Produção das siderúrgicas chinesas causa superávit e derruba preços do aço, diz economista
Governo brasileiro critica novas medidas adotadas pela União Europeia para restringir as importações de produtos siderúrgicos
Economia|Do R7, com RECORD NEWS
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O Brasil criticou as novas medidas adotadas pela União Europeia para restringir as importações de produtos siderúrgicos. Os ministérios das Relações Exteriores e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços disseram que as mudanças diminuem o acesso ao mercado europeu e não representam uma solução para o excesso de capacidade na indústria do aço mundial.
O bloco europeu adotou novas restrições quantitativas para a entrada de produtos siderúrgicos e aumentou as tarifas cobradas sobre as importações que ficarem acima das cotas estabelecidas, segundo o governo brasileiro. Até agora, as compras de aço pelo bloco que ultrapassavam essas cotas estavam sujeitas a uma tarifa de 25%. Com a medida, a cobrança sobe para 50%.

Em entrevista ao Conexão Record News desta quinta-feira (2), o economista Ricardo Buso aponta que a União Europeia firmou o acordo com o Mercosul justamente em resposta ao protecionismo excessivo dos Estados Unidos e, no fim, acabou também adotando a mesma medida.
“O aço vem se desvalorizando porque o mundo está bem abastecido. Há uma sobreprodução de aço, porque a China era responsável por cerca de 50% do consumo da produção mundial de aço, e isso é usado, principalmente, no mercado imobiliário, que, nesse momento, está deprimido. E aí a produção própria das siderúrgicas chinesas acaba exportando ao mundo e surge esse superávit, que derruba os preços em queda desde março”, explica.
Segundo ele, a solução seria os países exportadores buscarem outros destinos para a commodity. No entanto, o sobreabastecimento de aço no mundo inviabiliza essa alternativa.
“A indústria sofre mais com a barreira dos Estados Unidos do que com a Europa, embora seja um parceiro, mas nós não estamos entre os maiores fornecedores da Europa. É só mais um golpe. Mas preocupa porque é uma indústria muito intensiva em mão de obra e empregos no momento em que parece que há uma acomodação no crescimento de emprego”, conclui.
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