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Dudu Camargo abre o coração, relembra trajetória e reforça a importância de A Fazenda: ‘Humanizou a minha figura’

Ao R7 Entrevista, repórter do Balanço Geral relembra encontro com Silvio Santos, desafios na tela da RECORD e conta os planos com Saory Cardoso

Entrevista|Erika Teles, Lygia Kato e Maria Clara Lentz, do R7

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Dudu Camargo relembra trajetória e fala sobre a experiência no Balanço Geral Antonio Chahestian/ RECORD

Não foi só em A Fazenda que o repórter do Balanço Geral, Dudu Camargo, roubou a cena. Na infância, ele começava a trilhar um caminho de sucesso como ator e não demorou para descobrir a sua grande paixão: o jornalismo.

E foi então que seus caminhos cruzaram o do maior comunicador do Brasil, Silvio Santos (1930 - 2024) em um salão de beleza. Mas nada foi por acaso. “Um dia eu marquei horário para fazer a mão lá, que era a coisa mais barata que tinha no salão, R$ 50 na época. De repente, escuto aquela voz saindo, nisso o Silvio vem e eu falo ‘como vai?“. O encontro foi seguido de uma verdadeira análise de audiência por parte do jovem aprendiz, que soube impressionar muito bem o futuro patrão.


Com carisma de sobra, talento, profissionalismo e boas ideias, Dudu conquistou o dono da emissora e foi garantindo seu espaço diariamente. “No primeiro mês, a audiência foi uma montanha-russa, no segundo estabilizou, e no terceiro foi crescendo, de pouquinho em pouquinho, até que a gente conseguiu o objetivo lá, que era vice-liderança na faixa. E durante sete anos foi sucesso”, relembra.

Em 2025, o Brasil todo teve a oportunidade de descobrir o que Silvio Santos havia visto em Dudu Camargo ao longo dos meses em que passou confinado em A Fazenda. Na novela da vida real, dificilmente é possível encarar um personagem em tempo integral. Ele provou que é um jovem carismático, divertido, que sabe o que o público gosta e é capaz de conquistar uma legião de fãs.


Ao R7 Entrevista, ele fala sobre os desafios na tela da RECORD, como repórter do Balanço Geral e do Domingo Espetacular, conta detalhes da nova fase ao lado de Saory Cardoso, dentista e influenciadora que conheceu no reality, fala sobre sonhos e revela, em primeira mão, o destino do prêmio milionário!

Confira!


R7 Entrevista: Você está na TV e no teatro desde muito cedo. Em algum momento sentiu falta de viver uma juventude fora dos holofotes?

Dudu Camargo — Eu amo muito o que eu faço, sei que fazer aquilo que ama, principalmente quando é televisão, vem acompanhado, consequentemente, pela fama. E isso acaba ajudando a ter uma rotina um pouco diferente das outras pessoas. Eu trato a fama como ônus da profissão.


A fama nunca foi meu objetivo. Meu objetivo é fazer televisão, mas eu sei que a profissão que eu escolhi tem lados negativos, mas faz parte. Por exemplo, uma pessoa que escolhe ser policial, ama esse ofício, mas sabe que vai enfrentar troca de tiros, que vai correr risco, mas isso não é motivo para não exercer. Então, eu não me arrependo de ter tido uma infância ou adolescência diferente por conta da fama. Porque faz parte daquela profissão que eu escolhi e sou apaixonado, e a gente paga o preço das coisas ou das decisões que escolhe.

Dudu Camargo ainda criança no teatro Reprodução/Arquivo Pessoal

R7 Entrevista: De onde veio essa vontade de ser comunicador?

Dudu Camargo — Cresci acompanhando os programas jornalísticos das emissoras, principalmente a RECORD, que sempre investiu no jornalismo, assistia muito aos jornais daqui e admirava os comunicadores que passaram por aqui desde que eu tinha 13, 14 anos.

