Ameaça à segurança levou CIA a tirar espião da Rússia. Entenda
De acordo fontes consultadas pela emissora CNN, a categoria do espião era tamanha que ele fornecia à CIA imagens de documentos da mesa de Putin
Internacional|Da EFE, com R7

A CIA (Agência Central de Inteligência) dos Estados Unidos retirou o espião de mais alta categoria na Rússia em 2017, meses após a chegada de Donald Trump à Casa Branca, por considerar que a segurança dele havia ficado comprometida, segundo informações da mídia americana divulgadas na segunda-feira (9).
Washington recrutou o informante décadas atrás, quando ele era um funcionário médio no Kremlin, mas com o passar dos anos, ascendeu até ter uma posição influente, com acesso frequente ao presidente russo, Vladimir Putin, e a tomada de decisões.
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De acordo fontes consultadas pela emissora CNN, a categoria do espião era tamanha, que ele inclusive fornecia à CIA imagens de documentos da mesa de Putin.
As informações eram tão delicadas e valiosas que, durante o governo anterior, o então diretor da CIA, John O. Brennan, deixou de fora os relatórios diários de segurança para o presidente Barack Obama e os entregou em envelopes selados.
Interferência nas eleições dos EUA
No entanto, a CIA começou a se preocupar com a segurança de seu informante depois que o Kremlin supostamente tentou interferir nas eleições de 2016 para a Casa Branca, a favor de Trump.
Sendo um dos seus principais nomes, a CIA aconselhou que o espião abandonasse suas funções e deixasse a Rússia sob proteção americana, algo que foi negado, provocando estranheza em Washington e gerando dúvidas sobre sua lealdade.
Em meados de 2017, o agente, cuja identidade era desconhecida, resolveu deixar a Rússia.
Veículos de imprensa russos revelaram o nome do suposto espião, que seria o ex-oficial do Kremlin Oleg Smolenkov, que trabalhou no gabinete presidencial russo por vários anos, até fugir de repente do país, em junho de 2017, acompanhado de seus familiares, segundo o canal Telegram Besposchiadni Piarschik.
De acordo com o site russo Daily Storm, Smolenkov, na companhia da esposa e três filhos, saiu de férias para Montenegro, onde seu rastro foi perdido.
Após o desaparecimento do funcionário, as autoridades russas entraram com um processo criminal por assassinato em setembro do mesmo ano.
Porém, investigadores e agentes do FSB (Serviço Federal de Segurança) da Rússia conseguiram estabelecer que as supostas vítimas "estavam vivas e em outro país", afirmou o jornal Kommersant.
Espião e sua mulher estariam na Virgínia
O jornal também revela que, em junho de 2018, um homem chamado Oleg Smolenkov adquiriu uma mansão de 760 metros quadrados com Antonina Smolenkova na cidade de Stafford (no estado americano da Virgínia), no valor de US$ 925 mil.
Segundo a imprensa russa, a esposa do suposto espião é precisamente Antonina, que também trabalhava para o governo de Moscou.
A infiltração de agentes ou o recrutamento de informantes no Kremlin é considerada extremamente difícil, dados os métodos eficazes de contrainteligência da Rússia.
Rússia diz que espião não teve acesso a Putin
Segundo o jornal The New York Times, os EUA consideram que a vida do informante corre perigo, devido os precedentes da Rússia com supostas tentativas ou assassinatos de espiões, como é o caso de Sergei Skripal, ocorrido no ano passado, no Reino Unido.
A Rússia confirmou nesta terça-feira (11) que Oleg Smolenkov trabalhou, de fato, no Kremlin, mas não teve acesso ao presidente Vladimir Putin.
"O seu cargo não contemplava contatos com o presidente", disse à imprensa o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov.
Após a história vir à tona, Smolenkov teria abandonado sua residência nos arredores de Washington, segundo revelaram seus vizinhos ao jornal americano The Washington Post.
Família Smolenkov teria fugido na segunda
De acordo com os moradores da região consultados pelo jornal, os Smolenkov abandonaram a propriedade às pressas na última segunda-feira (9).
Para trás ficaram brinquedos jogados pelo jardim e dois cachorros da raça italiana cane corso, que às vezes são treinados como animais de vigilância. Os vizinhos também indicaram que Smolenkov não tinha um emprego.
Smolenkov vivia em uma luxuosa casa de seis quartos em uma propriedade de mais de um hectare em Stafford (Virgínia), a uma hora da capital federal.
Ainda de acordo com o Post, Oleg Smolenkov tinha começado uma nova vida nos EUA, onde manteve seu nome real. Mas isso era um tanto incomum, pois a CIA recomenda que os desertores troquem de identidade e se mudem para algum local remoto do país ou pelo menos longe de Washington, onde a diplomacia russa tem uma maior presença.
O ex-funcionário da CIA, Joseph Augustyn, responsável entre os anos de 1999 a 2001 pelo programa de realocação, explicou ao Post que a agência respeita os desejos de seus protegidos, mas que a situação se encontrava Smolenkov o surpreendeu.
"Eu o imagino dizendo: 'Bom, quero viver uma vida o mais normal possível. Não quero assumir um novo nome, dificultar as coisas para minha esposa e filhos'. Não é isso que a agência recomendaria", afirmou.













