Após nova onda de ataques dos EUA, Irã anuncia ações no Golfo e fechamento de Ormuz
Trocas representaram uma escalada no ritmo e no alcance dos ataques e coloca em dúvida acordo provisório entre os países
Internacional|Do R7, com Estadão Conteúdo e Reuters
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Forças dos EUA e do Irã trocaram ataques intensos com mísseis e drones durante o fim de semana e nesta segunda-feira (13), com Teerã atacando instalações dos EUA no Golfo e afirmando ter fechado novamente o estreito de Ormuz, o que fez os preços do petróleo subirem.
A Guarda Revolucionária do Irã informou nesta segunda-feira que havia atacado instalações militares dos EUA no Bahrein e no Kuwait, destruído sistemas de radar em Omã e atingido tanques de combustível e depósitos de munição na Base Aérea Príncipe Hassan, na Jordânia, em resposta aos ataques dos EUA.
As Forças Armadas dos EUA disseram ter atacado, no domingo (12), sistemas de defesa aérea iranianos, estações de radar costeiras, capacidades de mísseis e drones e pequenas embarcações, utilizando aeronaves, navios de guerra e drones.
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Essas trocas representaram uma escalada no ritmo e no alcance geográfico dos ataques ocorridos na última semana, colocando em dúvida um acordo provisório entre os EUA e o Irã, assinado no mês passado, para reabrir o estreito e pôr fim à guerra após mais 60 dias de negociações.
Países dizem que acordo acabou
Em uma breve entrevista por telefone à Reuters no domingo, o presidente dos EUA, Donald Trump, referiu-se aos ataques do fim de semana contra o Irã. “Estamos dando uma surra neles”, disse ele.
Trump afirmou que considera o cessar-fogo encerrado, embora deixe a porta aberta para novas negociações.
O principal negociador do Irã, Mohammad Baqer Qalibaf, adotou um tom igualmente desafiador, postando no X no domingo: “A era dos acordos unilaterais ACABOU. Nós avisamos: cumpram sua palavra ou paguem o preço. A realidade está batendo à porta.”
A guerra iniciada por Estados Unidos e Israel contra o Irã em 28 de fevereiro desestabilizou o Golfo e se espalhou por toda a região, com o Irã atacando bases dos EUA em vários países. Milhares de pessoas foram mortas, principalmente no Irã e no Líbano.
O bloqueio do estreito de Ormuz por Teerã elevou os preços da energia e alimentou preocupações com a inflação em todo o mundo.
Os Estados Unidos afirmaram que o estreito de Ormuz é um “corredor marítimo vital” para o comércio global e que o Irã não o controla.
“As forças dos EUA estão posicionadas e preparadas para garantir que a liberdade de navegação permaneça assegurada para o transporte marítimo comercial, apesar da contínua agressão injustificada, do assédio, das ameaças e das declarações arbitrárias por parte do Irã”, afirma o comunicado.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, alertou que, enquanto os EUA continuarem a violar os compromissos previstos no memorando de entendimento — que, segundo ele, está em “fase de crise” —, o Irã se absterá de cumprir suas obrigações no acordo.
“Desde o início, dissemos ‘compromisso por compromisso’; enquanto a outra parte cumprir seus compromissos, nós cumpriremos os nossos. Na prática, também demonstramos que, sempre que a outra parte violou seus compromissos, nós também não cumprimos os nossos”, afirmou em coletiva de imprensa nesta segunda-feira.
Baghaei disse que Teerã tenta chegar a um mecanismo conjunto com Omã para tratar do estreito de Ormuz, mas que a pressão de Washington sobre o país tem prejudicado os esforços.
Sobre a rota marítima, o porta-voz acrescentou que navios que tentarem atravessar por rotas paralelas às sugeridas pelo governo americano estão “em risco”.
Preços do petróleo sobem
A Guarda Revolucionária afirmou em comunicado nesta segunda-feira que a única maneira de restabelecer o tráfego regular de navios pelo estreito era pôr fim às intervenções militares dos EUA na via navegável, e alertou que “a interferência contínua poderia levar a incidentes mais graves no setor global de petróleo e gás”.
O Irã busca estabelecer um mecanismo conjunto com Omã para gerenciar o tráfego pelo estreito, disse nesta segunda-feira o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baghaei, acrescentando que a pressão dos EUA sobre Omã havia dificultado essas discussões.
O petróleo Brent subia mais de 3% nesta segunda-feira, embora tenha permanecido bem abaixo dos picos atingidos no início do conflito.
Os preços mais altos da energia, especialmente da gasolina, são politicamente delicados para Trump às vésperas das eleições para o Congresso em novembro.
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