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Inflação faz brasileiro acreditar que consumir é 'economizar' e que poupar é 'correr risco'

Pesquisa inédita mostra que decisões de consumo estão desconectadas do equilíbrio financeiro

Economia|Joyce Carla, do R7

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Brasileiro tem visão distorcida sobre forma de usar o dinheiro
Brasileiro tem visão distorcida sobre forma de usar o dinheiro

Um estudo inédito divulgado nesta terça-feira (17) pelo banco Itaú-Unibanco mostra que a bagagem histórica que o brasileiro tem com a inflação — que atingiu 4.922% em 12 meses antes do Plano Real, em 1994 — faz com que a população acredite que consumir é equivalente a "economizar" e que poupar ou investir é "correr risco".

De acordo com a superintendente de sustentabilidade e negócios inclusivos do banco, Denise Hills, a pesquisa também mostra que uma relação equilibrada com o dinheiro independe de quanto se ganha.


— Temos descobertas e aprendizados interessantes com a pesquisa. Vemos que as decisões de poupar ou gastar estão desconectadas do equilíbrio financeiro. Isso quer dizer que muitos de nós gastamos sem saber se o gasto vai ser pago nem como será pago.

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Um exemplo disso é que as pessoas veem crédito e empréstimo como diferentes e, em geral, incluem o limite do crédito como parte da renda mensal.


— A pesquisa mostrou que, para o brasileiro, o crédito é sinônimo de aprovação social, já o empréstimo significa que o consumidor teve uma dificuldade ou imprudência.

Mesmo assim, as pessoas têm interpretações diferentes para ter uma dívida ou estar endividado, segundo o estudo.


— Para o brasileiro, ter uma dívida é pontual, é deixar de pagar uma conta. Enquanto que estar endividado é um estado, "não estou conseguindo pagar um empréstimo".

Esse cenário pode ajudar a explicar o motivo pelo qual 46% das famílias brasileiras estarem endividadas, segundo dados do BC (Banco Central).

Inflação

A bagagem histórica do brasileiro com períodos de inflação alta geraram insegurança, desconfiança e imediatismo. Para quem viveu a época de hiperinflação e rápida desvalorização do dinheiro, consumir rapidamente era sinônimo de economizar, explica a executiva.

— A ideia de que quem consumia rápido protegia a capacidade de compra criou uma nova lógica, a de que não consumir era gastar e consumir era ganhar.

Ao mesmo tempo, o uso da poupança e as várias trocas de moedas criaram a percepção de que investir seria arriscado.

Segundo o economista Caio Megale, o cenário atual está afetando um aprendizado que o brasileiro estava tendo em relação a essa situação.

— Com o retorno da inflação a patamares menores e com a melhora da expectativa econômica da população, poderemos retornar o caminho de modificar essa percepção dos consumidores.

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