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Ter emprego não garante boa renda: 84% dos jovens estão em vagas de baixa qualificação

Estudo do Ministério do Trabalho mostra que a maioria dos brasileiros está em funções generalistas e com baixa remuneração

Economia|Mariana Saraiva, do R7, em Brasília

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • 84% dos jovens brasileiros empregados estão em vagas de baixa qualificação, sem exigência de formação técnica ou superior.
  • 7,8 milhões de jovens recebem até 1,5 salário mínimo, destacando a baixa remuneração nas ocupações generalistas.
  • Apenas 2,15 milhões de jovens atuam em ocupações técnicas ou de nível superior, como TI, direito e enfermagem.
  • Especialistas apontam a necessidade de alinhar a educação às demandas do mercado e ampliar o acesso a cursos técnicos e programas de estágio.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Apenas 1 em cada 7 jovens ocupados tem empregos técnicos ou de nível superior AFP/Arquivos

Apesar da queda no desemprego entre jovens, 84% dos brasileiros de 14 a 24 anos que estão empregados — o equivalente a 11,6 milhões de pessoas — trabalham em ocupações generalistas, sem exigência de formação técnica ou superior específica, segundo levantamento divulgado nesta quinta-feira (25) pelo Ministério do Trabalho e Emprego.

Os dados mostram que ter trabalho ainda não significa, necessariamente, ter acesso a um emprego de qualidade, com bons salários e perspectiva de crescimento. Segundo o levantamento, além da alta concentração em empregos de baixa especialização, 7,8 milhões de jovens recebem até 1,5 salário mínimo, o que equivale a R$ 2.277.


O estudo “Os jovens no Brasil: permanências e necessidades de mudança”, elaborado pela Secretaria de Estatísticas e Estudos do Trabalho com base na PNAD Contínua do primeiro trimestre de 2026, revela que 13,9 milhões de jovens estão ocupados no país. No entanto, a qualidade dessas vagas ainda é motivo de preocupação.

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Na prática, os números mostram que o desafio do mercado de trabalho para a juventude brasileira não se resume apenas ao acesso ao emprego, mas à qualidade das oportunidades oferecidas.


“O jovem tem acesso, mas ainda enfrenta dificuldades para permanecer em ocupações qualificadas e com maior potencial de crescimento”, aponta o documento.

Entre os empregos que mais concentram jovens estão funções ligadas ao comércio e ao setor de serviços, como vendedores, balconistas, escriturários, recepcionistas e caixas — ocupações que, em geral, exigem baixa especialização e oferecem remuneração próxima ao piso salarial.


Onde trabalham os jovens brasileiros? Luce Costa/Arte R7

O levantamento também destaca que 2,15 milhões de jovens atuam em ocupações técnicas ou de nível superior, em áreas como tecnologia da informação, direito, mídia e enfermagem.

Isso significa que apenas um em cada sete jovens ocupados trabalha em funções que exigem qualificação técnica ou formação superior.


Descompasso entre formação e mercado

Para Bruna Antonucci, psicóloga e consultora especializada em desenvolvimento de lideranças, a baixa qualificação das vagas ocupadas por jovens reflete um descompasso entre a formação e as exigências do mercado.

“Muitos jovens entram no mercado buscando renda imediata e acabam aceitando oportunidades com menor exigência e menor qualificação. Além disso, ainda existe um descompasso entre a formação oferecida e as competências que as empresas demandam. O resultado é um cenário em que mais jovens trabalham, mas nem sempre em ocupações que ofereçam perspectiva de crescimento, melhores salários ou desenvolvimento profissional real.”

Segundo a especialista, esse cenário é resultado de uma combinação de fatores. “De um lado, temos um mercado que gera muitas vagas operacionais, administrativas e de serviços com baixa exigência de qualificação. De outro, muitos jovens enfrentam dificuldades de acesso à qualificação profissional, seja por questões financeiras, falta de informação ou pela necessidade de trabalhar muito cedo para gerar renda.”

Qualificação pode reverter o cenário

Ainda de acordo com Bruna, o principal caminho para reverter esse quadro é aproximar educação e mercado de trabalho.

“A gente precisa de formações alinhadas às demandas reais do mercado, com mais programas de estágio, aprendizagem e experiências práticas. Também é importante ampliar o acesso a cursos técnicos e de qualificação rápida em áreas com alta empregabilidade”, pontua.

“Quando o jovem consegue visualizar uma trilha clara entre estudar, desenvolver competências e conquistar melhores oportunidades, a transição para empregos de maior qualidade se torna muito mais viável”, conclui.

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