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Na busca do eleitor que não votou, PT tem como desafio índice histórico de abstenção no 2º turno

Índice na primeira etapa de 2026 foi o maior desde 1998, segundo dados do TSE

2026|Luiza Marinho*, do R7, em Brasília

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • O PT enfrenta o desafio de mobilizar eleitores que não votaram no primeiro turno de 2026, com 33.361.091 abstenções, o maior número desde 1998.
  • Historicamente, a abstenção tende a aumentar do primeiro para o segundo turno, com exceção em 2022, quando houve uma ligeira queda.
  • A campanha de Lula busca transformar parte dos abstencionistas em votos efetivos, mas deve evitar tratá-los como um bloco homogêneo.
  • Estratégias incluem identificar áreas de alta abstenção e oferecer razões concretas para que os eleitores vejam importância no segundo turno.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

A cada 10 brasileiros aptos a votar, dois não compareceram às urnas Rovena Rosa/Agência Brasil - Arquivo

O resultado do primeiro turno das eleições colocou um novo desafio para a campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT): mobilizar os eleitores que não foram às urnas para que eles votem no segundo turno. Ao todo, 33.361.091 eleitores se abstiveram, o equivalente a 21,07% do eleitorado apto a votar, de cerca de 158,7 milhões de pessoas.

O percentual é o maior registrado desde 1998, quando o índice chegou a 21,5%, segundo dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). No entanto, historicamente, a abstenção tende a crescer do primeiro para o segundo turno. Veja:

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ㅤ Luce Costa/Arte R7

A única exceção recente ocorreu em 2022, quando houve queda na segunda etapa. A abstenção passou de 32.739.676 eleitores no primeiro turno para 32.186.397 no segundo, uma redução de 553.279 pessoas.

Com a definição do segundo turno entre Flávio Bolsonaro (PL) e Lula, o PT busca ampliar a mobilização entre eleitores que ficaram fora da votação para tentar alterar o resultado da primeira etapa.

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Uma eventual virada de Lula dependeria, entre outros fatores, da capacidade de transformar parte desse eleitorado em votos efetivos.

Disputa pela participação

Para o cientista político Gabriel Amaral, a campanha de Lula não deve considerar os abstencionistas como um grupo homogêneo ou presumir que esses eleitores tenham preferência pelo PT.

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“Quem não compareceu no primeiro turno reúne desde eleitores politicamente desmobilizados até pessoas que enfrentaram dificuldades concretas para votar”, afirma.

Segundo Amaral, a campanha pode identificar regiões com maior índice de abstenção e cruzar esses dados com áreas onde o candidato possui potencial eleitoral. A partir daí, a estratégia seria concentrar esforços de mobilização nos locais em que a participação adicional poderia representar mais votos.

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Ele também aponta que dificuldades práticas, como falta de informação sobre o local de votação e problemas de deslocamento, podem influenciar a ausência, enquanto o desinteresse político e a descrença são obstáculos mais difíceis de enfrentar.

“Para esse eleitor, a campanha precisa demonstrar por que o resultado altera concretamente sua vida e por que seu comparecimento pode fazer diferença”, diz.

Para o cientista político, o desafio não é apenas convencer o eleitor sobre uma candidatura, mas fazer com que ele considere o próprio voto relevante.

“A disputa pelos abstencionistas, portanto, não é apenas por preferência política. É, antes disso, uma disputa pela decisão de participar”, afirma Amaral.

Transporte e custo de vida

O cientista político e professor do Ibmec Brasília Jackson De Toni também considera que a mobilização dos eleitores que não compareceram às urnas exige ações que vão além da comunicação eleitoral.

Para ele, a taxa de abstenção, que ficou em torno de 21% no primeiro turno, reflete fatores. “Como um desalento estrutural com a política, a percepção de ineficácia do ato de votar e barreiras financeiras ou logísticas”.

De Toni afirma que a campanha precisaria atuar em três frentes: logística, mobilização comunitária e comunicação. Entre as medidas práticas, ele destaca a articulação com governos estaduais e municipais para facilitar o deslocamento dos eleitores.

“A prioridade central deve ser a articulação institucional com governadores e prefeitos para assegurar o passe livre no dia do pleito, removendo o custo de transporte como obstáculo para eleitores de menor renda”, afirma.

O especialista também defende ações presenciais em regiões periféricas e áreas de maior vulnerabilidade, onde dificuldades econômicas e operacionais podem contribuir para a ausência nas urnas.

Campanha

Na avaliação de De Toni, o discurso também terá papel central para tentar reduzir a abstenção. Segundo ele, a campanha de Lula deve apresentar o segundo turno como uma nova etapa da disputa e criar um senso de urgência em torno da votação.

“A candidatura governista precisa construir um forte senso de urgência sobre a relevância do resultado”, afirma.

Para alcançar eleitores afastados do debate político, o professor avalia que a campanha deveria priorizar questões diretamente relacionadas ao cotidiano.

“Para furar a bolha do desinteresse, o discurso precisa se distanciar de embates ideológicos abstratos e focar nas pautas materiais do cotidiano, como custo de vida, inflação e segurança pública”, diz.

De Toni também aponta a necessidade de a campanha dialogar com o eleitorado de centro e apresentar propostas relacionadas à previsibilidade econômica e à governabilidade.

*Estagiária do R7, sob supervisão de Augusto Fernandes, editor-chefe

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