Comecei a carreira com nove anos, mas aí eu fiz de tudo um pouco, modelo de passarela, ator de teatro e comercial em televisão. Mas a minha identificação [com o jornalismo] aconteceu dos 13 anos em diante, quando eu começo a ter ciência, responsabilidade, e o que de fato vou fazer na vida. Eu via que televisão era muito difícil. Você podia ter o talento que fosse, mas oportunidade é difícil. Eu nunca pensei em desistir, batalhei e é isso que eu almejo desde a adolescência.

“Cresci acompanhando os programas jornalísticos das emissoras, principalmente a RECORD, que sempre investiu no jornalismo, assistia muito aos jornais daqui e admirava os comunicadores"

(Dudu Camargo)

Dudu Camargo ao lado da apresentadora Eliana Reprodução/Arquivo Pessoal

R7 Entrevista: Em que momento você teve a percepção de que deixou de ser o menino que queria trabalhar na TV para realmente cair em si e falar, ‘eu sou um apresentador de TV’?

Dudu Camargo — Foi quando eu recebi a oportunidade, aos 18 anos, de apresentar um jornal diariamente, que foi no SBT, o Primeiro Impacto. Lembro que desde criança, eu já via um acidente que aconteceu, por exemplo, na Marginal, e queria ser o primeiro a contar quando chegasse em casa. E ai de alguém se contasse antes. Então, eu já tinha esse DNA para o jornalismo.

Eu fui fazendo alguns trabalhos na televisão, mas foi do SBT em diante, que eu consegui realizar o meu sonho de estar num posto ali de âncora, apresentando o jornal que eu sempre assisti e gostava.

Lembro que desde criança, eu já via um acidente que aconteceu, por exemplo, na Marginal, e queria ser o primeiro a contar quando chegasse em casa

(Dudu Camargo)

Dudu Camargo fala sobre a grande paixão pelo jornalismo Reprodução/Arquivo Pessoal

R7 Entrevista: Então não teve dúvidas de que nasceu para isso?

Dudu Camargo — Não, porque eu tinha essa certeza, gostava muito de televisão, já consumia notícias de audiência e entendia o mercado. E eu me lembro que até quando criança, jogava videogame com os meus primos, um jogo que tem muita perseguição e correria. E eu narrava, enquanto não chegava a minha vez de jogar, os meus primos ficavam jogando, e para passar o tempo até chegar a minha vez de jogar, eu ficava narrando as perseguições policiais. Isso foi me dando bagagem de improviso também. Depois, fiz teatro, o que me ajudou a improvisar também. E aí, foi indo. A prática e os exercícios me ajudaram a fortalecer a comunicação.

Dudu Camargo relembra a parceria e inspiração de Silvio Santos Arquivo pessoal

R7 Entrevista: Como foi o seu primeiro contato com Silvio Santos? Você se lembra nitidamente?

Dudu Camargo — Foi na porta do salão do Jassa. Mas foi por etapas. No meu primeiro encontro, eu tinha 17 para 18 anos e estava com a minha mãe parado em frente ao salão. Aí eu o vi e corri chamando ‘Silvio, Silvio’. Ele estava para sair do carro, mas mesmo assim não consegui conversar com ele.

Depois, tive algumas outras oportunidades, ali na porta do salão. Até teve um dia que ele chegou bem-humorado, cantando, ouvindo alto o noticiário no rádio do carro. E quando ele sai me dá um autógrafo e escreve: ‘um abraço de Silvio Santos ao futuro colega de TV’. Mas ele sempre escrevia isso para quem pedia oportunidade na televisão. E nesse dia eu pedi a ele para fazer um vídeo falando que Dudu Camargo é show. E ele falou ‘Dudu Camargo vai ser show, ainda não é’. Ou seja, ele não fez do jeito que eu pedi, mas já estava profetizando.

Nesse mesmo dia, eu também dei um presente que achei lá em casa, um par de abotoaduras, em uma caixinha envelopada de veludo preto, tipo aquelas de joia. Aí, um dia eu o vejo usando no programa, a câmera deu um foco nele e eu falei, ‘pô, o Silvio está usando as abotoadoras o que eu dei, ele levou para o programa’. Fiquei muito satisfeito com aquilo.

