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Terremoto a deixou soterrada sob toneladas de escombros, com ferimentos graves. Nem ela nem os socorristas desistiram

Resgatada após uma operação improvisada, venezuelana relembra horas de angústia sob os escombros

Internacional|Iván Pérez Sarmenti, da CNN Internacional

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Stephanie Villegas sobreviveu a um terremoto na Venezuela, ficando soterrada sob escombros por cerca de dez horas.
  • Ela sofreu múltiplas fraturas e lesões graves, quase perdendo uma perna, mas manteve a calma e a fé durante o resgate.
  • Seu companheiro e voluntários trabalharam por horas para retirá-la dos escombros e levá-la ao hospital.
  • Apesar do trauma, Stephanie se recupera com esperança e acredita que algo bom surgirá de sua experiência.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Grupo de pessoas em meio aos escombros de um edifício desmoronado. Os destroços incluem tijolos, concreto e fios expostos. Algumas roupas coloridas estão visíveis entre os escombros
Jovem quase perdeu uma perna após ficar presa em um edifício destruído pelo tremor Ricardo Arduengo/Reuters - 03.07.2026

Nos primeiros segundos após os violentos terremotos que atingiram a Venezuela, o mundo exterior pareceu parar completamente para Stephanie Villegas. “Só me lembro de que estava descendo e que tudo caía sobre mim e, por um momento, acho que perdi a consciência. Depois, quando acordei, não conseguia me mover.”

Soterrada sob toneladas de concreto, vigas quebradas e uma densa poeira acinzentada, a jovem venezuelana iniciou a maior batalha de sua vida: sobreviver. Hoje, de uma cama de hospital, Stephanie relembra com surpreendente serenidade uma odisseia que durou cerca de dez horas entre o momento do desabamento e sua chegada à sala de emergência.


Apesar da gravidade dos ferimentos, que incluem múltiplas fraturas e lesões complexas que quase lhe custaram uma perna, seu rosto transmite uma paz inspiradora. “Hoje estou tranquila”, afirma com voz calma e firme. “Apesar de as fraturas serem graves, não sinto dor.”

Naquele dia, feriado na Venezuela, Stephanie se preparava para visitar uma amiga. Subia as escadas e já estava chegando ao quarto andar quando começou o tremor, acompanhado pelo estalo das estruturas e pelo balanço violento das paredes. Naquele instante, o instinto de sobrevivência acabou lhe pregando uma peça.


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“Quando o terremoto começou, pensei em correr para baixo em vez de ir para o corredor, que não sofreu nenhum dano. Assim que comecei a descer, tudo começou a desabar e caiu sobre mim. Fiquei presa sob os escombros”, recorda. O corredor que ela deixou para trás permaneceu intacto após o terremoto, enquanto a escada, que tantas vezes serve como rota de fuga, desabou sobre ela enquanto descia.

O impacto inicial foi brutal, mas Stephanie apagou parte das lembranças daquele momento, talvez como um mecanismo de defesa diante da violência do desabamento e do trauma físico. “Não me lembro do momento exato do impacto quando caí”, explica.


Quando recuperou a consciência, sentiu-se desorientada. “Eu dizia: meu Deus, o que aconteceu? Não entendia nada”, conta. Logo depois, porém, compreendeu sua situação: estava viva, mas soterrada sob os escombros.

O primeiro impulso de qualquer pessoa nessa situação é tentar tirar o peso de cima do corpo, empurrar as estruturas para se libertar. Stephanie tentou, mas não conseguiu.


“Eu tentava me mexer, levantar, porque achava que, empurrando, conseguiria sair. Sentia um pé para fora e uma das mãos também. Então pensava: não estou tão profundamente enterrada.” No entanto, cada tentativa esbarrava nos escombros que a mantinham presa.

Longe de entrar em desespero, como aconteceria com a maioria das pessoas, ela se apoiou na fé e manteve a calma. “Eu disse a mim mesma: fique tranquila. Se você está consciente, é porque Deus vai salvá-la e tirá-la daqui. Pedia a Deus que me mantivesse calma, que eu resistisse até alguém chegar e me ajudasse. E realmente fiquei muito tranquila. Não chorei, não gritei. Naquele momento, não sentia dor por causa da pressão.”

