Crianças estão perdendo criatividade por causa das telas, diz estudo
Uso excessivo de telas pode reduzir criatividade e afetar o brincar infantil
Fala Ciência|Do R7

A infância sempre foi marcada por imaginação, movimento e invenção de brincadeiras. No entanto, esse cenário vem mudando de forma acelerada com o avanço do uso excessivo de telas. Cada vez mais cedo, crianças estão trocando atividades ao ar livre e jogos criativos por horas em celulares e tablets, o que acende um alerta entre especialistas em desenvolvimento infantil.
Esse fenômeno não significa apenas uma mudança de hábito. Ele também pode impactar diretamente a criatividade, socialização e autonomia das crianças no momento de brincar.
Ruas vazias
Brincadeiras tradicionais como correr, inventar jogos e interagir com outras crianças estão se tornando menos frequentes. Isso ocorre por uma combinação de fatores, como redução dos espaços seguros para brincar, rotina intensa dos pais e famílias menores.
Além disso, as telas passaram a ocupar um espaço que antes era preenchido por atividades espontâneas. Na prática, isso faz com que muitas crianças recorram ao celular sempre que estão entediadas, criando um ciclo difícil de quebrar.
Esse comportamento pode levar a um ponto importante: quanto mais tempo diante das telas, menor tende a ser a capacidade de criar brincadeiras no mundo real.
Celular virou “babá digital”
Outro fator relevante é a dependência crescente de mediação adulta para brincar. Muitas crianças relatam dificuldade em iniciar atividades sozinhas fora do ambiente digital.
Com isso, o que deveria ser uma experiência espontânea passa a depender de estímulos externos constantes. Esse padrão pode reduzir habilidades como:
Assim, o brincar deixa de ser uma construção natural e passa a depender de estímulos prontos, muitas vezes vindos das telas.
Efeitos do excesso de telas na saúde infantil
Órgãos de saúde como a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Sociedade Brasileira de Pediatria alertam que o uso prolongado de telas pode trazer impactos importantes. Entre eles estão alterações no sono, dificuldades de atenção, problemas emocionais e redução da atividade física.
Além disso, quando o tempo de tela substitui atividades essenciais como dormir, comer ou brincar livremente, há maior risco de desequilíbrio no desenvolvimento infantil.
Outro ponto de atenção é o conteúdo acessado, que pode não ser adequado e influenciar comportamentos e emoções.
Tecnologia não é vilã, mas precisa de equilíbrio
Apesar dos riscos, especialistas destacam que a tecnologia não deve ser vista apenas como um problema. Quando bem orientada, ela pode ser uma ferramenta educativa e até social.
Projetos com jogos digitais, por exemplo, mostram que é possível desenvolver habilidades como:
O ponto central não é eliminar o uso das telas, mas sim estabelecer limites, contexto e acompanhamento.
Educação digital como caminho
Para reduzir impactos negativos, cresce a importância da educação midiática desde a infância. Isso inclui ensinar crianças a entender o uso das plataformas, reconhecer conteúdos de qualidade e desenvolver pensamento crítico.
Além disso, especialistas defendem que a responsabilidade também deve ser compartilhada com as plataformas digitais, que precisam criar ambientes menos voltados ao uso excessivo.
O uso de telas faz parte da realidade atual, mas seu excesso pode reduzir a criatividade e transformar o brincar infantil. Portanto, o desafio não é excluir a tecnologia, mas sim equilibrá-la com experiências reais, sociais e criativas.