R7 Entrevista: E tiveram outros encontros no salão?

Dudu Camargo — Um dia eu marquei horário para fazer a mão lá, que era a coisa mais barata que tinha no salão, R$ 50 na época. De repente, escuto aquela voz saindo, nisso o Silvio vem e e eu falo ‘como vai?. Aproveitei para falar que ele havia estreado no dia anterior o Fofocando, que é um programa que derrubou 23% da audiência da faixa do que os desenhos davam. Falei que a gente precisava modificar aquele formato, que nasceu muito cru, era só o apresentador chamando as fofocas. Tinha que ter um repórter entrevistando os famosos. Disse para ele o que já tinha feito em televisão, passei o meu histórico rapidinho. Contei que já tinha feito alguns trabalhos como ator e anotei meu contato em um pedaço de papel. Silvio disse que eu tinha um bom futuro em televisão, e repetiu isso várias vezes. Ele avisou que o Rafael [Larena] me ligaria. Depois, eu descobri que ele era assessor executivo do Silvio Santos.

Contei [ao Silvio Santos] que já tinha feito alguns trabalhos como ator e anotei meu contato em um pedaço de papel

(Dudu Camargo )

R7 Entrevista: Esse foi o ponto de partida para iniciar uma história em uma grande emissora?

Dudu Camargo — O Rafael me chamou para uma conversa e sugeri entrar como novo apresentador, trazendo essa roupagem e linguagem jovem. Ele disse que tinha uma boa e uma má notícia. A má notícia é que o Silvio não queria um novo apresentador no Fofocando, e a boa é que ele tinha mandado eu escolher entre ser o ‘Homem do Saco’ ou o repórter que vai entrevistar os famosos’. Eu escolhi a primeira opção, fiz em uma sexta-feira e não me chamaram mais. Aí analisaram que o desempenho do meu ‘Homem do Saco’ tinha sido o melhor e me chamaram para ser fixo.

R7 Entrevista: Já no comando de um jornalístico, você alcançou a vice-liderança no horário da manhã.

Dudu Camargo — Falei sobre o jornal de manhã que estava indo muito mal e tinha formato de bancada. Sugeri fazer jornal para o povo acordar e não para dormir! Disse para voltar a ser igual ao que o Cesar Filho fazia, sem bancada, chamando os repórteres da rua, com factual, flagrante do helicóptero. Silvio me perguntou se já tinha feito jornal e eu falei que em Minas Gerais, com 14 anos. Ele perguntou se tinha a fita gravada e respondi que não, porque era uma cidade muito pequena, com 100 mil habitantes.

“Ele [Silvio Santos] me perguntou se já tinha feito jornal e eu falei que em Minas Gerais, com 14 anos”

(Dudu Camargo)

No período da tarde, eu fiz o ‘Homem do Saco’ lá no SBT e quando terminei a produtora falou para não ir embora, pois o diretor queria falar comigo. Fui até a sala do Marcelo Parado e ele disse que o Silvio queria me testar no dia seguinte. Achei que era um programa piloto, mas o teste era ao vivo, aí eu nem fui embora da emissora, fui ver figurino, gravamos um teste de luz, pois ia tirar a bancada. Expliquei ao diretor o que pensava em fazer e ele falou que só daria para tirar a bancada. No primeiro mês, a audiência foi uma montanha-russa, no segundo estabilizou, e no terceiro foi crescendo, de pouquinho em pouquinho, até que a gente conseguiu o objetivo lá, que era vice-liderança na faixa. E durante sete anos foi sucesso.

“No primeiro mês, a audiência foi uma montanha-russa, no segundo estabilizou e no terceiro foi crescendo, de pouquinho em pouquinho, até que a gente conseguiu o objetivo lá, que era vice-liderança na faixa. E durante sete anos foi sucesso”

(Dudu Camargo)

R7 Entrevista: Quando encontrou o Silvio pela última vez?

