Pesquisa relaciona consumo de batata frita ao diabetes tipo 2
Estudo indica que o modo de preparo da batata pode influenciar o risco de diabetes tipo 2
Fala Ciência|Do R7

A batata costuma aparecer nas listas de alimentos associados ao aumento do açúcar no sangue. No entanto, uma nova pesquisa sugere que essa reputação pode não contar toda a história. Segundo um estudo de grande porte, o impacto desse alimento sobre o risco de diabetes tipo 2 parece depender muito mais da forma de preparo e dos alimentos que ocupam seu lugar na dieta do que da batata em si.
Publicada na revista científica The BMJ, a pesquisa liderada por Seyed Mohammad Mousavi (2025) analisou dados de mais de 200 mil adultos ao longo de quase quatro décadas. Os resultados apontaram uma diferença importante entre as batatas fritas e outras versões do alimento, como as cozidas, assadas ou em purê.
Preparo faz toda a diferença
Durante muitos anos, estudos associaram o consumo de batata a um maior risco de diabetes devido à sua elevada quantidade de amido e ao seu índice glicêmico relativamente alto.
Entretanto, os pesquisadores decidiram investigar uma questão frequentemente ignorada: será que todas as formas de consumir batata produzem os mesmos efeitos?
Os dados indicaram que não.
O consumo de três porções semanais de batata frita esteve associado a um risco aproximadamente 20% maior de desenvolver diabetes tipo 2. Já a ingestão da mesma quantidade de batatas preparadas de outras maneiras não apresentou uma associação estatisticamente significativa com a doença.
Esse resultado sugere que o método de preparo pode ter um papel muito mais relevante do que se imaginava anteriormente.
Quase 40 anos acompanhando a alimentação
Para chegar a essas conclusões, os cientistas utilizaram informações de mais de 205 mil profissionais de saúde dos Estados Unidos participantes de três grandes estudos prospectivos.
Ao longo do acompanhamento, que se estendeu de 1984 a 2021, os participantes responderam regularmente questionários detalhados sobre alimentação e estilo de vida.
Durante esse período, mais de 22 mil pessoas desenvolveram diabetes tipo 2, permitindo que os pesquisadores comparassem hábitos alimentares e desfechos de saúde ao longo do tempo.
Mesmo após ajustes para diversos fatores relacionados ao estilo de vida, a associação entre o consumo frequente de batatas fritas e o risco aumentado da doença permaneceu evidente.
Efeitos dos substitutos da batata
Outro aspecto interessante da pesquisa foi a análise dos alimentos utilizados para substituir as batatas.
Os resultados mostraram que trocar parte do consumo de batatas por grãos integrais esteve associado a uma redução no risco de diabetes tipo 2.
Entre os exemplos de grãos integrais estão:
Por outro lado, quando as batatas foram substituídas por arroz branco, a tendência observada foi oposta, com aumento da incidência de diabetes.
Esses achados mostram que avaliar um alimento isoladamente nem sempre é suficiente. Muitas vezes, os efeitos dependem do contexto alimentar como um todo.
A batata merece mesmo a má fama?
Além do estudo principal, um editorial publicado na própria revista The BMJ em 2025 destacou que as batatas não devem ser analisadas como um único grupo alimentar.
Batatas cozidas, assadas ou em purê continuam oferecendo nutrientes importantes, incluindo fibras, vitamina C e magnésio. Além disso, apresentam menor impacto ambiental em comparação com diversos outros alimentos.
Por isso, os pesquisadores sugerem que recomendações nutricionais considerem não apenas o alimento em si, mas também seu preparo e os alimentos utilizados como substitutos.














