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Após derrota em primárias, Cristina diz que ampliará intervencionismo

Internacional|Do R7

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BUENOS AIRES, 14 Ago (Reuters) - A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, prometeu na quarta-feira aprofundar sua política econômica intervencionista, num inflamado discurso em que conclamou seus aliados a reverterem a derrota sofrida nas recentes primárias para a eleição legislativa de outubro.

Os mercados esperavam ansiosos o discurso de Cristina, buscando pistas sobre a manutenção ou não de uma política econômica que, segundo analistas, foi uma das causas para a derrota da ala governista nas principais províncias do país, no domingo.


"O futuro somos nós, porque para ter futuro temos de aprofundar estas políticas", disse Cristina, aplaudida por governadores e militantes do movimento peronista.

Após o discurso, o peso se desvalorizou em 0,67 por cento frente ao dólar no mercado negro, ao qual os poupadores recorrem para se abastecer de divisas, burlando o férreo controle cambial.


As primárias de domingo serviram para selecionar e ordenar as listas partidárias que disputarão a eleição parlamentar de outubro. A facção kirchnerista do peronismo perdeu quase metade dos votos em comparação à eleição presidencial de 2011, quando Cristina foi reeleita.

O resultado da eleição primária praticamente enterrou as esperanças governistas de formar uma ampla maioria que lhe permitisse reformar a Constituição e autorizar uma nova reeleição da presidente na eleição de 2015.


Aliados de Cristina foram derrotados nos cinco principais distritos eleitorais argentinos, incluindo a crucial província de Buenos Aires, onde o peronismo não-governista a desafiou lançando a candidatura a deputado do popular prefeito de Tigre, Sergio Massa, favorável a políticas econômicas menos intervencionistas.

Analistas dizem que a inflação elevada, o controle cambial e a brusca desaceleração do crescimento econômico prejudicaram o campo governista na disputa.


Mas, em seu discurso, Cristina rejeitou desvalorizar a moeda ou implementar metas de inflação.

"Sabem o que significa governar com metas de inflação? Eu lhes traduzo. É colocar uma armadilha para os salários ... para que não aumentem, porque (os que defendem as metas) sustentam que como base que o aumento salarial... é inflacionário."

(Reportagem de Guido Nejamkis)

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