Dudu Camargo — Foi o último Jogo das Três Pistas, que foi o penúltimo programa que Silvio Santos gravou na vida e na carreira. Nós disputamos o jogo que foi apresentado pela Silvinha, filha número dois dele. Quando ele me chamou [para o palco], falou ‘olha, vocês sabem que eu não tenho filho, mas se eu tivesse eu queria que fosse tão bonito e inteligente igual a este garoto, pode entrar Dudu Camargo’. Isso aí foi um documento que eu tenho guardado, postei no meu Instagram esse vídeo, um formato de homenagem, inclusive o público pôde ver em A Fazenda, que eu sempre citava o Silvio, que até na Roça eu fingi que indicava um e indicava o outro, aquilo era muito da dinâmica do Silvio Santos, de fazer a coisa acontecer, então foi muito bacana ter tido essa oportunidade de vivenciar o melhor momento do Silvio, que foi nos últimos anos aí da carreira, da vida dele”.

R7 Entrevista: O que o Dudu de hoje diria para aquele rapaz cheio de sonhos de 17, 18 anos?

Dudu Camargo — ‘Olha, Dudu, você tem sonhos distantes da tua realidade, mas siga firme que vai conquistar muito mais do que imagina. Coloque Deus em primeiro lugar, continue com muita fé e tenha força. Você vai ter dificuldades, mas não se preocupe, vão ter momentos muito bons e você vai colher coisas boas. Não desista e continue persistente, focado. Siga na certeza daquilo que tem dentro de você e dando o seu melhor. Eu conquistei tudo isso ao longo da minha carreira e não imaginava nem nos meus melhores sonhos, de ser elogiado por um grande comunicador como o Silvio Santos, ter as portas abertas que eu tive no SBT, na RECORD, nas televisões de forma geral. Eu queria fazer televisão, mas não me imaginava tendo toda essa vivência e isso me surpreendeu positivamente.

R7 Entrevista: No Balanço Geral, você fez um mês dos desafios. Essa proposta te surpreendeu?

Dudu Camargo — Eu não acreditava que fosse dar aquela audiência, porque eu sempre tive o viés de que a notícia factual chama mais atenção e é o que dá audiência. Só que esse quadro ajudou o programa, porque você tem notícias pesadas, e acabou sendo mais um momento de descontração para aliviar. Então, o telespectador abraçou os desafios. Eles eram muito bons, me desafiavam e eu não estava preparado [para enfrentar alguns]. Se você me coloca na frente de uma multidão de um milhão de pessoas, eu falo muito bem e desenrolo. Me colocaram frente a frente com o animal? Beleza, é de boa! Uma das maiores audiências foi a do tobogã, que eu não consegui descer. Mas foi bacana, o telespectador gostou, ali eu pude imprimir o Dudu de verdade, porque eu realmente tive medo da altura.

R7 Entrevista: Como é ser repórter e apresentador aos sábados do jornal com mais tempo ao vivo na TV?

Dudu Camargo — Eu já cheguei a entrar às quatro da manhã e ficar até dez e meia da manhã na época em que dividia com o Marcão do Povo. Mas o Balanço Geral, o que mais me impactou, não foi nem o tempo de duração, foi a realização de poder apresentar e ancorar um jornal que eu sempre assisti e admirei.

Me lembro na época da escola, eu assistia ao Balanço Geral no horário do almoço e quando eu pude ter o privilégio, por exemplo, de conhecer a Cláudia Aied (Chefe de Redação do programa), eu falei ‘Cláudia, com 13, 14 anos voltando da escola, eu corria para ver naquela época o Geraldo Luís com aquele cofre misterioso que ele encontrou em uma fazenda, com aquelas reportagens de mistério’. Ele falava muito Cláudia Aied, ‘panela velha é que faz comida boa’, e tocava música e tal.

São figuras que fizeram parte da minha infância e eu pude agora ser dirigido e trabalhar com essas pessoas. Então, comandar essa franquia de sucesso que é o Balanço Geral me impactou muito.

