Alunos da rede pública conquistam 2º lugar em olimpíada astronômica com foguete de garrafa PET
De Araras (SP), Henry, Lucas e Ryan improvisaram com garrafa de plástico e levaram a medalha de prata na Jornada de Foguetes 2023
Educação|Beatriz Kawai*, do R7
Foi com uma garrafa PET e uma bomba de ar comprimido que Henry Samuel Neves Elias, Lucas Ferreira e Ryan dos Santos Teles da Silva, alunos da 2ª série da Escola Estadual Professora Maria Rosa Nucci Pacífico Homem, em Araras, no interior de São Paulo, conseguiram se inscrever e participar de uma competição de lançamento de foguetes organizada pela OBA (Olimpíada Brasileira de Astronomia) no começo de dezembro.
O vídeo acima foi gravado em maio deste ano, após algumas aulas preparatórias, e enviado para a organização. Sete meses depois os meninos levaram o segundo lugar da categoria mais difícil do campeonato realizado no Rio de Janeiro, com a participação de alunos de todo o país(assista ao vídeo abaixo).
Quando chegaram no torneio, foram surpreendidos por competir na categoria 5, a mais difícil, e precisaram montar a estratégia na hora. Como a categoria é nova e eles nunca tinham participado antes, o grupo criou, em cima da hora, o foguete com propelente sólido, uma mistura de componentes que geram uma reação química.

"Vimos que a melhor coisa seria [projetar o foguete] de lado, totalmente diferente do que a gente tinha feito aqui [na escola], para ver se conseguíamos o pódio", conta Lucas, de 16 anos.
O plano deu certo e o protótipo atingiu 229,3 metros de distância, o valor recorde do grupo com esse modelo de foguete.
Foi preciso enfrentar uma série de desigualdades para chegar onde estão, por serem da rede pública e terem menos recursos disponíveis — algo que não os impediu de darem o melhor e ganharem uma medalha.
"Eles [os outros participantes] estavam fazendo foguetes com impressora 3D e nós estávamos tentando fazer o nosso melhor com garrafa PET e cano PVC", brinca Henry, de 17 anos.
Tudo começou em 2022, com aulas teóricas que alunos da FHO (Fundação Hermínio Ometto), uma faculdade de Araras, organizaram em escolas da região. No curso, os jovens lançaram seu primeiro foguete com pressão do ar.
E os meninos tomaram gosto. Nos meses seguintes participaram de uma competição interna da FHO, onde levaram a terceira colocação, mesmo sendo a sua primeira competição. Seguiram em outros campeonatos, ganhando cada vez mais confiança e troféus.
Entre eles, foi a 17ª Mobfog (Mostra Brasileira de Foguetes) do Brasil, em que o grupo foi medalhista e conseguiu se classificar para a Jornada de Foguetes.
Com a oportunidade de competir no torneio da OBA, o coordenador da escola inscreveu o grupo, que logo abraçou a causa.
No cadastro, foi preciso enviar um vídeo de apresentação e o escolhido foi o foguete impulsionado pela pressão do ar, que atingiu 180 metros, até então o recorde dos meninos.
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Acompanhados pelas professoras Josimeire Cristina Gonçalves e Edenilze Ferreira Lucca, os meninos ficaram por quatro dias na Barra do Piraí, no sul do Rio de Janeiro. A viagem custou cerca de R$ 6.000 e foi bancada pela diretoria de ensino do governo de São Paulo, que financiou o transporte, e pela FHO, que cuidou da hospedagem.
Para as professoras, nada teria sido possível se não fosse o apoio das organizações, da coordenação da escola e da motivação dos próprios alunos. "Enquanto escola pública, a gente sabe mesmo da nossa dificuldade", enfatiza Simone da Silva, diretora do colégio.
Henry concorda: "A gente tem que dar o nosso melhor e mostrar que existem outras formas de contornar essa desigualdade", conclui.
*Sob supervisão de Pedro Marques
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