Logo R7.com
RecordPlus

Rússia está intensificando seus ataques contra a Europa, e risco de um passo em falso cresce a cada dia

Otan enfrenta desafios em adaptar-se a essas novas ameaças, enquanto governo russo aumenta a pressão

Internacional|Nick Paton Walsh, da CNN Internacional

  • Google News

Adicione como fonte preferencial no Google

Opens in new window

LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A Rússia intensificou ataques na Europa, sem iniciar uma guerra aberta, visando provocar e alarmar sem mudanças reais.
  • Os incidentes incluem ataques com drones e sabotagens em vários países europeus, testando a resposta da Otan.
  • Os objetivos de Putin são aumentar o custo de apoio à Ucrânia e testar o Artigo 5 da Otan.
  • A Otan enfrenta desafios para se adaptar às novas táticas russas, enquanto a possibilidade de um erro de cálculo russo cresce.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Objetivos de Putin são aumentar o custo do apoio europeu à Ucrânia Sputnik/Vyacheslav Prokofiev/Pool via Reuters - 17.09.2026

É uma estratégia construída em torno de uma contradição. Os ataques da Rússia contra a Europa têm como objetivo fazer com que a guerra pareça mais próxima, sem de fato iniciá-la.

Provocar, sem forçar uma resposta. Alarmar, sem causar uma mudança real de comportamento.


Moscou escalou de maneira palpável seu conflito de “zona cinzenta” com a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) na Europa na última semana.

Veja Também

Desde o final de domingo (13), uma ferrovia na qual viajavam ex-altas autoridades ocidentais foi atacada por um drone russo; outro drone de provável origem russa foi abatido na Lituânia, um terceiro foi parar nas costas polonesas, um helicóptero dinamarquês quase foi atingido por um sinalizador russo e trens holandeses foram paralisados por um ato de sabotagem ainda não reivindicado.


Nada disso ocorre por acaso. E acontece após semanas de alertas de que Moscou buscaria uma escalada com a Otan – mas talvez não porque busque ou possa bancar um conflito aberto com a maior aliança militar da história.

Em vez disso, o presidente russo, Vladimir Putin, tem dois objetivos, impulsionados por um governo Trump relutante em contrariá-lo, tendo meio mandato restante, e com as defesas aéreas da Ucrânia em um estado lamentavelmente desabastecido.


O primeiro é fazer com que o custo de apoiar a Ucrânia pareça real e crescente, pesando na mente dos eleitores europeus à medida que partidos de direita pró-Rússia disputam o poder eleitoral em vários países da região.

O segundo é testar o Artigo 5 – o pilar da aliança da Otan, no qual um ataque a um membro é um ataque a todos, e o pesadelo histórico de Putin.


Não haja dúvidas: a Rússia está saindo impune de sabotagens, violações de fronteiras e planos de assassinato que, na Guerra Fria, teriam desencadeado uma angústia existencial. Agora, isso parece trivial.

Como me disse um diplomata europeu: “O que está acontecendo agora teria acionado o Artigo 4 da Otan há apenas alguns meses”, referindo-se à cláusula do tratado da aliança que convoca uma reunião de emergência diante de uma crise.

“Agora, está se tornando quase uma ocorrência diária”. Falando sob condição de anonimato para discutir um assunto sensível, o diplomata acrescentou que o objetivo da Rússia era “assustar a Europa para que ela deixe de apoiar a Ucrânia” e “jogar com o medo da escalada”.

O maior problema da Otan é que este provavelmente não é o auge da hostilidade russa, mas sim os disparos iniciais.

Um acordo de paz parece mais do que distante, com os EUA ineficazes em sua pressão e Putin claramente determinado no objetivo de tomar a região leste de Donbas e, talvez depois, mais partes da Ucrânia.

E, embora o terrível desperdício russo de capital humano em ataques de infantaria de “onda de carne” na linha de frente limite um pouco suas ambições, o complexo militar-industrial do Kremlin está fornecendo opções novas e reais: uma forma barata e altamente eficaz de poder aéreo que seus adversários lutam para combater e que a Rússia pode produzir em massa cada vez mais.