“Mas o Balanço Geral, o que mais me impactou, não foi nem o tempo de duração, foi a realização de poder apresentar e ancorar um jornal que eu sempre assisti e admirei"

(Dudu Camargo)

R7 Entrevista: O que o público ainda não sabe sobre você?

Dudu Camargo — Acho que já sabe praticamente tudo, porque conhece o meu jeito, sabe quando estou feliz e quando não estou. Aliás, antes mesmo de participar de A Fazenda, eu sempre tive essa ciência de que você não tem como mentir para o público. O cara que te assiste todo dia percebe no teu olhar se você está feliz ou triste, se a pessoa que entrou dividindo tela com você é seu amigo de verdade ou não está gostando da tua presença no vídeo. Tudo isso o público acaba sentindo. E depois do reality as pessoas começaram a traduzir um pouco mais do meu jeito.

“Você não tem como mentir para o público. O cara que te assiste todo dia percebe no teu olhar se você está feliz ou triste”

(Dudu Camargo)

R7 Entrevista: Então, não tem diferença entre o Dudu da TV e quando está longe das câmeras?

Dudu Camargo — Não. Apenas na TV eu fico mais concentrado em dar notícias, às vezes notícias mais pesadas e difíceis de lidar, mas ali é o momento. As pessoas que acompanharam o Dudu em A Fazenda conheceram praticamente 100% dele.

R7 Entrevista: Qual é o maior aprendizado que a televisão te trouxe e também o tombo que pensou que não levaria, mas ajudou a se reerguer?

Dudu Camargo — Eu nunca fui pessimista. Quando eu tropecei, no sentido de não me entenderem ou enfrentar dificuldades, injustiça, mentira, tudo isso nunca me afetou, porque eu sempre olhava positivamente. Quando eu saí de uma grande oportunidade, me surgiram outras. Então, se eu tivesse preso lá ainda, eu não teria vivido esse carinho do público de A Fazenda, não teria vivido a minha experiência lá no Piauí, que foi maravilhosa com a televisão local, eu não teria vivido essa oportunidade de estar hoje na RECORD, porque eu estaria lá ainda preso naquela mesma situação. Então, há males que vêm para o bem. Tiveram momentos na minha vida que poderiam parecer ruins, mas que eu tirei bom proveito daquilo.

R7 Entrevista: Podemos dizer que você é o rei do improviso e faz tudo com a maior naturalidade. Mas te dá frio na barriga entradas de supetão ao vivo?

Dudu Camargo — O frio na barriga vem mais quando eu estreio algo. Por exemplo, a primeira vez em que eu apresentei Balanço Geral aqui na RECORD. Dá um frio na barriga, mas é uma coisa gostosa, que incentiva. Eu uso muitas vezes a realização do sonho como uma superação, e deixo prevalecer o sentimento de felicidade de estar ali fazendo aquilo, porque há pessoas que deixam o nervosismo dominar, paralisar. No meu caso é o contrário, me motiva.

“Há pessoas que deixam o nervosismo dominar, paralisar. No meu caso é o contrário, me motiva”

(Dudu Camargo)

R7 Entrevista: Tem alguma preparação especial para entrar ao vivo? Conte um pouco dos bastidores.

Dudu Camargo — Eles me mandam o texto com as informações, mas geralmente eu procuro um pouco mais para me inteirar. Às vezes, a gente acaba flagrando muito factual, como um acidente ali na hora. Então é mais do improviso, tem que apurar a informação ali ao vivo. O Balanço me permite me colocar na porta, por exemplo, de uma delegacia que está cuidando do caso. Além das informações que a equipe me passa, eu tento conseguir com o delegado, algum policial, investigador ou com a própria vítima mais informações. Vou, às vezes, em um velório de alguém, consigo algumas coisas extras do que a equipe de jornalistas já apurou vamos desenrolando os casos.

R7 Entrevista: Tem alguma notícia que você sonha dar um dia?

Dudu Camargo — Várias, né? Só notícia boa em relação a mim, em relação às pessoas que eu gosto, em relação à empresa que eu estou... Isso tudo é notícia que a gente aguarda sempre dar.

