Assembleia venezuelana rejeita investigar denúncias de corrupção
Internacional|Do R7
Por Marianna Párraga
CARACAS, 21 Mai (Reuters) - A Assembleia Nacional venezuelana rejeitou na terça-feira um pedido da oposição para investigar várias acusações de corrupção e complô envolvendo o governo de Nicolás Maduro, que vieram à tona em uma gravação supostamente protagonizada por um influente comentarista chavista.
Na conversa, interlocutores identificados pela oposição como sendo o apresentador de TV Mario Silva e um chefe da inteligência cubana em Caracas citam vários casos de corrupção cambial, disputas internas de poder e entrega de armas militares a civis.
O presidente da Assembleia, Diosdado Cabello, figura como uma das principais autoridades citadas na gravação. Em seu programa de segunda-feira à noite na TV pública, Silva disse que sua voz foi usada numa "montagem", e em seguida anunciou a suspensão da atração, alegando razões de saúde.
"Cada um que se defenda", disse Cabello, qualificando as acusações da oposição como "fofocas, histórias e invenções", e garantindo que seus inimigos valem menos que "moscas" no lixo.
A conversa atribuída a Silva acusa Cabello de usar empresas de fachada para burlar o rigoroso controle cambial do governo, com a ajuda de um ex-presidente da comissão que administra a entrega de dólares a preços oficiais.
A gravação aborda também outros temas, dos quais alguns a oposição há anos denuncia, sem resposta das autoridades: ingerência cubana, distribuição de armas sem controle, e tráfico de influências depois da morte do presidente socialista Hugo Chávez, em março.
"As confissões de Mario Silva revelam um país severamente doente. Quantos relatórios o governo cubano filtrou?", disse o deputado Andrés Velásquez, que conseguiu discursar na terça-feira, um dia depois de a oposição ter tido a palavra cassada por Cabello.
A Procuradoria disse na terça-feira que não recebeu as denúncias sobre a suposta conversa, mas a oposição assegura ter outra gravação para divulgar nos próximos dias.
Maduro, cujo governo não é ainda reconhecido pela oposição após a contestada eleição de abril, desqualificou seus detratores, na primeira reação pública à gravação.
"Abordo isso porque sou responsável de que esta revolução continue seu caminho", disse ele, chamando de "lixo" o deputado que apresentou a gravação, e recorrendo ao apelo de "unidade" do chavismo em meio ao escândalo.












