Cíntia Chagas descomplica a língua portuguesa em rede nacional: ‘Conhecimento é poder’
Educadora estreia o quadro ‘Calma, que eu explico’, no Domingo Espetacular deste fim de semana (17)
Entrevista|Juliana Lambert, do R7

Chiquíssima, bela, culta e com uma vontade imensa de compartilhar conhecimento! A educadora e influenciadora Cíntia Chagas reforça o time do Domingo Espetacular a partir deste fim de semana (17) e chega com um desafio ambicioso: comandar o quadro Calma, que eu explico, e descomplicar a língua portuguesa, mostrando o idioma de um jeito direto e sem rodeios.
“A educação pode ser leve, interessante e até divertida. Se, ao final, você desligar a TV corrigindo mentalmente alguém ou corrigindo a si mesmo com mais consciência, então o quadro terá cumprido a função”, avisa a educadora.
Formada em Letras pela Universidade Federal de Minas Gerais, Cíntia se transformou em um fenômeno nas redes socias e hoje acumula 7,5 milhões de seguidores. Mas ela garante que nada foi programado ou arquitetado: “Fui demitida de dez cursinhos em Belo Horizonte (MG) exatamente por não cumprir a cartilha que esperavam de mim”.

Incompreendida por transformar a sala de aula em palco, Cíntia decidiu montar seu próprio curso preparatório e, em pouco tempo, havia fila de espera por uma vaga. Com o sucesso, as classes ficaram pequenas para tanto talento. “Eu desejava performar, provocar, causar. Sempre vi a sala de aula como um laboratório das minhas invencionices pedagógicas e artísticas”.
Agora, Cíntia dá mais um grande passo: será vista por milhões de telespectadores pelo Brasil. Desafio que ela abraçou por completo e não esconde que é do tipo que gosta de palpitar em tudo: “Altero o roteiro, questiono a lista de convidados, coloco os meus “cacos” no momento da gravação... Dei-me muitíssimo bem com a equipe, que sempre brinca comigo: “Hoje a professora nos deixou de recuperação”, “Hoje a professora nos deu nota 10”. Eles são sensacionais e competentíssimos".
Confira a entrevista completa!
R7 Entrevista: Você é um fenômeno da Internet e conquistou o Brasil ao ensinar língua portuguesa de maneira bem-humorada. A influenciadora é uma mistura de educadora, personagem e mulher inspiradora?
Cíntia Chagas — É possível dizer que sim. Todavia, nada foi programado, arquitetado, criado. Fui demitida de dez cursinhos em Belo Horizonte (MG) exatamente por não cumprir a cartilha que esperavam de mim. Essa mistura a que você se refere já me acarretou o fel; hoje, entretanto, rende-me o mel. Risos.

R7 Entrevista: Pensando em personagem, a arte sempre esteve presente? Você era aquela criança que gostava de interpretar e fantasiar?
Cíntia Chagas — Completamente. Eu cresci dizendo que um dia seria rica e famosa. Eu apontava para o televisor e falava: “Ainda estarei ali dentro”. Sempre fui uma criança teatral e fiz do dia a dia uma espécie de teatro, de palco. Olhando para trás, considero interessante o fato de uma criança, uma adolescente de poucos recursos financeiros, uma menina de Belo Horizonte ter afirmado categórica e repetidamente que chegaria lá. Deu certo. Risos.

R7 Entrevista: A grande virada começou quando você recebeu a sugestão de abrir o seu próprio cursinho, caso quisesse transformar a sala de aula em palco?
Cíntia Chagas — Exatamente. Houve um momento quando percebi que eu não cabia mais naquela estrutura tradicional da sala de aula. Eu queria mais liberdade, mais criação, mais impacto. Eu não me contentava em despejar regras gramaticais no sofrimento alheio. Eu desejava performar, provocar, causar. Sempre vi a sala de aula como um laboratório das minhas invencionices pedagógicas e artísticas. O meu lema era ensinar com humor. Se os alunos e eu não nos divertíssemos durante as aulas, eu não ficava satisfeita.
“Sempre vi a sala de aula como um laboratório das minhas invencionices pedagógicas e artísticas”
R7 Entrevista: E como veio a Internet? Você imaginava conquistar quase 8 milhões de seguidores em apenas uma rede social?
Cíntia Chagas — Quando comecei na internet, em 2015, eu não tinha um plano mirabolante de construção de marca pessoal, mas, sim, almejava fama, plateia. Apenas percebi que as redes sociais eram um palco gigantesco. Comecei falando de português do meu jeito: com humor, ironia, exagero. Muitas vezes, o conteúdo educativo costuma ser tratado como castigo, mas eu transformei aprendizagem em entretenimento. E o brasileiro adora rir — especialmente quando aprende enquanto ri. Agora, são os milhões de seguidores…
“Quando comecei na internet, em 2015, eu não tinha um plano mirabolante de construção de marca pessoal, mas, sim, almejava fama”
R7 Entrevista: Como educadora, qual o tamanho do desafio de ensinar língua portuguesa para uma geração que criou uma linguagem própria e ainda conta com ferramentas de IA para escrever textos e fazer trabalhos escolares?
Cíntia Chagas — Eu não sou daquelas pessoas apocalípticas que acham que a juventude destruiu a língua portuguesa porque escreve ‘vc’ no WhatsApp. A língua sempre muda. Sempre. O Acordo Ortográfico de 2009 é uma das provas disso. O verdadeiro problema não é a linguagem informal da internet. Ele ocorre quando a pessoa perde a capacidade de adaptar a comunicação ao contexto. Você pode mandar um ‘amg, pelo amor de Deus’ para sua melhor amiga. Mas é óbvio que essa abordagem não é a ideal em um currículo, em uma reunião ou diante de alguém que decide o seu salário.
Sobre a inteligência artificial... Complexo, mas ainda não me assusta nem um pouco.
Aliás, quem escreve mal continuará escrevendo mal — apenas com ajuda tecnológica. E, cá para nós, a IA escreve bem mal: há erros de português, vocabulário e sintaxe padronizados... Aquilo é um horror. Batemos os olhos e sabemos que se trata de texto de IA. Esta pode organizar ideias, corrigir erros, estruturar textos. Mas repertório, pensamento crítico, humor, sensibilidade, autenticidade e autoria ainda são atributos humanos. Pelo menos por enquanto. O que tranquiliza e preocupa ao mesmo tempo. E há outro fato: uma geração que terceiriza completamente a própria escrita corre o risco de terceirizar também o próprio pensamento.
“Cá para nós, a IA escreve bem mal: há erros de português, vocabulário e sintaxe padronizados... Aquilo é um horror”
R7 Entrevista: Qual é o erro que mais incomoda quando pensamos nessa linguagem de Internet que domina os adolescentes e até adultos?
Cíntia Chagas — O erro de ler apenas o “internetês”. Nunca os adolescentes leram tanto; mas nunca leram tanto os textos errados. E isso diminui vocabulário, conhecimento sintático e até QI. Se eles usassem o “internetês” e lessem os clássicos na mesma proporção, não haveria problemas.

