Análise: otimismo do mercado se baseia mais na perspectiva eleitoral do que em dados
Especialista em contas públicas afirma que realidade não sugere novo corte na taxa de juros, ao contrário da projeção do Boletim Focus
Economia|Do R7, com RECORD NEWS
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As expectativas da inflação em 2026 subiram de 5,01% para 5,22% entre o mercado financeiro, que ainda prevê uma queda de 13,50% para 13,25% da Selic até o fim do ano. As informações foram divulgadas pelo Banco Central nesta terça (13) por meio do Boletim Focus, que reúne análises feitas por mais de 100 instituições financeiras. O relatório funciona como um termômetro da economia nacional.

“Eu acho que foi um Boletim Focus extremamente otimista. [...] Acredito que boa parte desse otimismo [...] converse muito mais com perspectiva eleitoral [...] do que com os dados que nós temos propriamente à mão”, analisou o especialista em contas públicas Daniel Teles sobre as expectativas da Selic, a principal ferramenta do governo para controlar a inflação. A opinião do profissional, todavia, não crê em outro corte de 0,25%.
No Conexão Record News, ele comentou como os resultados do 1º turno das eleições podem ter convencido as instituições de que dois cortes na taxa básica de juros ainda podem ocorrer até o fim de 2026, mas que o comportamento do Banco Central até o momento não justifica essa animação. Para Teles, a principal preocupação de Gabriel Galípolo no momento é entender qual seria a taxa de juros neutra.
“A gente está tentando entender [...] qual é aquele patamar de juros em que não sufoca a economia, mas também não se coloca dinheiro com tanta abundância no mercado que poderia causar inflação”, explicou. Contudo, políticas públicas como o perdão de dívidas de microempreendedores dificultam o objetivo, à medida que introduzem mais dinheiro na economia e podem levar a aumentos na inflação.
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“A gente chama justamente o patamar de juros que a gente está no Brasil — por mais que esteja se cortando — de um patamar de juros contracionista, que é aquele feito realmente para poder tirar em certa medida o dinheiro de circulação e tornar o acesso ao crédito mais difícil”, apontou Teles. Em meio a tantas variáveis, inclusive o cenário eleitoral, Teles enxerga o futuro da economia de forma nebulosa.
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