R7 Entrevista: Há algo na carreira que ainda não fez e gostaria de fazer?

Dudu Camargo — Não, sou muito realizado. As pessoas têm uma falsa impressão de que eu tenho vontade de fazer entretenimento ou programa de auditório, e não. O Silvio já me falou, ‘você daria um bom animador de auditório, mas o jornalismo é o futuro da televisão’. Então, e eu gosto do jornalismo, da notícia, e sei que isso tem relevância com o telespectador. Auditório, se você não tiver um bom formato, não vai para a frente. Mas se eu te falar que tenho uma notícia para contar, você vai parar para me ouvir, independente do que for. Eu nunca coloquei como privilégio a minha vontade, sempre a vontade do telespectador, porque que eu estou fazendo televisão não para mim, ou para uma pessoa específica, é para um público, uma plateia grande.

“Eu nunca coloquei como privilégio a minha vontade, sempre a vontade do telespectador”

(Dudu Camargo)

Dudu Camargo foi o grande campeão de A Fazenda Reprodução/Arquivo Pessoal

R7 Entrevista: Como avalia toda essa virada em 2025 na sua vida e carreira?

Dudu Camargo — Foi um marco tão importante quanto assumir um jornal aos 18 anos ainda lá no SBT. Eu considero dois marcos importantes da minha trajetória, porque lá no SBT eu começo a conquistar o público ali no horário da manhã. Passei sete anos nessa faixa com sucesso de audiência. E depois tem uma passagem que eu considero muito importante, pelo Piauí para fazer televisão. Foi muito gratificante ter o contato com o povo nordestino. Aqui, temos uma grande classe de nordestinos que vem tentar a vida e ajudou a construir São Paulo. Foi muito bacana receber esse carinho do povo que já me acompanhava na transmissão nacional.

Retornar em um projeto que eu nunca tinha feito, que era reality show, foi a grande oportunidade para as pessoas me conhecerem. A Fazenda meio que expandiu isso. O Brasil começou a ver que não era só o Mauricinho de terno e gravata novinho que apresentava jornal, que ali existia um ser humano que sofria, um jogador que fazia estratégia e que não foi para o reality para ter uma colônia de férias, e sim para jogar e fugir de Roça.

“O Brasil começou a ver que não era só o Mauricinho de terno e gravata novinho que apresentava jornal, que ali existia um ser humano que sofria”

(Dudu Camargo)

R7 Entrevista: Você esperava tamanha repercussão do público?

Dudu Camargo — Quando eu sai do reality, percebi que tinha essa abrangência de gente que já me acompanhava da televisão, mas que começou a ficar muito mais apaixonada e conectada, porque acompanhava A Fazenda como uma novela da vida real. As pessoas me abordam na rua, inclusive esses dias eu estava fazendo links aqui para o jornalismo da RECORD e uma moça falou que tinha um netinho de 3 anos de idade, e quando ele me via na televisão me chamava de amigo que está aparecendo na televisão. Ela contou que fica apaixonada com aquela situação toda pelo carisma, né? O próprio Silvio Santos já comentava muito sobre o carisma, que você não compra, não tem como ensaiar, você tem ou não tem.

Óbvio que não adianta só ter o talento e o carisma, você tem que ter a prática, exercitar a profissão para melhorar cada vez mais.

Essa experiência de estar na rua diariamente está sendo muito bacana, porque tenho a oportunidade de agradecer ao público e, ao mesmo tempo, fazer aquilo que eu amo, que eu gosto, que é a televisão e jornalismo.

R7 Entrevista: A sua real intenção quando você entrou no reality era mostrar um outro lado seu. Acha que cumpriu esse papel?

Dudu Camargo — Sim, cumpri esse papel. Era esse o objetivo de poder fazer o reality show e mostrar o lado do Dudu na realidade. Humanizou muito mais a minha figura. As pessoas só tinham aquela imagem do jornalista chamando as matérias.

R7 Entrevista: E qual foi o destino do prêmio de A Fazenda?

