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Dólar sobe a R$ 3,86 por preocupações com medidas fiscais

Moeda norte-americana avançou 1,28% e reverteu boa parte da queda registrada ontem

Economia|Do R7

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Dólar fechou o dia cotado a R$ 3,8626
Dólar fechou o dia cotado a R$ 3,8626

O dólar fechou em alta de mais de 1% sobre o real nesta terça-feira (15), com investidores preocupados com a perspectiva de as medidas fiscais anunciadas na véspera não sobrevivam ao Congresso e adotando cautela antes da reunião do Federal Reserve, banco central norte-americano, nesta semana e que pode anunciar aumento na taxa de juros.

O dólar avançou 1,28%, a R$ 3,8626 na venda, revertendo boa parte da queda na véspera, de 1,63%, quando o mercado reagiu bem às medidas, com a avaliação de que esforço fiscal poderia evitar que o Brasil perdesse o selo de bom pagador por outras agências de classificação de risco além da Standard & Poor's.


"A maioria das medidas depende da aprovação do Congresso e levando em conta a baixa popularidade (da presidente Dilma Rousseff) e as relações difíceis com o Legislativo, vai ser difícil", afirmou o superintendente de câmbio da corretora Intercam, Jaime Ferreira.

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O governo anunciou na véspera um pacote de medidas fiscais de R$ 65 bilhões, com o objetivo de garantir superávit primário em 2016 e resgatar a credibilidade das contas públicas. A principal proposta é a recriação da polêmica CPMF, imposto sobre operações financeiras, que deverá ter tramitação difícil no Congresso Nacional.


Pouco após o anúncio, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), afirmou que é "temeroso" que o governo condicione o ajuste fiscal à volta da CPMF.

O analista da Moody's Mauro Leos informou em comunicado nesta terça-feira que as medidas pelo governo brasileiro na véspera são um "desenvolvimento positivo" e mais equilibradas do que as propostas anteriores, que lidavam basicamente com medidas do lado da receita.


"O resultado final é: as medidas apontam na direção correta, mas dificilmente vão ser aprovadas como um todo e não lidam com os problemas de longo prazo", resumiu o operador de um banco nacional.

No campo externo, a proximidade da reunião do Fed gerou cautela. As turbulências financeiras recentes originadas por temores de desaceleração da China lançaram dúvidas sobre a perspectiva de início do aperto monetário nos Estados Unidos, que pode atrair recursos aplicados atualmente em outros países.

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"Após seis anos de recuperação, nossos economistas para os EUA veem probabilidade de % de que o próximo ciclo monetário nos EUA comece nesta semana", escreveu o estrategista do UBS, em nota a clientes, Geoff Dennis, citando o mercado brasileiro entre os mais vulneráveis.

Operadores, no entanto, atribuem uma chance menor de que isso se confirme. Após a divulgação de dados fortes sobre as vendas no varejo norte-americano, os contratos futuros de taxas de juros dos EUA passaram a apontar chance de 27% de que o Fed encerre a política de juros quase zerados na quinta-feira, contra 23% na segunda-feira passada, de acordo com o programa FedWatch, da CME Group.

A alta recente da moeda norte-americana reacendeu nas mesas de câmbio o debate sobre a intervenção do Banco Central, uma vez que o fortalecimento do dólar tende a pressionar a inflação, ao encarecer importados. Em audiência no Senado o presidente do BC, Alexandre Tombini, apontou diversas vezes que, se há perda nesse lado com o avanço do dólar frente ao real, por outro o mesmo movimento vem impactando favoravelmente as reservas cambiais.

Nesta manhã, o BC deu continuidade à rolagem dos swaps cambiais que vencem em outubro, vendendo à oferta total de até 9.450 contratos, equivalentes a venda futura de dólares. Ao todo, a autoridade monetária já rolou o equivalente a US$ 4,525 bilhões, ou cerca de 48% do lote total, que corresponde a US$ 9,458 bilhões.

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