Cortar programa de participação nos lucros “não é solução”
Sistema de repasse dos lucros ajuda a estimular produção, afirmam especialistas
Economia|Alexandre Garcia, do R7

A atual crise econômica que afeta diversos setores da economia brasileira traz aos empresários a possibilidade de, em uma eventual revisão de gastos, cortar a PLR (Participação nos Lucros e Resultados) dos trabalhadores. No entanto, essa decisão não é a mais indicada, segundo especialistas.
Segundo Francisco D’Orto Neto, sócio de finanças da consultora Crowe Horwath, a PLR “deixa muito a desejar” por ser pouco utilizada como um programa de gestão. Ainda assim, ele avalia que o programa é uma forma de estimular a distribuição dos resultados obtidos pela empresa.
— Não é uma postura saudável às empresas adotarem uma retirada da PLR dos trabalhadores.
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O advogado especializado em direito empresarial Caio Taniguchi diz que, nos momentos de crise, a PLR é ainda mais necessária. Na avaliação dele, o empresário precisa, antes de optar pelo corte de benefícios, entender como a decisão pode impactar no ambiente de trabalho.
— Deixar de celebrar a PRL ou tentar rever o plano não é a solução. [...] Sempre tenha um PLR, porque ela é importante, especialmente em um momento de crise em que é preciso de um maior engajamento e produtividade dos empregados.
Apesar de defender a manutenção da PLR, D’Orto Neto acredita que o programa de remuneração baseada nos lucros não está entre os principais instrumentos para melhorar o desempenho dos trabalhadores.
— O que melhora a produtividade é um conjunto de medidas, que passa por capacitação, treinamento, qualidade de ambiente de trabalho, perspectiva de desenvolvimento profissional e remuneração.















