Logo R7.com
RecordPlus

Após ser alvo de ataques, ministra italiana diz ter orgulho de ser negra

Cecile Kyenge tem sido alvo de provocações em sites de extrema-direita, que têm a rotulado com nomes como "macaco congolês", "Zulu" e "a negra anti-italiana"

Internacional|Do R7, com agências internacionais

  • Google News

Adicione como fonte preferencial no Google

Opens in new window
Cecile Kyenge foi nomeada ministra da Integração no último sábado (27)
Cecile Kyenge foi nomeada ministra da Integração no último sábado (27)

A primeira ministra negra da Itália respondeu a uma enxurrada de insultos sexistas e racistas dizendo que ela tem orgulho de ser negra e que a Itália não é realmente um país racista.

— A Itália não é um país racista, tem uma cultura de acolhimento bem radicada, mas existe uma falta de conhecimento do outro. Não se entende que a diversidade é uma resposta.


Cecile Kyenge, uma oftalmologista e cidadã italiana originária da República Democrática do Congo (RDC), foi nomeada ministra da Integração pelo primeiro-ministro Enrico Letta no último sábado (27), sendo uma das sete mulheres no novo governo.

Desde então, ela tem sido alvo de provocações em sites de extrema-direita, que têm a rotulado com nomes como "macaco congolês", "Zulu" e "a negra anti-italiana".


Ela também enfrentou insultos com toques de racismo de Mario Borghezio, membro da Liga do Norte no Parlamento Europeu, que no passado foi aliado do ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi.

Apesar da miséria, norte-coreanos idolatram líderes e não demonstram revolta, dizem brasileiros


Coreia do Norte poderá no futuro atacar EUA, diz Pentágono

Em referência a Kyenge, Borghezio chamou a coalizão de Letta um "governo bonga bonga" - uma brincadeira com o termo "bunga, bunga", atribuído a Berlusconi - e disse que ela parecia ser "uma boa dona de casa, mas não uma ministra".


— A violência contras as mulheres é um tema que não se refere apenas aos italianos ou aos imigrantes. A violência não tem cor. O que é preciso mudar é a cultura sobre as mulheres.

Kyenge rejeitou os comentários, que a presidente da câmara dos deputados, Laura Boldrini, qualificou como "vulgaridades racistas". Kyenge planeja pressionar por uma legislação, a qual a Liga é contrária, que permitiria às crianças nascidas na Itália de pais imigrantes obterem a cidadania automática, em vez de terem que esperar até os 18 anos para reivindicá-la.

"Cheguei sozinha à Itália aos 18 anos e eu não acredito em desistir diante de obstáculos", disse Kyenge, que deixou o Congo para que pudesse prosseguir os seus estudos em medicina.

Ela também rejeitou o termo "de cor", usado para descrevê-la em muitos matérias na imprensa italiana, dizendo: "Eu não sou colorida, eu sou negra e digo isso com orgulho."

Kyenge, que é casada com um italiano, disse não ver a Itália como um país particularmente racista e acreditava que as atitudes hostis derivavam principalmente da ignorância.

Boldrini disse a um jornal nesta sexta-feira que recebe ameaças de morte online diariamente e um fluxo de mensagens contendo imagens sexualmente ofensivas.

"Quando uma mulher ocupa um cargo público, a agressão sexista dispara contra ela, sejam simples fofocas simples ou violentas... sempre usam o mesmo vocabulário de humilhação e submissão", disse Boldrini ao jornal La Repubblica.

O que acontece no mundo passa por aqui

Moda, esportes, política, TV: as notícias mais quentes do dia

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.