Para analista, Lula acerta com campanha mais realista, e Flávio busca nova ‘frente ampla’
Ainda segundo Bruno Soller, manifestações da esquerda dão demonstração de força, mas têm efeito ‘mais psicológico do que prático’
2026|Do R7, com RECORD NEWS
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O analista do Real Time Big Data, Bruno Soller, comentou em entrevista ao Link News as movimentações dos candidatos antes do pleito do segundo turno presidencial. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta terça (13) o perdão de dívidas para microempreendedores individuais, enquanto o candidato do PL (Partido Liberal), Flávio Bolsonaro, visitou seu pai, Jair Bolsonaro, em Brasília, e, em seguida, recebeu apoio do MDB (Movimento Democrático Brasileiro).
“Se olharmos para o cenário, a medida [perdão das dívidas] é importante, atinge um público que precisa desse tipo de atendimento. Mas o que fica de dúvida é: ‘por que não se tomou essa decisão antes, e foi deixar para um segundo turno?’ [...] Me parece que é mais uma medida para conversar com o eleitor, do que propriamente você ter um choque na vida dessas pessoas”, disse o especialista.
Segundo Soller, Lula entrou em uma nova roupagem da campanha, mostrando que as coisas não estão “tão bem assim”, entregando a sensação de realidade e buscando mostrar ao eleitor que, se Flávio ganhar, as coisas podem piorar: “É uma campanha de medo, mas agora é de medo chorando junto”, apontou.
Manifestações da esquerda
Bruno Soller também discorreu sobre o efeito das manifestações pró-Lula registradas nos últimos dias, como na Avenida Paulista, em São Paulo, e em Copacabana, no Rio. Para o analista político, os atos dão uma demonstração de força importante após os resultados do primeiro turno, mas “têm um efeito mais psicológico do que prático”, e não tendem a refletir numericamente nas urnas.
Enquanto a campanha lulista ganha as ruas, Flávio Bolsonaro, em vantagem no primeiro turno, já busca articulações políticas e, segundo Soller, parece não ter entrado na campanha do segundo turno. Para Soller, a postura tende a ser arriscada.
Segundo o especialista, há no ar uma sensação na campanha de Flávio Bolsonaro de que os votos encaminhados para o candidato não são consolidados só nele, mas sim na “união anti-Lula”. Nesse sentido, a “frente ampla” que marcou a campanha de Lula em 2022 agora parece ter mudado de lado, já que é o candidato do PL que busca congregar forças para evitar uma continuidade do PT no poder.
“O discurso é: ‘olha, o Flávio está longe de ser o candidato dos sonhos, mas o Lula, a gente já sabe o que é’. Se o Flávio vai nos agradar, não sabemos, mas também, se não for, daqui a quatro anos tem outra”, explicou.
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