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Testes nucleares da Coreia do Norte podem ter causado mais de 1.300 terremotos; entenda

Estudo analisou registros de ondas sísmicas coletados entre 2008 e 2025 para investigar os efeitos das detonações realizadas pelo país

Internacional|Do R7

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Mais de 1.300 terremotos ocorreram na região do Monte Mantap após testes nucleares da Coreia do Norte desde 2017.
  • Estudo da Universidade Nacional de Pusan e da Universidade de Tecnologia de Chengdu analisou registros sísmicos entre 2008 e 2025.
  • A sexta explosão nuclear em 2017 foi a mais potente, causando um terremoto de magnitude 6,3 e colapso de estrutura subterrânea.
  • Atividade sísmica prolongada pode ser causada por reativação de falhas geológicas e aumento da pressão de fluidos nas fraturas.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Regime de Kim Jong-un vem investindo no poderio nuclear da Coreia do Norte KCNA

A região onde a Coreia do Norte realiza testes nucleares vem registrando uma atividade sísmica incomum desde a última explosão atômica do país, em 2017. Um estudo publicado na revista Science aponta que mais de 1.300 terremotos ocorreram nas proximidades do Monte Mantap desde então, com frequência e intensidade crescentes ao longo dos anos.

A pesquisa foi conduzida por cientistas da Universidade Nacional de Pusan, na Coreia do Sul, e da Universidade de Tecnologia de Chengdu, na China. O grupo analisou registros de ondas sísmicas coletados entre 2008 e 2025 para investigar os efeitos das seis detonações nucleares realizadas pela Coreia do Norte em túneis subterrâneos de Punggye-ri.


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Os pesquisadores identificaram cerca de 60 terremotos nos anos posteriores ao primeiro teste nuclear, realizado em 2006. A ocorrência de tremores aumentou, especialmente depois do terceiro teste, em 2013, mas foi após a explosão de 2017 que o padrão mudou de forma mais acentuada.

Atividade aumentou após o maior teste

A sexta e última detonação norte-coreana foi também a mais potente realizada pelo país. A CNN aponta que a explosão de 2017 teve potência estimada em 160 quilotons e provocou um terremoto de magnitude 6,3. O episódio também teria provocado o colapso de uma estrutura no complexo subterrâneo, possivelmente um dos túneis utilizados nos testes.


Antes de 2017, os tremores associados aos testes nucleares costumavam desaparecer relativamente rápido. O novo estudo, porém, identificou um comportamento diferente depois da sexta explosão: a atividade sísmica continuou por anos e aumentou em frequência e magnitude até 2025.

A maior parte dos terremotos identificados teve magnitude entre 2 e 3 e ocorreu em profundidades relativamente rasas. Os pesquisadores acreditam que as explosões subterrâneas possam ter reativado falhas geológicas antigas existentes na região do Monte Mantap.


Para Kwang-Hee Kim, professor da Universidade Nacional de Pusan e principal autor do estudo, a possibilidade de uma dessas falhas voltar a se movimentar merece atenção e que um terremoto de magnitude de até 6,4 poderia ocorrer caso a zona de falha identificada pelos pesquisadores se torne ativa.

A explicação para a atividade prolongada ainda não é definitiva. Uma das hipóteses levantadas por especialistas é que as explosões tenham provocado fraturas na rocha e criado novos caminhos para a circulação de água subterrânea. O aumento da pressão dos fluidos nas fraturas poderia facilitar o deslocamento de falhas já existentes.


A professora Sunyoung Park, da Universidade de Chicago, que não participou do estudo, afirmou à CNN que os resultados são surpreendentes porque terremotos desencadeados por testes nucleares normalmente diminuem após a perturbação inicial. Ela destacou que atividades sísmicas provocadas por ações humanas podem, em determinadas circunstâncias, persistir durante períodos prolongados.

Os autores também ressaltam que o número real de terremotos pode ser maior, já que a análise considerou apenas eventos detectados por múltiplas estações de monitoramento. Além disso, os pesquisadores não tiveram acesso direto ao complexo de Punggye-ri nem aos dados sísmicos coletados dentro da Coreia do Norte.

O estudo não encontrou evidências de que Pyongyang tenha realizado novos testes nucleares desde 2017. A principal preocupação apontada pelos pesquisadores está nos efeitos de longo prazo que as explosões subterrâneas podem ter provocado na estrutura geológica da região.

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