BRF reverte prejuízo e lucra R$446 mi no 3º tri, acima das expectativas
Economia|Do R7
Por Ana Mano e Paula Arend Laier
SÃO PAULO (Reuters) - A BRF, maior processadora de frango do Brasil, teve lucro líquido de 446 milhões de reais nas operações continuadas no terceiro trimestre, conforme balanço divulgado nesta na sexta-feira, revertendo prejuízo de 860 milhões de reais um ano antes e superando as estimativas dos analistas.
A forte demanda por carne ajudou a empresa de alimentos a manter seu ritmo ascendente, afirmou, citando aumento de volumes tanto no mercado doméstico quanto na Ásia, onde uma doença dizimou rebanhos de suínos e causou um desequilíbrio na oferta global.
Analistas tinham previsto resultado positivo de 171,35 milhões de reais para a BRF no terceiro trimestre.
A receita líquida consolidada somou 8,5 bilhões de reais, contra 7,8 bilhões de reais no mesmo período de 2018. Em volumes, as vendas alcançaram 1,1 milhão de toneladas, virtualmente estáveis na comparação ano a ano.
No segmento Brasil, a empresa disse que observou retomada de volumes, com crescimento de cerca de 8% em relação ao segundo
trimestre de 2019, praticamente atingindo o mesmo patamar do ano passado. Nos mercados internacionais, especialmente na Ásia, a BRF disse que houve alta de cerca de 5% no volume frente ao mesmo trimestre do ano anterior. Também citou que os preços médios de venda apresentaram uma forte expansão de 32% ano a ano e 7% na base trimestral.
O lucro ajustado antes dos juros, impostos, depreciação e amortização chegou a 1,6 bilhão de reais no último trimestre, superando também as estimativas dos analistas, que previam 1,190 bilhão de reais. O chamado Ebitda foi praticamente triplicado em relação ao mesmo período de 2018, quando atingiu 579 milhões de reais.
A margem de Ebitda ajustado saltou para 19%, ante 7,4% um ano antes.
Desconsiderando o ganho tributário referente à exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS/Cofins, o Ebitda ajustado totalizaria 1,1 bilhão de reais, quase o dobro do valor registrado em igual período do ano passado.
Analistas do BTG Pactual, contudo, citaram que excluindo o benefício fiscal o Ebitda ficou aquém das expectativas, bem como a margem Ebitda recorrente teve queda na base sequencial, o que, na visão deles, é o maior ponto de frustração diante do câmbio favorável e cenário benigno de custo no trimestre.
Excluindo o benefício fiscal, a margem Ebitda ajustado no terceiro trimestre foi de 13,5% ante 14,6% no segundo trimestre. "O desempenho positivo é resultado da disciplina na execução do planejamento estratégico da companhia, com avanços importantes em mercados-chave como Brasil e Ásia, além de uma melhor gestão financeira no período", afirmou a empresa em comunicado à imprensa.
A BRF também revisou sua estimativa para o indicador de alavancagem medido pela relação dívida líquida/Ebitda ajustado, para cerca de 2,75 vezes ao final de 2019. A companhia encerrou setembro em 2,9 vezes, enquanto que a relação era de 6,74 vezes no final do mesmo mês do ano passado.












