Após pausa, Farc retomam diálogo, mas rejeitam referendo sobre paz
Internacional|Do R7
Por Rosa Tania Valdés
HAVANA, 26 Ago (Reuters) - As Farc e o governo colombiano anunciaram nesta segunda-feira que manterão suas negociações até obterem a paz, mas a guerrilha reiterou seu rechaço à proposta de submeter o eventual acordo a referendo.
O diálogo entre as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia e os representantes do presidente Juan Manuel Santos foi retomado nesta segunda-feira em Havana, após uma inesperada "pausa" solicitada pela guerrilha para analisar a proposta de Santos para a realização de um referendo em 2014.
Logo antes de entrar na reunião desta segunda-feira, em um centro de convenções em Havana, o negociador-chefe das Farc, Iván Márquez, disse que a proposta enviada por Santos ao Congresso "não é vinculante".
"Não acompanhamos nem sujeitamos os diálogos e seus resultados a tal decisão unilateral", acrescentou Márquez.
O grupo rebelde disse, no entanto, que se manterá "à mesa, fiel ao compromisso de buscar a paz para a Colômbia por todos os meios".
A delegação governamental, convocada no fim de semana para consultas com Santos em Bogotá, chegou à reunião desta segunda-feira sem fazer declarações.
Em comunicado conjunto divulgado à tarde, as duas partes recordaram o primeiro aniversário da assinatura do "Acordo Geral" para o término da guerra civil colombiana, que já dura cerca de meio século.
"Por ocasião desse aniversário, as delegações querem reafirmar sua disposição total para chegar a um acordo, como expressaram neste documento, e assim contribuir para a construção de uma paz estável e duradoura", acrescentou a nota enviada por e-mail a jornalistas.
A negociação, que resultou até agora em um acordo parcial a respeito do tema agrário, transcorre em clima tenso devido à recusa do governo em aceitar um cessar-fogo bilateral, como queria a guerrilha, com o argumento de que os rebeldes poderiam tirar proveito militar dessa situação, prolongando indefinidamente o diálogo.
Os negociadores das Farc insistiram nesta segunda-feira em pleitear uma Assembleia Constituinte que garanta o cumprimento de um eventual acordo de paz, ideia que o governo rejeitou veementemente.
"Por que o governo tem medo da Constituinte? ... Nós não temos medo"", disse Márquez a jornalistas. "É o melhor caminho porque em tal cenário se consegue, sim, tudo o que puder garantir a longa duração para a paz nacional, como a reforma política, (a reforma) econômica, a reforma do aparato eleitoral."
O governo diz que é mais conveniente formalizar o acordo de paz por meio de referendo e pediu autorização ao Congresso para realizar essa consulta junto com as eleições de 2014.













