Após prisão de dois suspeitos, Londres convoca 1.200 policiais para reforçar segurança
Segurança já havia sido reforçada na noite de quarta-feira em todos os postos militares de Londres
Internacional|Do R7

O soldado britânico morto esfaqueado na tarde de quarta-feira (22), em Londres, tinha servido no Afeganistão, revelaram autoridades britânicas. Após a prisão de mais dois suspeitos nesta quinta-feria (23), as autoridades inglesas reforçaram o apelo à calma e convocaram mais 1.200 policiais para reforçar a segurança da cidade.
Os autores do crime, de 22 e 28 anos, continuam hospitalizados depois de terem sido feridos a tiros pela polícia no local do crime. Eles não correm risco de morrer. Além deles, duas outras pessoas, um homem e uma mulher de 29 anos, foram detidas por suposta cumplicidade no assassinato.
Pouco mais de 24 horas depois do crime, o Ministério da defesa identificou o militar assassinado como Lee Rigby, de 25 anos. Ele não usava farda no momento do crime. "Rigby era um verdadeiro guerreiro e serviu com distinção no Afeganistão (em 2009), na Alemanha e no Chipre", afirmou o coronel Jim Taylor.
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Em vídeo gravado por uma pessoa que passava no local no momento do crime, um dos suspeitos explicou ter agido em represália pelo fato de "muçulmanos serem mortos diariamente por soldados britânicos". "Com este soldado britânico, é olho por olho, dente por dente", disse o jovem negro, que, com as mãos ensanguentadas, segurava uma grande faca de cozinha e um cutelo de açougueiro. No vídeo, a vítima aparece caída em uma rua movimentada.
O presidente norte-americano, Barack Obama, considerou "pavoroso" o ato, e manifestou a solidariedade dos Estados Unidos com o Reino Unido "contra o extremismo violento e o terrorismo".
O primeiro-ministro britânico, David Cameron, que participou de uma reunião de crise após o crime, considerou que o assassinato é uma "traição contra o Islã e contra as comunidades muçulmanas que agregam tanto ao nosso país", afirmado que o extremismo será "vencido com união".
O Conselho Muçulmano Britânico, que reúne mais de 500 associações ou fundações muçulmanas e mesquitas, pediu "calma e união das comunidades", condenando a barbárie, que "não tem qualquer relação com o Islã".
Por temor de um aumento da violência, mais 1.200 policiais foram mobilizados nesta quinta-feira na capital britânica, "em locais estratégicos, como centros religiosos, transportes coletivos e em áreas muito frequentadas", informou a Scotland Yard. A segurança já havia sido reforçada na noite de quarta-feira em todos os postos militares de Londres.
Na noite anterior, foram registrados confrontos entre a polícia e 250 manifestantes anti-islamistas simpatizantes da English Defence League.
Cameron mencionou a possibilidade de que os supostos autores do "terrível ataque" já terem passagem pela polícia.
Um dos suspeitos foi detido no ano passado quando deixava o país, disseram fontes governamentais à BBC.
Em entrevista à AFP, o militante radical Anjem Choudary, antigo braço-direito de Omar Bakri na organização radical Al Muhajirun, banida no Reino Unido, identificou um dos agressores que reivindica a autoria do crime no vídeo.
"Eu conhecia um deles. Ele tinha o hábito de participar das nossas atividades durante alguns anos", disse, confirmando a origem nigeriana do criminoso.
De acordo com a imprensa britânica, trata-se de Michael Adebolajo, um jovem de 28 anos que se converteu ao Islã em 2003.
Era "um garoto tranquilo, nada violento, muito agradável", disse Choudary.
— Nós perdemos todo contato com ele há três anos. Eu não sei o que aconteceu com ele, mas o que vimos ontem foi chocante. Ele não era membro da Al Muhajirun (...) mas participou de diversas atividades, manifestações, marchas e reuniões.
Para vários especialistas britânicos, este foi um ato isolado cometido por "lobos solitários" doutrinados em fóruns na internet que divulgam vídeos sangrentos de decapitações e execuções em Síria, Afeganistão e Iraque cometidas por grupos islamitas partidários da ideologia radical da Al Qaeda.
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