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"A situação é de desespero", diz brasileira em Miami

Raphaela Alencar conta que Orlando enfrenta falta de água e de gasolina

Internacional|Karla Dunder do R7

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A brasileira Patricia Magalhães não conseguiu deixar Miami, na Florida, nesta semana. A cidade está na rota do furacão Irma, que caiu para categoria 4, mas é considerada a tempestade mais forte a atingir os Estados Unidos neste século. O prefeito do condado de Miami, Carlos A. Gimenez, exigiu que a cidade fosse obrigatoriamente evacuada por uma questão de segurança.

Embora a ordem expressa pelo governo fosse deixar Miami, alguns moradores não conseguiram sair da cidade e deixar suas casas, como a chef confeiteira Patrícia Magalhães, o marido Rafael Magalhães e a filha de apenas 1 ano e meio. Veja o depoimento que ela deu ao R7 neste sábado (9):


“Eu tinha um vôo marcado para Nova York na sexta-feira às 15h30 da tarde. Até terça-feira, eu estava tranquila que conseguiria sair com a minha filha, só meu marido ficaria aqui. A gente mora no centro de Miami, bem perto da água. Mas na quinta pela manhã meu vôo foi cancelado. A gente conversou bastante e resolveu ficar em Miami.

Assim que a anunciaram que o olho do furacão passaria em cima de onde eu moro, isso foi na terça-feira, eu fui ao supermercado e estava uma loucura! Saí sem água porque a fila rodava o mercado inteiro! Nesse dia, eu comprei comida, leite em pó para me prevenir. Na própria terça alguns voos começaram a ser cancelados e fiquei com medo de não medo de não comprar leite para a minha filha e depois cancelarem meu voo em cima da hora, como aconteceu. No dia seguinte, eu comprei água. Abasteci a minha casa com o suficiente para uma semana.


Nós moramos em um prédio que as janelas são preparadas para um furacão que aguenta até categoria 4. Temos três planos:

A – ficar dentro do apartamento.


B – seguir para o corredor.

C- Ir para a escada.


A escada do prédio parece um bunker de guerra. Se ficássemos ali, com certeza nada iria acontecer. A preocupação maior seria o alagamento. Ficar ilhado aqui, sem luz, sem nada. O gerador do meu prédio fica ligado até 5 dias caso falte energia. Tem luz no corredor e tomada ali. Nossa intenção é ficar no corredor até passar tudo.

Na área que estou, a evacuação foi mandatória e o governo avisa quem ficar, não contará com ajuda. Se você passar mal, eles não voltam para te ajudar. A gente tenta ficar calmo, mas é muito tenso. Realmente muita gente saiu, mas no meu prédio umas 50 pessoas ficaram. 

Foto de Patricia Magalhães mostrando Miami vazia
Foto de Patricia Magalhães mostrando Miami vazia

O governo orienta que as pessoas procurem um abrigo. Eu me sinto mais segura aqui no meu prédio. Mas quem mora em casa, não tem condições de ficar. Tenho amigas que estão viajando a dias e ainda estão procurando um lugar. O furacão é muito incerto, a rota muda a cada momento o que torna tudo ainda mais complicado. Enquanto não passar, a gente fica nessa preocupação, nessa tensão. Não tem jeito.

Realmente, a situação é de desespero, você não sabe o que esperar. Até ontem, a gente estava super tenso porque o olho do furacão seria aqui. Agora, de acordo com as últimas notícias, vamos pegar a ‘beirada’. No momento, não temos previsão de corte de energia, mas tudo é muito incerto e pode mudar. Por ser tão imprevisível você fica nessa tensão.”

Pessoas que tiveram de deixar suas casas seguiram para o centro da Flórida, para as cidades de Orlando e Kissimmee. A empresária Raphaela Alencar que mora na região fala sobre a expectativa da chegada do Irma:

“Nós recebemos informações diariamente, a cada minuto, o que faz com que a gente cumpra alguns procedimentos básicos como armazenamento de comida e água. Há quatro dias eu tentei estocar água, mas todos os mercados aqui da redondeza até fora da cidade já não tinham mais água à venda. Segui um novo procedimento que é ferver a água e estocar. Informação como proceder não falta.

Raphaela está em Orlando, à espera do furacão
Raphaela está em Orlando, à espera do furacão

Na região onde estamos, uma área mais central da península, temos boas notícias de que não teremos uma tempestade tão forte, dificilmente tem a expectativa que o furacão destrua a cidade como foi no Caribe. 

Quem estava na costa, já com a previsão de que o furacão não passaria pelo centro, e com mandado de evacuação imediata de Florida Keys e de grande parte de Miami, muitas pessoas vieram para cá: Kissimmee e Orlando. Tivemos muito movimento, aqui todos os hotéis estão ocupados. Conforme os dias foram passando, com novas atualizações e novas rotas do furacão, muita gente deixou a Flórida seguindo para outros estados. A cidade está cheia, embora muita gente já tenha saído — o engarrafamento foi grande e já falta de gasolina.

A Flórida foi colocada em estado de emergência. Temos muitas previsões e poucas certezas."

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