Logo R7.com
RecordPlus
Educação

Rede de São Paulo tem 15% de escolas com sala lotada

Para especialista, projeto visa mais reduzir gastos do que melhorar educação; governo nega

Educação|Do R7

  • Google News

Adicione como fonte preferencial no Google

Opens in new window
Estudantes permanecem acampados na Escola Estadual Fernão Dias Paes, em Pinheiros, zona oeste de São Paulo, na manhã deste sábado. A pedido do Ministério Público Estadual (MPE) e da Defensoria, a Justiça reverteu na noite de ontem (13), sentença que determinava a remoção de alunos que ocupam duas escolas estaduais da capital
Estudantes permanecem acampados na Escola Estadual Fernão Dias Paes, em Pinheiros, zona oeste de São Paulo, na manhã deste sábado. A pedido do Ministério Público Estadual (MPE) e da Defensoria, a Justiça reverteu na noite de ontem (13), sentença que determinava a remoção de alunos que ocupam duas escolas estaduais da capital

Apesar de fechar 93 escolas estaduais, o governo Geraldo Alckmin (PSDB) ainda mantém 15% das escolas da rede com superlotação de salas. São 793 escolas com ao menos um dos três ciclos de ensino (anos iniciais e finais do fundamental e médio) em que a média de alunos por sala está acima do que prevê regra do próprio governo.

Uma resolução de 2008 da Secretaria de Estado da Educação (SEE) prevê que as turmas atendam à média de 30 alunos no fundamental 1 (1º ao 5º ano), de 35 no fundamental 2 (6º ao 9º ano) e de 40 no ensino médio.


Pelo mesmo critério, os 15% de superlotação de classes da rede paulista é superior à média das redes estaduais do País, que têm 9,6% das escolas com pelo menos um dos ciclos lotados. A quantidade de alunos por classe tem alto impacto na qualidade do trabalho do professor. As salas superlotadas derrubam as notas de avaliação do ensino médio.

O fechamento das unidades é defendido pelo governo como forma de adequar o tamanho da rede física ao número de alunos, que vem caindo ao longo dos anos. Mas há escolas com média por sala superior a 50 alunos no 3º ano do ensino médio, por exemplo.


Das 793 escolas com algum dos ciclos superlotados, 46% (367) estão na capital. Mais de um terço das unidades fechadas, porém, está na cidade.

Os dados de alunos por sala são do Ministério da Educação (MEC), referentes a 2014. Os números de 2015 não estão disponíveis, mas, neste ano, a média de alunos por sala na rede como um todo é de 32 — índice que não se altera desde 2013, segundo dados obtidas pela Lei de Acesso. A reportagem considerou a média por ciclo.


Desde o anúncio da reorganização, a lotação de salas nas escolas que serão transformadas em ciclos únicos tem sido uma das preocupações dos alunos, assim como a reclamação de quem já estuda em salas cheias.

A Escola Estadual Deputado Hugo Lacorte Vitale, em Campo Limpo, na zona sul, tem média de 45,3 alunos no ensino médio. Na média só do 3º ano, o índice sobe para 54,4 alunos por sala. A queixa é de que o excesso de alunos atrapalha a concentração.


"É muita bagunça, tumultua. Só vamos para a escola para comer merenda mesmo", comenta Tales Brás, de 15 anos, do 1.º ano do ensino médio.

A três quilômetros dali, na Escola Francisco Brasiliense Fusco, estudantes também reclamam de salas cheias. O colégio tem médias acima do limite no fundamental 1 e 2. Segundo relatos de duas estudantes do fundamental 1, o professor "fica até rouco de tanto gritar".

Para Roberto Catelli Junior, da Ação Educativa, a média de alunos por sala é apontada como relevante para o sucesso escolar em pesquisas internacionais.

— Fica cada vez mais evidente que o governo está fazendo muito mais uma reforma de racionalização e economia de recursos do que uma aposta na qualidade da educação.

O fechamento das escolas ainda surge no momento em que os governos precisam colocar na escola, até 2016, todos os jovens de 4 a 17 anos. Cerca de 260 mil jovens paulistas que deveriam estar no ensino médio (de 15 a 17 anos) estão fora da escola, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios.

Desafio

O secretário Herman Voorwald admitiu à reportagem que há turmas superlotadas, mas argumenta que são minoria. Segundo ele, isso ocorre "onde há densidade populacional maior e dificuldade enorme de construir escolas".

Ele afirma ainda que a SEE tem feito esforços para reduzir a lotação, sem causar a exclusão de alunos. Para a reorganização, diz Voorwald, também pesaram outros critérios, como a distância da casa do aluno para a escola e a qualidade do prédio a ser fechado, por exemplo, discutidos com gestores locais.

Voorwald também nega que a reforma esteja sendo feita para economizar.

— Essa variável não induziu o trabalho. Minha fala é pedagógica.

Cartilha que ensina como ocupar uma escola circula nas redes sociais

Ocupação de escola em SP é inspirada em protesto de alunos chilenos

Com salas vazias, escola ocupada na zona leste já caminhava para fechamento

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.