Acordo de paz entre rebeldes e governo da RDC é suspenso por tempo indefinido
Internacional|Do R7
Campala, 11 nov (EFE).- A assinatura do acordo de paz entre o grupo rebelde M23 e o governo da República Democrática do Congo (RDC) foi suspenso indefinidamente nesta segunda-feira após o Executivo africano exigir uma revisão. O porta-voz do governo de Uganda, Ofwono Opondo, anunciou o adiamento do tratado aos jornalistas após um encontro para o qual a delegação congolesa se apresentou com notável atraso. Depois de chegar, os representantes da RDC solicitaram uma cópia do documento e exigiram uma revisão de seus pontos antes de concordar em assiná-lo. Aparentemente, uma das principais "divergências" está na nomenclatura do texto, já que o Executivo congolês é contrário à definição de "acordo", segundo a "Radio Okapi", emissora ligada à ONU. O abandono das armas por parte do grupo rebelde se deveu à vitória do Exército da RDC, motivo pelo qual o tratado deveria ser chamado de "proclamação" de paz. O acordo, suspenso indefinidamente, devia ser o fim oficial da luta armada após mais de um ano e meio de combates que deram origem a centenas de milhares de refugiados. Os rebeldes do Movimento 23 de Março anunciaram a desistência do uso de armas no dia 5 de novembro por meio de um comunicado oficial emitido por seu líder político, Bertrand Bisimwa. O fim da rebelião se deu após uma ofensiva militar de grande escala promovida pelo Exército para retirar os insurgentes de suas últimas fortificações, localizados na conflituosa província oriental de Kivu do Norte. O governo congolês celebrou o fim das hostilidades como uma "vitoria militar inegável" e garantiu que assinaria a paz "cinco dias depois" de certificar a seriedade do compromisso dos rebeldes. O M23 foi formado no dia 4 de abril de 2012, quando 300 soldados das Forças Armadas da RDC se rebelaram por supostos descumprimentos do acordo de paz do dia 23 de março de 2009, que dá nome ao movimento, e pela perda de poder de seu líder, Bosco Ntaganda, conhecido como "Terminator", e que atualmente responde a um processo do Tribunal Penal Internacional (TPI) por crimes de guerra. No dia 20 de novembro, o grupo tomou a estratégica cidade de Goma, capital de Kivu do Norte (província fronteiriça com Ruanda e rica em minerais), o que motivou o deslocamento de centenas de milhares de pessoas. A RDC está imersa ainda em um frágil processo de paz após a segunda guerra do Congo (1998-2003), que envolveu também outros países africanos. EFE cm-jmc/apc-rsd













