reflexo disso está nas vendas, que teimam em deslanchar desde então.
Na versão Cross, que estreou no fim do ano passado, não é diferente. Custando a partir de R$ 47.390, o modelo adotou a fórmula genérica que vem padronizando os aventureiros urbanos nos últimos anos: molduras de plástico na parte inferior da carroceria (para-choques, para-lamas, caixas de rodas e portas), barras no teto e faróis de neblina.
A personalização inclui ainda luz de seta nos retrovisores, grade frontal com filete único, aerofólio traseiro e rodas de liga leve exclusivas. Na semana em que foi avaliado pelo R7 Carros, o modelo despertou reações variadas no público e foi de “horroroso” a “bonitinho” (mais recorrente entre as mulheres) em poucas horas.
Pneu na lama
Apesar do estilo aventureiro, o Cross derrapa por não ter nenhuma alteração mecânica para sujar os pneus de lama, ao contrário dos rivais — veja no quadro comparativo abaixo. Prova disso é a facilidade com que sua carroceria raspa em valetas e saídas de garagem.

Por dentro, são itens de série os comando de áudio no volante, retrovisores e vidros elétricos, direção elétrica, ar-condicionado e desenho exclusivo dos bancos. O acabamento, por sua vez, trouxe as melhorias da linha 2014, como as peças em plástico negro (black piano), mas está longe de ser referência — que o diga a profusão de parafusos à mostra no interior do carro.
Nesse ponto, o painel de instrumentos central de difícil leitura é outro velho problema do Etios, embora com esforço e boa vontade seja possível se adaptar. O mesmo não se pode dizer, porém, da falta de travamento automático das portas, o visor do rádio de visualização ruim sob o sol e o alarme de abertura e fechamento das portas, que poderia ser um pouco menos escandaloso.
Desbravador do asfalto
A maior virtude da linha Etios, contudo, é o seu bem acertado conjunto mecânico. Equipado com um propulsor 1.5 litro de 16V e 96,5 cavalos (etanol) a 5.600 rpm, o hacth mostra vigor em acelerações e retomadas, mesmo com cinco a bordo e ar-condicionado ligado.
Apesar do acerto da suspensão voltado para o conforto, o carro é valente nas curvas e o volante de base achatada e boa empunhadura convida para uma condução mais esportiva. Outro ponto positivo é o bom espaço interno, sobretudo atrás, onde três adultos viajam com relativo conforto — algo inédito para um hatch compacto.
No fim das contas, a questão chave do Etios Cross é que a próxima geração, possivelmente mais inspirada, pode deixar a atual obsoleta e aumentar, inclusive, sua desvalorização. As montadoras costumam admitir seus erros (como a própria Toyota) e até fazer piadas sobre isso — lembra o comercial em que o rapaz não reconhece o carro marrom que mudou de geração? Se você quer rir por último, melhor esperar a reestilização.
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