R7 Entrevista: Mostrar um lado de verdade, com histórias de família, superação e, sobretudo, a mensagem de que é possível vencer com talento e educação, é uma grande inspiração para muitas adolescentes e jovens. Como você enxerga essa responsabilidade?
Cíntia Chagas — Levo essa responsabilidade com seriedade porque quero inspirar meninas a entenderem que inteligência, educação e independência também são formas de beleza. Mais do que entretenimento, gosto da ideia de mostrar que estudar, comunicar-se bem e ter repertório podem transformar vidas. Mulher feliz é mulher independente, autônoma, que tem o próprio dinheiro. E ninguém me convencerá do contrário.
“Mais do que entretenimento, gosto da ideia de mostrar que estudar, comunicar-se bem e ter repertório podem transformar vidas”
R7 Entrevista: Um dos seus sonhos era estar na TV. Qual é a expectativa para a estreia do quadro Calma, que eu explico no Domingo Espetacular?
Cíntia Chagas — Eu vejo esse tipo de oportunidade como uma extensão natural do que já faço na internet: traduzir a língua portuguesa de um jeito acessível, leve e, ao mesmo tempo, rigoroso.
A televisão tem um alcance diferente, mais amplo, e isso traz uma responsabilidade maior. Não é só entreter — é também formar repertório, incentivar o cuidado com a linguagem e mostrar que comunicar bem pode ser simples, sem ser superficial.
“A televisão tem um alcance diferente, mais amplo, e isso traz uma responsabilidade maior. Não é só entreter — é também formar repertório"
R7 Entrevista: Eu imagino você muito envolvida bem antes do “gravando”, atenta aos detalhes, sugerindo convidados e temas. Compartilhe um pouco da rotina e bastidores.
Cíntia Chagas — Menina, eu me meto em tudoooooo! Risos... Altero o roteiro, questiono a lista de convidados, coloco os meus “cacos” no momento da gravação... Dei-me muitíssimo bem com a equipe, que sempre brinca comigo: “Hoje a professora nos deixou de recuperação”, “Hoje a professora nos deu nota 10”. Eles são sensacionais e competentíssimos.

R7 Entrevista: O que o seu público pode esperar de você em um dos programas com maior audiência na emissora?
Cíntia Chagas — O público pode esperar um conteúdo leve, claro e rigoroso ao mesmo tempo, com foco em ensinar português de forma simples, prática e divertida. A ideia é descomplicar a língua, ajudar as pessoas a se comunicarem com mais segurança e edificar a vida do telespectador por meio da língua portuguesa. Conhecimento é poder.
R7 Entrevista: Quem é a sua inspiração na TV?
Cíntia Chagas — Hebe Camargo. Identifico-me com a autenticidade dela. Meu sonho é ser a Hebe. Eu sempre disse isso. Risos.
R7 Entrevista: Quais são os próximos sonhos que deseja realizar?
Cíntia Chagas — Ser a Hebe! Risos.
R7 Entrevista: Quem é a Cíntia longe das redes sociais e da TV?
Cíntia Chagas — Longe das redes sociais e da TV, gosto de silêncio, de rotina, de gente próxima, amigos, de livros — não de plateia.
Tenho prazer em coisas pequenas: uma boa conversa sem pressa, um livro que me prende, uma viagem bem escolhida, momentos em família. Não sou de turmas, nunca fui. Gosto muito de me isolar. E também, não minto, aprecio alguns luxos: um bom champanhe, um bom vinho, uma boa comida, um hotel chiquíssimo.
R7 Entrevista: O que faz os meus olhos brilharem?
Cíntia Chagas — Aplausos. Eu gosto mesmo é de aplausos. Risos.

R7 Entrevista: Diga para mim (e para todos os seus fãs), bons motivos para assistir ao Domingo Espetacular com Cíntia Chagas?
Cíntia Chagas — Eu diria que existem bons motivos e bem objetivos. Primeiro, você aprenderá português de um jeito direto, sem rodeios e sem essa ideia de que a língua precisa ser um bicho de sete cabeças. Depois, entenderá, na prática, como pequenas mudanças na forma de se comunicar podem alterar completamente a forma como você é percebido. Por último, e também importante, verá que a educação pode ser leve, interessante e até divertida. Se, ao final, você desligar a TV corrigindo mentalmente alguém ou corrigindo a si mesmo com mais consciência, então o quadro terá cumprido a função.














