Política jovem: média de idade dos deputados mais votados despenca 10 anos desde 2018
Para especialistas, fenômeno está ligado à ascensão das redes sociais e às novas formas de comunicação com os eleitores
2026|Bruna Pauxis, do R7, em Brasília
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Com uma renovação de 35% na Câmara dos Deputados e 183 políticos eleitos para o primeiro mandato na Casa, a bancada de deputados federais teve uma guinada geracional nas eleições deste ano.
A idade média dos dez parlamentares mais votados caiu para 32 anos, uma redução de sete anos em relação a 2022 (39 anos) e de uma década na comparação com 2018 (42 anos), sinalizando um interesse cada vez maior dos jovens pela carreira política.

Para o cientista político Rodrigo de Carvalho, membro da Academia Brasileira de Direito Eleitoral e Político, os dados refletem uma mudança no eleitorado, em que figuras tradicionais e já conhecidas dão espaço a novatos.
Segundo o especialista, esse comportamento de “renovação” está relacionado a transformações tanto nas pautas quanto nos instrumentos utilizados pelos candidatos mais jovens para fazer suas campanhas políticas.
“Existem novas pautas dos dois lados. Na esquerda, mobilizam-se agendas como negritude, direitos da população LGBTQIAP+ e das mulheres. Na direita e no campo conservador, são pautas antigas que ganham um novo discurso, principalmente ligado à ideia de liberdade”, analisa Carvalho.
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O cientista político destaca também a centralidade das mídias digitais. “As campanhas eleitorais estão cada vez mais presentes nas redes sociais. Quem é mais jovem atua de maneira não tradicional — fugindo do panfleto, do adesivo e da bandeira — e foca a conversa no ambiente digital, onde tende a ter mais vantagens na disputa.”
Para Carvalho, o processo é cíclico e, com o tempo, esses novos nomes também serão substituídos. Por agora, a polarização política influencia diretamente o comportamento do público jovem, como conta o especialista, que destaca os embates digitais, as discussões em podcasts e outras ferramentas interativas como formas com as quais o eleitorado mais novo acompanha o período pré-eleitoral.
“Hoje, o peso de uma trajetória longa ainda ajuda, mas já não garante competitividade como antes. O reconhecimento precisa vir acompanhado de capacidade de mobilização, presença atual, identidade política clara e conexão com a agenda do eleitor”, resume.
Diálogo com o eleitor
O especialista em relações governamentais Eduardo Galvão concorda sobre o impacto das novas ferramentas no impulso a políticos mais jovens. No entanto, ele ressalta que outros elementos também entram em jogo, como a construção de bases territoriais e a comunicação comunitária focada na identificação com o eleitor.
“O nome continua tendo valor. O problema é quando o eleitor reconhece a trajetória, mas já não enxerga nele uma resposta para o presente. Há uma diferença importante entre ser muito conhecido e continuar sendo eleitoralmente necessário”, afirma Galvão, que defende a comunicação ativa e capacidade de mobilização como ferramentas para garantir votos.
O especialista pondera, no entanto, que, embora o Congresso esteja sempre “mudando de cara” e em uma dinâmica de rejuvenescimento, isso não significa, necessariamente, que as estruturas de poder estão sendo renovadas.
“Muitas lideranças novas chegam apoiadas por máquinas partidárias, grupos regionais, igrejas, redes digitais ou estruturas familiares já consolidadas. Então, pode haver mudança geracional sem uma mudança equivalente na lógica de funcionamento da política. Talvez esse seja o ponto mais interessante: alguns rostos mudam, mas o poder continua sendo disputado por estruturas muito organizadas”, finaliza.
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