Os drones Geran 4 e 5 da Rússia são equipados com motores turbojato de fabricação chinesa, que custam cerca de US$ 40 mil (cerca de R$ 206 mil, na cotação atual), de acordo com autoridades ucranianas e reportagens da imprensa, com cada dispositivo sendo comercializado por cerca de US$ 70 mil (cerca de R$ 360 mil, na cotação atual).

O míssil de cruzeiro Banderol pode atingir velocidades de 603,5 km/h e, segundo relatos, pode custar apenas US$ 100 mil (cerca de R$ 515 mil, na cotação atual).

Tudo o que falta a essas armas em termos de acabamento ou precisão é compensado pelo puro volume.

E, novamente, Moscou está apenas começando, com sua fábrica de drones em Alabuga adaptando-se rapidamente para inundar as linhas de frente e além com essa nova ameaça.

A produção é a chave. A Dra. Marina Miron, do Departamento de Estudos de Defesa do King’s College de Londres, disse que “a adaptação quando se trata de produção, cadeias de suprimentos, logística e doutrina” era uma parte vital de qualquer estratégia, mesmo que gerasse menos manchetes do que a integração da IA no reconhecimento e ataque do campo de batalha da Ucrânia e da Rússia.

“E ambos os lados estão tentando se adaptar e inovar para tirar proveito de uma janela curta… enquanto o adversário projeta contramedidas” para impedir os novos avanços, disse ela.

“A Otan está muito atrasada no que diz respeito à prontidão para lidar com essas mudanças”, acrescentou Miron. “Não se trata apenas de construir defesas contra drones… [mas] de repensar toda a doutrina”. Ela afirmou que, idealmente, a Otan não deveria copiar a Ucrânia ou a Rússia, mas sim adaptar-se às “lições de ambos os lados”.

Miron disse que a probabilidade de uma guerra convencional era “baixa”, mas que o que a Otan “estaria enfrentando seriam ‘eventos’ abaixo do limite, como testemunhamos na Polônia, Romênia, Dinamarca, etc.”.

Nesta crise iminente, parte do desafio para os membros da Otan é como transmitir ao seu público a gravidade da ameaça que agora enfrentam continuamente, sem causar pânico e conceder uma vitória psicológica a Moscou.

É um equilíbrio quase impossível de alcançar. Um quase ataque com drone em um aeroporto alemão, um míssil balístico caindo em campo aberto na Polônia, planos de assassinato alegados em acusações formais apresentadas no Distrito Sul de Nova York.

A lista cresce desde o final do verão, assim como sua letalidade potencial e alcance geográfico.

Moscou pode estar mais bem preparada para esse tipo de dança precária. Uma alta autoridade europeia disse que a mentalidade russa estava mais bem ajustada do que a da Otan para uma escalada errática. “Os russos teorizam desde os tempos soviéticos o ajuste flexível do poder e da agressão”, observou. “Para a Otan, a gestão da escalada dessa forma é algo mais novo. Portanto, há coisas para a Otan aprender”.

Ele acrescentou: “Reagir exageradamente não ajuda, mas oferecer a outra face também não”.

Em algum momento, Moscou cometerá um erro de cálculo, ultrapassará os limites e obrigará um membro da Otan a responder com força de alguma maneira.

Não é sem precedentes: na Síria, um ataque em 2018 contra posições dos EUA por mercenários russos do grupo Wagner provocou uma resposta militar feroz dos EUA. Também não devemos esquecer que armas e inteligência de membros europeus da Otan estão ajudando a Ucrânia diariamente a atingir a Rússia.

Trata-se frequentemente de armamentos comprados e fornecidos pela Otan, mas com os ucranianos puxando o gatilho. Moscou – em sua perspectiva distorcida como invasora – talvez sinta como se estivesse revidando.

Mas, quando o passo em falso da Rússia acontecer, o salto no confronto que isso trará será algo para o qual as forças armadas e a população da Otan não estão preparadas. E isso parece estar mais próximo a cada dia.

Search Box

Fique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da RECORD, no WhatsApp

Siga R7 no Google e fique por dentro de tudo que acontece

Seguir no Google

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.