Analistas da ONU recomendam agenda "universal e sustentável" após 2015
Internacional|Do R7
Nações Unidas, 30 mai (EFE).- Um painel de analistas da ONU recomendou nesta quinta-feira que a nova agenda internacional de desenvolvimento para os anos após 2015 inclua uma rodada de novos alvos a cumprir em 2030, que seja "universal", se concentre em todas as dimensões do desenvolvimento e situe a "sustentabilidade" no centro dos debates. Os 26 analistas, que tornaram públicas hoje suas recomendações na sede das Nações Unidas após quase um ano de trabalho, propuseram à comunidade internacional que se estabeleça uma nova aliança global para erradicar a pobreza e transformar as economias através do desenvolvimento sustentável. "É um roteiro claro para erradicar a pobreza extrema em 2030 e para isso precisamos de uma aliança que conclua o trabalho dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, enfrentar as causas subjacentes da pobreza e contribuir ao desenvolvimento sustentável", disse no documento o primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, que copreside esse painel. O grupo, criado no ano passado pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, apresentou hoje sua lista de recomendações para o estabelecimento de uma nova agenda internacional de desenvolvimento post 2015 que substitua os oito Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) estabelecidos pela comunidade internacional no ano 2000. "A ideia é que a nova agenda integre todas as dimensões do desenvolvimento: a econômica, a ambiental e a social, que seja inclusiva e baseada em um enfoque de direitos humanos que tenha como alvo prioritário as pessoas", disse hoje à Agência Efe a ex-chanceler mexicana Patricia Espinosa, integrante do painel de especialistas. O painel, que destaca os progressos "sem precedentes" conseguidos a partir do lançamento dos ODM há 13 anos, considera agora "absolutamente indispensável" que a nova agenda conte com um enfoque de sustentabilidade já que partem da premissa que "só pode haver desenvolvimento se é sustentável". Os analistas recomendam cinco grandes eixos de trabalho, entre eles passar de reduzir a pobreza extrema a extingui-la em todas as suas formas "para que ninguém fique atrás"; integrar a dimensão social, econômica e meio ambiental do desenvolvimento; e transformar a economia para conseguir mais empregos e um crescimento inclusivo. O painel também propõe que a agenda impulsione a construção de paz e de instituições mais efetivas, abertas e responsáveis e que esteja dominada por um novo espírito de solidariedade, cooperação e de responsabilidade mútua, na qual se leve em conta o papel da sociedade civil e das instituições multilaterais. "O secretário-geral celebra que se reconheça que a agenda de desenvolvimento após 2015 deve ser universal, aplicar por igual aos países do Norte e o Sul, e que esteja baseada na equidade, a cooperação e o prestação de contas mútua", disse o escritório do porta-voz da ONU em comunicado. Para Espinosa, o grande desafio que a futura agenda pós-2015 tem pela frente é superar o "enfoque assistencialista" impregnado nos ODM e conseguir que todos os países estejam envolvidos porque, segundo destacou, o "bem-estar das nações ricas depende em grande medida do que passe no mundo em desenvolvimento". Por sua vez, a administradora do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), Helen Clark, os novos objetivos que serão fixados para após 2015 devem priorizar os direitos e a saúde sexual e reprodutiva, assim como a igualdade de gênero e o empoderamento das mulheres. Os analistas trabalharam a partir da proposta da Rio+20 de lançar alguns objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) que ampliem o "modelo bem-sucedido" dos oito Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) definidos pela ONU em 2000 para reduzir pela metade em 2015 os níveis de pobreza, mas com um enfoque universal. O relatório inclui recomendações sobre a visão e forma da agenda de desenvolvimento pós-2015, que se propõem ajudar a enfrentar os desafios globais do século XXI, visando a erradicar a pobreza, e que procura dar nova forma à aliança global para o desenvolvimento e reforçar os mecanismos de prestação de contas. O Painel de Alto Nível da ONU para estabelecer uma agenda após os ODM foi constituído em 2012, se reuniu em Nova York, Londres, Monróvia e Bali, e é copresidido pelo presidente da Indonésia, Susilo Bambang Yudhoyono, o primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, e a presidente da Libéria, Ellen Johnson-Sirleaf. Os ODM incluem princípios como a redução da pobreza extrema e a fome, a universalização da educação primária, a redução da mortandade infantil, a luta contra a aids, a igualdade de gênero e a defesa do meio ambiente. EFE elr/tr











