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Dispositivo brasileiro monitorou sono de astronautas durante missão da Artemis 2

Tecnologia nacional monitora sono e desempenho de astronautas em missões espaciais

Fala Ciência

Fala Ciência|Do R7

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Tripulantes da Artemis II ajustam câmeras antes de observar o lado oculto lunar (Imagem: NASA) Fala Ciência

A exploração espacial moderna depende não apenas de avanços em engenharia, mas também de soluções capazes de proteger a saúde humana fora da Terra. Nesse contexto, uma tecnologia desenvolvida pelo engenheiro brasileiro Rodrigo Trevisan Okamoto ganhou destaque ao ser utilizada recentemente pelos astronautas da missão Artemis II, da NASA.

O dispositivo, conhecido como actígrafo, foi projetado para monitorar em tempo real aspectos fundamentais do funcionamento do corpo humano em ambientes extremos. Em missões espaciais, onde fatores como luz, gravidade e rotina são completamente alterados, esse tipo de acompanhamento é essencial para garantir segurança e desempenho.


  • Monitoramento dos ciclos de sono e vigília;
  • Registro da atividade física diária;
  • Análise da exposição à luz;
  • Medição da temperatura corporal;
  • Coleta contínua de dados fisiológicos.

O desafio silencioso: o corpo humano fora do ritmo da Terra


Um dos principais problemas enfrentados por astronautas é a desregulação do ciclo circadiano, o relógio biológico que regula funções como sono, metabolismo e atenção. Na Terra, esse sistema é sincronizado pela alternância natural entre dia e noite. No espaço, essa referência praticamente desaparece.

Durante a missão Artemis II, os tripulantes enfrentaram condições de luminosidade variáveis, muitas vezes artificiais, o que pode afetar a produção de melatonina, hormônio responsável pelo sono. Como consequência, surgem quadros de fadiga, redução do desempenho cognitivo e maior risco operacional.


Durante observação lunar, tripulação da Artemis II pausa para selfie dentro da Orion (Imagem: NASA) Fala Ciência

O actígrafo brasileiro atua justamente nesse ponto, registrando padrões de movimento e exposição luminosa para mapear com precisão os períodos de descanso e atividade.

Tecnologia de alta precisão para entender o sono no espaço


O diferencial do equipamento está na integração de múltiplos sensores. Além de captar movimentos, ele analisa a chamada luz melanópica, associada à faixa azul do espectro, que influencia diretamente o estado de alerta do cérebro.

Outro aspecto relevante é o monitoramento da temperatura corporal, que sofre variações naturais durante o sono. Essa combinação de dados permite uma leitura mais completa do estado fisiológico dos astronautas, mesmo em um ambiente onde os sinais externos são limitados.

Essas informações são fundamentais para pesquisas em cronobiologia, área científica dedicada ao estudo dos ritmos biológicos, e ajudam a entender como o organismo reage à microgravidade e ao isolamento.

Da pesquisa científica ao espaço profundo

O desenvolvimento do actígrafo teve origem em estudos acadêmicos voltados à compreensão do sono e dos ritmos biológicos. Com o avanço da tecnologia, o dispositivo evoluiu para um equipamento de alta precisão, hoje utilizado em pesquisas científicas e aplicações clínicas em diversos países.

Sua presença na missão Artemis II representa um passo importante na integração entre ciência e exploração espacial. Os dados coletados devem contribuir para o planejamento de futuras missões, incluindo viagens de longa duração, onde o equilíbrio fisiológico será ainda mais crítico.

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