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Apropriação de pedágios se torna prática rentável para protestos no México

Internacional|Do R7

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Sandra Parra. Cidade do México, 28 dez (EFE).- "Gostaria de cooperar?". É a pergunta com a qual encapuzados recebem nos pedágios os viajantes que transitam pelo sul do México, prática que tem rendido aos manifestantes números que vão de 15 mil a 50 mil pesos mexicanos (R$ 2,7 mil a R$ 9 mil) por dia. A apropriação de guichês de pedágio nas estradas começa a ser um costume frequente das mobilizações no México, e nos últimos meses se intensificou desde o desaparecimento dos 43 estudantes, no dia 26 de setembro em Iguala, pelas mãos de policiais corruptos e membros do cartel Guerreros Unidos. Em outubro e novembro os manifestantes tomaram pelo menos uma estação de cobrança por dia no estado de Guerrero, onde se encontra Iguala, principalmente nas localizadas na Estrada do Sol, que liga a Cidade do México com o porto de Acapulco. Esta prática, realizada em sua maioria por estudantes das escolas de magistério e professores, também se aplica, embora com menor frequência, a outros estados do sul do país como Michoacán, Oaxaca e Chiapas. O objetivo é arrecadar dinheiro para o movimento que exige a devolução com vida dos 43 alunos da Escola Normal Rural de Ayotzinapa. Um dos encarregados das finanças deste tipo de protestos, que pediu para não ser identificado, disse à Agência Efe que "por cada apropriação é possível arrecadar de 15 mil a 20 mil pesos mexicanos (RS 2,7 mil a R$ 3,6 mil) em mais ou menos sete horas". Os ditos recursos, indicou a fonte, são utilizados para comprar alimentos, gasolina, aluguel de ônibus e o plantão da Coordenadoria Estadual dos Trabalhadores da Educação de Guerrero (Ceteg) na praça central de Chilpancingo, capital do estado, desde o desaparecimento dos estudantes. No entanto, segundo estimativas da Confederação Patronal da República Mexicana (Coparmex) de Acapulco, por cada praça de pedágio tomada os manifestantes podem chegar a captar de 35 mil a 50 mil pesos mexicanos (R$ 6,3 mil a R$ 9 mil) em um período de quatro a seis horas. "Normalmente eles cobram entre 20 pesos e 50 pesos (R$ 3,6 e R$ 9). Nossos cálculos indicam que estavam tendo uma captação que gira em torno de 35 mil a 50 mil pesos", disse à Efe o presidente de Coparmex Acapulco, Joaquín Badillo. A cobrança destas tarifas beneficia os turistas, dado que são inferiores ao custo do pagamento normal, que pode chegar a 125 pesos mexicanos (R$ 22) no trajeto da Cidade do México a Acapulco, segundo números da Administração de Rotas e Pontes Federais do México (Capufe). No entanto, este tipo de protesto também é visto como um risco por algumas pessoas, que deixaram de visitar cidades como Acapulco, o que afetou a economia do porto, principal motor econômico do estado de Guerrero. "Sou totalmente a favor das manifestações do povo. O que me parece negativo é que fazendo uso de seu legítimo direito à manifestação possam afetar os direitos de terceiros", afirmou à Efe o deputado federal do conservador Partido Ação Nacional (PAN), Jorge Sotomayor. Os bloqueios de estradas "evidentemente trazem como consequência problemas no turismo, em perdas de mercadorias, problemas ambientais e obviamente perda de dinheiro, trabalho e tempo", acrescentou Sotomayor. Embora alguns se abstenham de dar dinheiro aos manifestantes argumentando que pagam os pedágios com "tags", durante alguns protestos o serviço não é desativado e os viajantes acabam pagando o dobro pelo direito de passagem. "Os guichês são tomados pacificamente. A primeira vez que fui não percebi que levavam armas, depois já traziam facões. Eles nem sequer desativavam o serviço de 'tag', então te cobram o pedágio e o dinheiro da manifestação, e os policiais que estão por perto nada fazem", contou Ana Carina Alanís, que viaja com frequência a Acapulco. Durante as apropriações, os empregados dos pedágios "se retiram, deixam o controle com os manifestantes e se transformam em espectadores em seus escritórios administrativos", relatou o presidente da Coparmex Acapulco. Com a passagem dos dias e a constante apropriação de guichÊs, o que os cidadãos se perguntam é para onde vai o dinheiro arrecadado: aos estudantes, aos pais dos desaparecidos ou à Ceteg? "No início eram jovens, mas já na segunda, terceira vez eram senhoras com o rosto encapuzado que saíam de suas casas e não tinham mais o que fazer. As pessoas se aproveitaram da situação, não tinham nada a ver com a escola de Ayotzinapa e fazem isso para ganhar dinheiro", denunciou Alanís. Por enquanto, o governo federal não deu números sobre a quantidade de pedágios apropriados e as perdas geradas por estes protestos. EFE sp/cs/rsd (foto)

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