Lula chega a Minas com aposta prefeitos e obras federais para ampliar presença no estado
Presidente participa de ato com Patrus Ananias na sexta-feira, mas estratégia não depende apenas de vitória do candidato ao governo
2026|Amanda Garcia, do R7, em Brasília
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chega a Minas Gerais nesta sexta-feira (21) para um ato de campanha ao lado do candidato petista ao governo do Estado, Patrus Ananias, mas a estratégia eleitoral do presidente no segundo maior colégio eleitoral do país vai além da disputa pelo Palácio Tiradentes.
A avaliação de aliados é de que a campanha de Lula não depende necessariamente de uma vitória do candidato do PT ao governo. O objetivo é construir uma rede própria de apoio em Minas, reunindo prefeitos, partidos e lideranças de diferentes campos políticos para ampliar a presença do presidente no estado e garantir palanques para a disputa presidencial.
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Minas Gerais tem 16,6 milhões de eleitores aptos a votar em 2026, atrás apenas de São Paulo, e é considerado um território estratégico para a eleição presidencial.
Lula e Flávio Bolsonaro (PL), que lideram as pesquisas nacionais de intenção de voto, escolheram o estado para concentrar agendas nesta primeira semana oficial de campanha.
Patrus é o candidato do grupo político de Lula ao governo, mas outros nomes da disputa estadual mantêm posições próprias.
Cleitinho Azevedo (Republicanos), líder nas pesquisas para o governo, declarou apoio a Flávio Bolsonaro na eleição presidencial, mas afirmou que pretende manter um palanque independente em Minas.
Já o PL lançou Flávio Roscoe para o governo depois de não conseguir fechar uma composição com Cleitinho.
Para aliados de Lula, essa fragmentação pode abrir espaço para uma estratégia presidencial menos dependente da eleição para o governo.
A lógica é de que o eleitor mineiro costuma “distribuir seus votos” entre diferentes partidos e candidatos, permitindo que o petista busque apoios mesmo em grupos que não estejam necessariamente alinhados ao PT na disputa estadual.
Prefeitos no radar
A Grande Belo Horizonte é uma das regiões consideradas importantes nessa estratégia. A campanha vê possibilidade de aproximação com prefeitos de diferentes partidos, inclusive de legendas que não necessariamente estarão formalmente no palanque nacional de Lula.
O prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião (União Brasil), é citado entre os políticos que mantêm proximidade com o presidente. Contagem e Betim também aparecem no mapa de possíveis apoios, formando uma área de influência que concentra milhões de eleitores.
Em Betim, por exemplo, aliados de Lula destacam investimentos federais no município e a presença da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais). A avaliação é de que a proximidade de prefeitos com o presidente pode ajudar a campanha a construir uma estrutura eleitoral que ultrapasse os limites do PT.
O PSD também é considerado parte importante desse desenho. A legenda tem candidato próprio ao governo, Mateus Simões, mas há espaço para apoios a Lula na disputa presidencial.
Obras como vitrine
Além das alianças políticas, Lula deve explorar a presença de investimentos federais em Minas Gerais. A estratégia é apresentar obras e programas do governo como uma espécie de contraponto à atuação do governo estadual.
Entre os temas que devem ser valorizados estão investimentos em rodovias federais, universidades e institutos federais, obras do Novo PAC e projetos de mobilidade.
A aposta é de que a agenda de governo sirva também como vitrine eleitoral: ao percorrer o estado, Lula poderá apresentar obras realizadas ou financiadas pela União e, ao mesmo tempo, reforçar a presença de aliados locais.
Patrus é importante, mas não é a única aposta
O ato de sexta-feira será o primeiro grande evento de Lula e Patrus juntos em Minas. O encontro está marcado para as 17h, na Praça da Estação, em Belo Horizonte, e deve reunir ministros e lideranças políticas.
Patrus é importante para a construção do palanque petista, mas, segundo avaliação de aliados, a campanha presidencial não pretende ficar condicionada ao desempenho do candidato ao governo.
A leitura é de que Lula pode ter uma vantagem eleitoral em Minas mesmo que o PT não consiga eleger o governador, desde que consiga reunir apoios suficientes para sua própria candidatura.
Nesse desenho, a campanha tenta aproveitar a característica fragmentada da política mineira para construir uma rede que passe por prefeitos, partidos e lideranças de diferentes grupos.
A estratégia é especialmente relevante diante da força de Cleitinho na disputa estadual e da decisão do PL de lançar Roscoe ao Palácio Tiradentes, o que pode dividir os votos dos eleitores de direita.
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