Dólar mais caro põe freio no crescimento da economia brasileira
Banco Central se esforçou para baixar moeda hoje, mas a queda ficou abaixo de 1%
Economia|Gleyson Pereira, editor do R7

A valorização mais intensificada do dólar frente ao real tem freado o avanço da economia brasileira, que apresenta desempenho pífio nos últimos anos. As intervenções do BC (Banco Central) para combater a alta mostram resultados abaixo do que é necessário para tirar o Brasil da lista de menores crescimentos do mundo e ameaça deixar o Natal do brasileiro mais magro.
O dólar passou de R$ 1,60, há dois anos, para R$ 2,35 no fechamento desta quarta-feira (28), com leve queda de 0,86% após uma forte atuação do BC. Com receio de perder clientes, o comércio congela os preços (baseados em estoques antigos), mas o repasse ao consumidor mostra-se inevitável até o final do ano.
A inflação perto de 5,5% ao ano e o ritmo de crescimento da economia em apenas 2,5% ao ano afastaram investidores internacionais, que retiraram seus dólares de aplicações brasileiras. O BC informou hoje que as saídas de dólares do País superam as entradas, gerando saldo negativo do fluxo cambial de US$ 2,748 bilhões, neste mês, até a última sexta-feira (23).
Os gringos preferiram levar o dinheiro para praças mais seguras – a maior parte está indo para os EUA. Essa fuga de investidores explica a explosão do preço do dólar neste ano. Com menos dólares no mercado, o preço, claro, sobe.
O cenário com câmbio alto é positivo para poucos exportadores brasileiros que recebem em dólar, mas prejudica a maioria da cadeia produtiva do País, que compram suas matérias-primas precificadas pela divisa norte-americana.
O vice-presidente da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças e Contabilidade), Miguel de Oliveira, analisa o cenário:
— Numa situação normal, juros mais altos atrairiam mais dólares, incentivaria a vinda de dólares ao país e provocaria a queda de dólares. Porém, nesse momento o dólar está sendo influenciado por outros fatores. O governo está numa sinuca de bico.
Desemprego
De acordo com especialistas, o governo precisa de medidas drásticas no curto prazo, do contrário, a inflação vai disparar, será preciso subir ainda mais os juros e, com isso, chega o desemprego.
Em entrevista ao R7, o professor da FGV (Fundação Getúlio Vargas), Ricardo Teixeira, diz que no mundo inteiro está ocorrendo a valorização do dólar por causa da recuperação da politica norte-americana, e com isso está havendo um retorno do capital dos países emergentes para os EUA.
Para ele, o aumento da taxa básica de juros se mostra “necessário” para desestimular a saída de recursos e segurar a valorização da moeda, que atingiu na última semana o seu maior valor em quase cinco anos.
— Ao aumentar taxa de juros, o governo consegue segurar alguns investimentos que estão no Brasil. Dessa forma, na medida em que menos dólares saem, nós conseguimos segurar o câmbio.
Segundo o professor do departamento de economia da UNB (Universidade de Brasília), a economia está entrando num “processo de estagnação” que poderia ter sido evitado nos últimos anos.
— Os indicadores mostram que a economia está entrando num processo de estagnação, com a fuga de dólares pressionando a inflação... São problemas que poderiam ter sido evitados com políticas realizadas lá atrás.













