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Após quatro séculos de imigração nos EUA, integração ainda é um desafio

Internacional|Do R7

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Marc Arcas. Washington, 20 out (EFE).- A reforma migratória proposta pelo presidente Barack Obama e que está encontrando tantos empecilhos no Congresso é apenas o último episódio de uma realidade que se repetiu várias vezes nos últimos 400 anos nos Estados Unidos, a de como assimilar as várias ondas de imigrantes que acabaram formando a essência do país. Desde a chegada dos primeiros colonos europeus no início do século 17 (majoritariamente britânicos, alemães e holandeses), novas ondas migratórias procedentes de todas as partes do mundo foram parar nos EUA, provocando um repetido conflito ao longo da história entre os recém-chegados e os que haviam feito isso algumas gerações antes. "Apenas entre 1% e 2% dos habitantes atuais de nosso país descendem daqueles que habitavam estas terras há mais de 400 anos. Desde nossas origens, os EUA só não aprenderam, como avaliaram como progredir no multiculturalismo", disse o jornalista e analista político Michael Baron, que lançou um livro sobre imigração há alguns dias em Washington. Apesar de ter lidado com grandes fluxos migratórios durante vários séculos, os EUA ainda não criaram uma fórmula que permita amortecer o choque social que a imigração leva consigo, e o grande debate sobre a reforma é concentrado na questão de se os imigrantes ilegais que atualmente residem no país - e que giram em torno de 11 milhões - devem ter, ou não, acesso à cidadania. Para ter a cidadania, a proposta de reforma que o Senado aprovou em junho (e que deveria servir como base para a lei definitiva junto ao texto que sair da Câmara dos Representantes), exige dos imigrantes vários requisitos, entre eles "demonstrar conhecimentos de inglês". "Henry Ford dava aulas de inglês aos empregados estrangeiros de suas fábricas no início do século 20 e as escolas públicas de Nova York tinham uma incumbência fundamental: americanizar os recém-chegados" lembrou o analista. "Hoje isso mudou e a tendência é preservar a diversidade multicultural", completou Baron, para quem os EUA já superaram em muitas ocasiões situações que à época foram consideradas becos sem saída. Em meados de século 19, as grandes migrações de irlandeses e de alemães em consequência da fome para pólos urbanos dos EUA - até então a imigração tendia a rumar para o Oeste do país - representaram o primeiro choque cultural entre os que já se consideravam nativos - majoritariamente protestantes e descendentes dos colonos - e os recém-chegados, na maioria católicos. Na década de 1850, por exemplo, a população imigrante dos EUA chegou a ser de 10% do total. "A segunda grande mudança aconteceu no começo do século 20, quando a imigração europeia deixou de vir dos países setentrionais e começou a vir de países do sul e do leste, como Itália, Grécia e Polônia", analisa. "Foram muitos os que pensaram na época que a brecha cultural jamais seria superada, e que essas pessoas não poderiam se integrar à sociedade americana", declarou Baron. As tendências atuais em imigração não se consolidaram até 1965, quando o então presidente democrata Lyndon B. Johnson sancionou a Lei de Imigração, que, entre outras coisas, acabou com um sistema de cotas por países vigente desde os anos 1920 e concebido para favorecer a imigração proveniente da Europa. Os latino-americanos começaram a chegar em massa aos EUA, ficando primeiro nas grandes áreas urbanas da Califórnia, Texas e Nova York, onde, segundo Baron, viveram "certo progresso" econômico, que declinou em 2008 com a explosão da crise hipotecária. "Desde então, a imigração proveniente da América Latina não fez mais que cair, e nos últimos tempos, a imigração latino-americana foi superada pela asiática", disse o especialista, para quem o progresso econômico vivido pelo México o leva a pensar que "jamais" se voltará a ver uma onda migratória tão forte do país como a que se viveu nos anos 1990. EFE ma/ff/rsd/tr

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