Acordo com Irã é celebrado por comunidade internacional
Internacional|Do R7
Redação Internacional, 24 nov (EFE).- A maior parte da comunidade internacional cumprimentou neste domingo o acordo nuclear provisório assinado em Genebra entre Irã e a principais potências, mas se destacou a rejeição do governo de Israel, que o chamou de "erro histórico". O primeiro a expressar sua satisfação foi o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que disse se tratar de um "grande acordo" que "deixa o mundo mais seguro". Obama confirmou que o Irã congelará durante os próximos seis meses seu controvertido programa nuclear para que seja "completa e exclusivamente para fins pacíficos". "Pela primeira vez em quase uma década, freamos o avanço do programa nuclear iraniano, e as partes envolvidas do programa se verão acalmadas", disse o líder em um discurso na Casa Branca. O líder supremo da República Islâmica do Irã, aiatolá Ali Khamenei, felicitou o governo do novo presidente, Hassan Rohani, que, por sua vez, qualificou de "sucesso" o pacto nuclear, alcançado em troca de um alívio parcial das sanções internacionais que asfixiam há meses a debilitada economia nacional. Rohani se mostrou disposto a dissipar "todas as dúvidas" que o mundo tem sobre o programa nuclear iraniano e afirmou que a negociação para um acordo final começará "imediatamente", mas também ressaltou que o acordo representa o reconhecimento internacional do direito do Irã de enriquecer urânio em seu território. A nota dissonante foi do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que mostrou sua enérgica rejeição e tachou o pacto de "um erro histórico", porque a comunidade internacional "pela primeira vez aceitou o enriquecimento de urânio pelo Irã". "O que se estipulou em Genebra não é um acordo histórico, mas um erro histórico. Hoje o mundo se transformou em um lugar muito mais perigoso", disse Netanyahu, para quem o acordo põe em perigo muitos países, incluindo Israel. Horas depois o próprio Kerry respondeu garantindo que "Israel está agora mais segura". A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) considerou o acordo como "um importante passo adiante" e se declarou pronta para verificar seu cumprimento, disse o diretor desta agência da ONU, Yukiya Amano. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, declarou, por sua vez, que o que se decidiu em Genebra "poderia se transformar no início de um acordo histórico" no Oriente Médio. E pediu aos países interessados que façam todo o possível para "criar confiança mútua e continuar as negociações para estender o alcance deste acordo inicial". De Bruxelas o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, qualificou o pacto como um "passo decisivo para a segurança global e a estabilidade", e o chefe do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, disse que "reduzirá tensões políticas e ajudará a construir confiança e apoio à promoção da não-proliferação de armas de destruição em massa". "É um passo importante tanto para o Irã como para o resto da comunidade internacional, em oferecer garantias que demonstrem a natureza pacífica do programa nuclear iraniano. Resolver esta questão de maneira efetiva terá efeitos significativos em nível regional e global", indicou. O líder russo, Vladimir Putin, aplaudiu este "passo decisivo" para "se aproximar da solução de um dos problemas mais complexos da política mundial", mas advertiu que é "só o primeiro de um longo e complexo caminho". O Kremlin assinalou que o acordo representa um "ganho para todos", mostra que "prevaleceu o bom senso" e ajudará a "superar a perigosa tendência dos últimos anos, quando se tentou resolver pela força situações conflituosas e de crise no Oriente Médio". O primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, afirmou que o acordo selado em Genebra deixa o Irã "mais longe de obter armas nucleares" e "demonstra como podem ser persistentes a diplomacia e as duras sanções que nos permitem avançar em nossos interesses nacionais". "O bom avanço sobre o Irã está longe do final, mas é uma amostra que a pressão funciona. Continuaremos aplicando as sanções com firmeza para conseguir um acordo final e completo que responda as preocupações da comunidade internacional", disse. O chefe da diplomacia britânica, William Hague, destacou que o acordo "demonstra que é possível trabalhar com o Irã" e acrescentou que agora começa "o duro trabalho de aplicar e construir o acordo". "O acordo com o Irã é bom para o mundo inteiro, incluídos os países do Oriente Médio e os próprios habitantes do Irã", reforçou Hague, mas admitiu as "preocupações legítimas" de Israel, pois o "Irã tem um histórico de não revelar a verdade sobre seu programa nuclear ao resto do mundo". Para o presidente francês, François Hollande, o estipulado em Genebra é um "passo importante na boa direção" que "respeita as exigências levantadas pela França", enquanto para o alemão, Guido Westerwelle, "marca um ponto de inflexão" e representa um "avanço decisivo" em direção ao objetivo comum de "impedir o armamento atômico iraniano". O Egito qualificou de "satisfatório" o acordo e expressou sua confiança de que se alcance um pacto "permanente". A Síria felicitou os iranianos por esta "conquista histórica que reafirma o importante papel do Irã na segurança e na estabilidade da região". Já a Autoridade Nacional Palestina ressaltou que os resultados de Genebra transmitem a Israel a mensagem de que "a paz no Oriente Médio é inevitável" e contribuem para que a região seja livre de armas nucleares. EFE int-alf/cd











