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Acordo entre Brasil e China protagoniza cúpula dos Brics

Internacional|Do R7

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Marcel Gascón. Durban (África do Sul), 26 mar (EFE).- O acordo de troca de divisas fechado por Brasil e China protagonizou nesta terça-feira o primeiro dia da quinta cúpula anual do grupo Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), dedicado às relações bilaterais de seus membros. O acordo tem um valor de R$ 60 bilhões (190 bilhões de yuans ou cerca de US$ 30 bilhões), informou o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, na cidade sul-africana de Durban, que recebe a reunião das cinco potências emergentes. "O objetivo é facilitar o comércio dos dois países independentemente das condições financeiras internacionais", explicou Tombini. O pacto tem uma vigência de três anos e protegerá as trocas comerciais entre as duas economias das oscilações do dólar e das turbulências financeiras internacionais. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, assegurou aos jornalistas que, junto com seus colegas dos Brics, proporá aos presidentes de seus países um acordo cambial do mesmo tipo e de caráter multilateral entre todos os membros. Na intensa rodada de contatos bilaterais que marcou a primeira jornada da cúpula, o presidente sul-africano e anfitrião da cúpula, Jacob Zuma, se reuniu hoje com a presidente Dilma Rousseff e os líderes da China, Xi Jinping; e da Rússia, Vladimir Putin. Por sua parte, a presidente Dilma fez o mesmo com o primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh. Além disso, Dilma despachará amanhã com o presidente da China, o maior parceiro comercial do Brasil, informaram à Agência Efe fontes da delegação brasileira. Pendente para amanhã, último dia da reunião, fica também o que continua sendo objetivo prioritário dos Brics na reunião de Durban: a criação de um banco próprio de desenvolvimento, que concretize a alternativa financeira global proposta pelo grupo. A expectativa é que os cinco membros emitam na quarta-feira uma declaração conjunta sobre a criação da instituição, que serviria de contrapeso ao Banco Mundial e ao Fundo Monetário Internacional que os Brics consideram controlados em excesso pela Europa e pelos Estados Unidos. Questões como a tomada de decisões e a contribuição de cada membro estão ainda por decidir, o que previsivelmente evitará amanhã o lançamento do banco, antecipou o ministro de Finanças russo, Anton Siluanov, citado pela agência de notícias sul-africana "Sapa". A criação de um fundo conjunto de reservas de divisas estrangeiras será outro dos temas sobre a mesa, assim como o estabelecimento de um centro de estudos próprio e de um conselho de negócios dos Brics. Além disso, os investimentos dos Brics no continente africano serão outro dos assuntos que serão abordados amanhã na cúpula, cujo lema é "A associação dos Brics e da África para o desenvolvimento, a integração e a industrialização". O ministro de Comércio e Indústria sul-africano, Rob Davies, destacou hoje a importância das relações econômicas entre os cinco e o continente, durante seu discurso perante empresários de todos os países-membros no Fórum de Negócios dos Brics. "O continente africano está reconhecido como o segundo que mais cresce depois da Ásia", lembrou Davies, que citou a necessidade de infraestrutura como um dos atrativos para investir na África nesta época de crise econômica na Europa e nos EUA. Segundo um estudo do Standard Bank, o comércio dos países do Brics com o continente africano se elevou no ano passado até os US$ 340 bilhões, superando amplamente o número da troca entre as cinco economias do bloco. Por outro lado, a organização pró-direitos humanos Human Rights Watch (HRW) aproveitou hoje a reunião de Durban para pedir aos Brics que exijam ao regime sírio a "cessação imediata" da violência "indiscriminada" contra civis. Em comunicado, a HRW pediu que Índia, Brasil e África do Sul "pressionem" Rússia e China - que mantêm boas relações com Damasco - "suspendam a venda de armamento e a assistência ao governo sírio". Os países do Brics representam 42% da população mundial e cerca de 45% da força de trabalho que existe no planeta, segundo dados do grupo. Em 2012, além disso, Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul somaram 21% do Produto Interno Bruto mundial e o comércio entre eles chegou a um total de US$ 282 bilhões. EFE mg/rsd (foto)

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