Após sofrer tentativa de assassinato, refugiado do Congo tenta recomeçar a vida no Brasil
Professor universitário começou a dar aulas de francês em São Paulo
Internacional|Erika Omori, do R7

O relatório Tendências Globais divulgado pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) na quinta-feira (18), traz números alarmantes sobre o número de deslocados no mundo: 59,5 milhões de pessoas foram forçadas a deixar suas casas, até o final de 2014, atingindo o nível recorde.
Na lista dos principais países de origem dos refugiados, a República Democrática do Congo aparece na 6ª posição, com 516,8 mil refugiados em 2014. No Brasil, os congoleses ocupam a 4ª posição entre os refugiados reconhecidos pelo Brasil.
Omana Ngandu é uma das pessoas que teve que deixar seu país. Aos 49 anos, o congolês, graduado em Letras e História da África, está empenhado em juntar dinheiro para trazer sua mulher e cinco filhos para o Brasil. Ele está feliz quando começou, em maio, a dar aulas de francês em São Paulo.
Quase 60 milhões de pessoas foram forçadas a deixar suas casas em 2014
Pedidos de refúgio ao Brasil crescem mais de 2.000% em 5 anos
O professor universitário, que mantinha uma ONG que trabalhava na defesa dos direitos humanos de mulheres e crianças, teve que deixar seu país e sua família após sofrer uma tentativa execução. “Eles (soldados) me levaram, de madrugada, para uma floresta para me matar. Deram vários tiros. Consegui chegar até Uganda, onde fui socorrido por voluntários”, explica mostrando as cicatrizes.
No período em que esteve longe de sua família, sua mulher deu à luz seu filho caçula, e sua filha mais velha, na época com 15 anos, foi assassinada pelo mesmo grupo que o perseguia.
Porém, para trazer sua família em segurança ao Brasil, além da verba, Omana precisa ser reconhecido como refugiado. Só assim ele terá direito a reunião familiar. Seu protocolo de solicitação foi renovado três vezes e o processo se prolonga por quase dois anos.











