23 mil presidiários no Egito farão greve de fome
Medida é para revisar prisões desde a queda do governo Morsi
Internacional|Ansa
A Irmandade Muçulmana anunciou nesta sexta-feira (30) que "mais de 23 mil presidiários do Egito farão uma greve de fome como sinal de protesto contra as suas próprias prisões".
O anúncio foi feito através do site da Irmandade, o Ikhwan. Os membros desse grupo agem na clandestinidade desde dezembro de 2013, após uma série de atentados no país na época do golpe de Estado contra Mohamed Morsi.
O protesto ocorre há apenas dois dias da eleição de Abdel Fattah al-Sisi para presidente do país, com 97% dos votos. Ainda de acordo com a nota no site, "os detentos evitarão também sair em sua hora diária de sol, de receber visitas ou de comparecer perante aos tribunais".
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A Irmandade também divulgou que a greve tem como objetivo "o fim imediato de tortura nas prisões" e pede a "formação de uma comissão judicial para a revisão de todos os processos daqueles que foram presos a partir do dia 3 de julho de 2013 até hoje". A data escolhida é a seguinte ao golpe de Estado.
A Aliança dos Centros de Direitos Humanos egípcia informou que recebeu cerca de cinco mil mensagens de familiares dos presos que declararam participação na greve que durará uma semana em 114 presídios espalhados por 24 estados.
A entidade também afirmou que elaborará equipes médicas que verificarão o estado de saúde dos grevistas e farão interferências em caso de necessidade.
Alerta máximo de segurança Fontes de segurança do aeroporto do Cairo decretaram o estado de alerta máximo no caso de ações da Irmandade Muçulmana após a eleição de al-Sisi. Além do aeroporto, também foram colocados veículos blindados em áreas administrativas. Segundo o portal Ahram, a Irmandade ameaçou fazer "uma nova onda de caos no país".
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