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Alto desemprego de jovens na Espanha "é uma emergência sanitária", diz OMS

Internacional|Do R7

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Londres, 30 out (EFE).- O alto desemprego de jovens na Espanha "é uma emergência sanitária" que, se não for resolvido, terá consequências para futuras gerações, afirmou nesta quarta-feira em Londres o autor de um estudo para a Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre as desigualdades de saúde na Europa, Michael Marmot. Diretor do Instituto de Igualdade Sanitária da University College de Londres, Marmot ressaltou que o governo espanhol deve introduzir medidas de proteção social para evitar a deterioração da geração jovem, que enfrenta o risco de problemas mentais e uma taxa de mortalidade mais alta. "É urgente promulgar políticas econômicas e sociais que deem a estas pessoas um futuro", disse o acadêmico, que em sua apresentação mostrou uma foto de indignados se manifestando nas ruas de Madri. Estas medidas incluiriam, segundo Marmot, o incentivo ao emprego com formação e acesso adequado a práticas assim como a garantia de renda para os desempregados através de ajudas sociais. "Me preocupa que as medidas de austeridade impostas a Espanha, Grécia e Portugal estejam aumentando o desemprego entre a população jovem", disse o acadêmico, que ofereceu à Espanha uma receita para prevenir males maiores. "O governo espanhol deve enfrentar a troika (Banco Central Europeu, Comissão Europeia e Fundo Monetário Internacional) e dizer que deixe de impor medidas que prejudiquem a sua população", declarou. "Com 52% de desemprego entre jovens, o mais alto da Europa, a Espanha enfrenta uma emergência sanitária", declarou Marmot. A falta de emprego, argumentou, "é muito nociva para a saúde", com o efeito a curto prazo de "problemas de saúde mental" assim como um maior índice de distúrbios sociais. A longo prazo, os desempregados sofrem "mais problemas físicos de saúde", até o ponto em que os desempregados têm "um taxa de mortalidade 20% mais alta" que as pessoas empregadas. Os suicídios, "que são a ponta do iceberg", aumentam de maneira proporcional ao desemprego, disse o especialista. No caso dos jovens, a falta de emprego nessa faixa de idade "diminui suas perspectivas de uma vida melhor no futuro, o que por sua vez repercutirá em seus filhos, que nascerão na pobreza ou com menos oportunidades". Segundo o relatório apresentado hoje em Londres, "todos os países da Europa, ricos ou pobres, podem tomar medidas para melhorar a saúde de suas populações, pois é uma questão de prioridade". "Uma pequena intervenção nos primeiros anos de vida de uma criança, para melhorar seu acesso à educação e a um estilo de vida são, pode ter um grande efeito, pois essa pessoa se desenvolverá melhor em anos posteriores", argumentou a diretora para a Europa da OMS, Zsuzsanna Jakab. O relatório da OMS analisa as desigualdades de saúde entre 53 países europeus e sugere iniciativas que os governos possam aplicar para reduzir o problema, como a diminuição da pobreza infantil, a melhora da educação sanitária ou um sistema público de saúde de qualidade. EFE jm/id

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