Crises de pânico estão ligadas a alterações físicas no cérebro
Pesquisa com quase 5 mil pessoas revela diferenças estruturais no cérebro
Fala Ciência|Do R7

O transtorno do pânico é conhecido por provocar episódios intensos de medo, acompanhados de sintomas físicos como coração acelerado, falta de ar e sensação de perda de controle. No entanto, uma pesquisa de grande escala trouxe uma nova perspectiva: o impacto também aparece na estrutura do cérebro.
Publicado em janeiro de 2026 na revista científica Molecular Psychiatry, o estudo liderado por Laura K. M. Han analisou dados de 4.924 pessoas em diferentes países, tornando-se uma das maiores investigações já realizadas sobre o tema.
Os cientistas compararam indivíduos com diagnóstico de transtorno do pânico e pessoas sem a condição, buscando entender possíveis diferenças no funcionamento cerebral.
Um mapa mais detalhado do cérebro em crise
Os resultados mostraram alterações consistentes em regiões importantes do cérebro, principalmente áreas ligadas à emoção, memória e tomada de decisão.
Entre os principais achados, foram observadas:
• redução da espessura cortical em áreas frontais e temporais
• menor área de superfície cerebral em regiões específicas
• alterações em circuitos ligados ao processamento do medo
Essas mudanças apareceram em regiões chamadas fronto-temporo-parietais, que ajudam o cérebro a interpretar estímulos e controlar respostas emocionais.
Além disso, estruturas profundas também apresentaram diferenças importantes, como:
• tálamo, envolvido na comunicação entre áreas cerebrais
• núcleo caudado, ligado ao controle de comportamento e emoção
O papel da idade nas alterações cerebrais

Um dos pontos mais interessantes do estudo foi a relação entre idade e mudanças cerebrais.
Os pesquisadores observaram que as diferenças estruturais foram mais evidentes na fase adulta, especialmente entre 25 e 55 anos.
Por outro lado, em pessoas mais jovens e em idosos, essas diferenças apareceram de forma menos intensa, sugerindo que o cérebro responde de maneira diferente ao longo da vida.
Isso indica que fatores de desenvolvimento cerebral e envelhecimento podem influenciar como o transtorno do pânico se manifesta no cérebro.
Quando o início é precoce, o impacto é diferente
O estudo também analisou casos em que o transtorno começou cedo, antes dos 21 anos.
Nesses indivíduos, foi identificada uma característica específica: aumento dos ventrículos laterais, estruturas responsáveis por armazenar e circular o líquido cerebral.
Esse achado chamou atenção porque indica que o início precoce da condição pode estar associado a alterações distintas no desenvolvimento cerebral.
Apesar das mudanças identificadas, os pesquisadores não encontraram relação direta com fatores como uso de medicação, presença de outras doenças ou gravidade dos sintomas.
Isso sugere que as diferenças cerebrais observadas estão mais ligadas à própria condição do transtorno do pânico do que a fatores externos.
Na prática, os resultados ajudam a fortalecer a ideia de que o transtorno do pânico envolve não apenas sintomas emocionais e físicos, mas também alterações em circuitos cerebrais específicos, especialmente aqueles ligados ao medo e à resposta ao estresse.
Um avanço importante na compreensão do cérebro humano
A pesquisa publicada na revista Molecular Psychiatry em 2026 representa um dos maiores conjuntos de dados já analisados sobre transtorno do pânico.
Ao reunir quase cinco mil pessoas em diferentes centros ao redor do mundo, o estudo ajuda a construir uma visão mais clara sobre como o cérebro se comporta nessa condição.
Embora ainda existam muitas perguntas abertas, os achados indicam que o transtorno do pânico está associado a diferenças reais na estrutura cerebral, especialmente em redes responsáveis por emoção, atenção e resposta ao perigo.