Cerca de dez minutos depois de recobrar a consciência, os primeiros sons da superfície começaram a atravessar as frestas do concreto. Eram os gritos dos vizinhos, familiares e sobreviventes que circulavam entre as ruínas. Ouvir aquelas vozes deu esperança a Stephanie. “Fiquei feliz. Pensei: agora vão vir me buscar.” Mas a espera durou muito mais do que imaginava. Foram necessárias duas horas até que seu companheiro, que a procurava sem parar, encontrasse o local exato onde ela estava.

Ser encontrada, porém, não significava ser resgatada.

O cenário enfrentado por seu companheiro era devastador e extremamente perigoso. Stephanie estava presa sob vigas e paredes quebradas de enorme peso. Em meio à destruição e à ausência de equipes de resgate, ele precisou contar com sua força e engenhosidade. Ao notar uma árvore próxima que milagrosamente permanecera de pé, subiu nela e conseguiu alcançar a área onde a jovem estava. Ainda assim, remover os blocos exigia mais ajuda.

Stephanie conta que, com o apoio de outras duas pessoas, o grupo trabalhou das 20h até a meia-noite para libertá-la.

“Eles não conseguiram retirar tudo”, explica. “Removeram apenas o que era possível e depois me puxaram, porque algumas estruturas sustentavam as paredes ao redor. Se fossem retiradas, todos nós morreríamos ali.”

Depois de ser retirada dos escombros, perceberam que seu estado era extremamente grave. As fraturas impediam qualquer transporte convencional e, sem equipamentos adequados, os socorristas improvisaram uma maca usando uma porta.

“Como minha perna estava quebrada e eu estava perdendo muito sangue, não podiam me carregar. O braço também estava fraturado”, relata.

O grupo de resgate subia e descia pelos escombros tentando conseguir ajuda de veículos que passavam pelo local, mas o caos generalizado dificultava tudo.

“Pediam ajuda para me levar ao hospital e ninguém ajudava”, lembra.

Além disso, quando foi retirada da pressão exercida pelos escombros, a dor começou a aparecer.

“Minha pressão caiu e comecei a vomitar de dor. Aí sim eu chorava, porque já sentia tudo. Como não havia mais a pressão dos escombros, a dor despertou completamente.”

Naquele momento crítico, cercada pelos familiares do companheiro, que conversavam com ela sem parar para evitar que perdesse a consciência, Stephanie voltou a se agarrar à fé.

“Eles me diziam: fique tranquila, você vai superar isso. E minha esperança era Deus. Se Deus me manteve viva, é por algum motivo.”

Durante quase duas horas, um grupo que variava entre seis e oito pessoas carregou a pesada porta que servia de maca. Alguns desistiam devido ao cansaço físico, mas eram substituídos por outros voluntários até que, finalmente, uma caminhonete aceitou transportá-la.

Às quatro da manhã, dez horas após o início do pesadelo, Stephanie finalmente deu entrada em um hospital.

Hoje, seu quadro clínico continua complexo, mas há motivos para esperança.

“A pior parte foi minha perna, que quase perdi.”

Embora tenha estado à beira da amputação, os médicos optaram por um tratamento em etapas. Primeiro cuidaram das feridas abertas e instalaram fixadores externos para estabilizar a perna e reduzir os riscos de infecção, enquanto trabalham na recuperação da massa muscular afetada. Quando a perna estiver estabilizada, a equipe médica realizará a cirurgia do braço, que também sofreu fraturas importantes.

O processo de recuperação não é apenas físico. Stephanie admite que os primeiros dias no hospital foram marcados por pesadelos recorrentes, um sintoma clássico do trauma vivido. Com o passar dos dias e o apoio dos familiares, porém, as lembranças mais dolorosas começaram a perder força.

“Nos primeiros dias eu estava traumatizada, mas agora consigo contar a história com tranquilidade, porque o pior já passou. Como todos me dizem: a parte mais difícil já passou.”

E, mais uma vez, ela se apega à fé:

“Agora preciso ficar tranquila para me recuperar. E, no fim, de tudo o que é ruim sempre nasce algo bom. Ainda vou descobrir o que Deus reservou para mim depois de tudo isso que vivi.”

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