Dudu Camargo — Eu não gastei e nem tenho pretensão de gastar. Eu pretendo viver com o salário do meu trabalho, que é o que eu sempre aprendi. É pelo trabalho que você consegue a tua renda para seguir a sua vida. Eu não sou uma pessoa vaidosa hoje em dia. Claro, a gente quer um canto, uma casa confortável, mas não sou vaidoso a ponto de falar assim ‘eu quero uma baita de uma casa ou um carrão’. Me preocupo com a alimentação, de ter o meu cantinho, de conseguir me locomover, mas sem luxos. O prêmio eu tenho como um troféu, porque a vitória é em A Fazenda, e o dinheiro em si nunca me brilhou os olhos, apesar de a gente precisar dele para fazer as coisas da vida.

Dudu e Saory estão juntos desde a final de A Fazenda Reprodução/Instagram/@saorycardoso
“Eu não gastei e nem tenho pretensão de gastar [o prêmio de A Fazenda]. Eu pretendo viver com o salário do meu trabalho, que é o que eu sempre aprendi”

(Dudu Camargo)

R7 Entrevista: Você foi duplamente premiado, além de vencer o reality, ainda saiu com um grande amor. Como começou a sua história com a Saory Cardoso?

Dudu Camargo — Foi no primeiro dia, quando cada peão se apresentou para toda casa. Então, na vez dela, ela disse assim ‘olha, apesar de eu ser nova e tal, eu gosto de homens mais velhos’. Aí, até a câmera corta para mim, porque eu meio que dou um sorriso. Nessa hora eu pensei ‘é aí que eu pego ela, porque eu tenho corpo de novo, mas eu tenho um velhinho dentro de mim que vai surpreender.

Fiquei naquela expectativa, aí ela começou a se unir com o meu grupo e eu fui tendo um contato maior com ela, fazia umas brincadeirinhas, e ela entrava na onda, aí foi rendendo até que começou a rolar uma aproximação maior. Mas tiveram momentos de conflito também, em que ela discordou de atitudes da minha pessoa como jogador, mas isso não afetou o sentimento dela, porque depois a gente continuou.

Lembro que na final, quando anunciaram o resultado, eu comemorei, mas não quis ficar sozinho. Olhei para trás e falei, “cadê a Saory?. Aí ela se aproxima, eu dou um beijo nela, enfim.

R7 Entrevista: Como está essa relação fora do cercado?

Dudu Camargo — Estamos morando juntos, e pretendemos continuar essa relação muito boa, inclusive a gente até ficou espantado com o carinho das pessoas conosco. As pessoas gostaram muito da minha união com ela, e a gente, aqui fora, começou a ficar muito mais à vontade, porque antes lá ficavam as câmeras filmando. Aqui não tem isso, é muito bacana essa parceria, que está refletindo até no trabalho. Das vezes em que eu participei com ela no Balanço, deu um pico de audiência muito bom. No Link Podcast, a maior audiência simultânea está sendo a que eu estou fazendo com ela as quatro da tarde.

R7 Entrevista: E a família tem planos para aumentar?

Dudu Camargo — Eu realmente tenho vontade de ser pai, sim. A Saory também, mas ela já é um pouco pé no freio nesse sentido, pelo menos por enquanto, porque a gente está muito compromissado. Minha rotina é muito intensa, é quase o dia todo dedicado ao trabalho, volto para a casa só para dormir. Então, se a gente for ter um filho, nós pretendemos ter tempo também para ele com dedicação, e não deixar com outras pessoas cuidando. Essa é a nossa preocupação. Talvez o menino não tenha vindo ainda por conta disso. Acho que depois que começa o primeiro, dá para ter mais de um, é ir vendo aos poucos como vai ser. Eu pretendo ser pai e acredito que a lição que devo deixar para o meu filho é justamente a que eu aprendi: não desistir, fazer aquilo que você gosta, tendo Deus em primeiro lugar e andar no caminho certo, porque todo ser humano, no fundo, sabe o que é certo e o que é errado. Pretendo ensinar para ele muitas coisas nesse sentido da vida.

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