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Ataque ao Westgate de Nairóbi: o massacre internacional da Al Shabab

Internacional|Do R7

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Javier Marín. Nairóbi, 23 dez (EFE).- Em 21 de setembro de 2013, a milícia radical islâmica somali Al Shabab, filial da Al Qaeda, ficou conhecida mundialmente após o ataque ao centro comercial mais popular de Nairóbi e que terminou com a morte de 67 pessoas durante quatro dias de terror. O atentado adquiriu uma dimensão global não só por sua duração, brutalidade e número de mortos, mas porque foi conscientemente dirigido ao local mais frequentado pelos cidadãos estrangeiros em Nairóbi, o que provocou vítimas de até dez nacionalidades diferentes. O ataque começou no sábado ao meio-dia: hora comum do almoço, hora de restaurantes e cafeterias lotadas, famílias que aproveitam para fazer suas compras e desfrutar de um dos poucos lugares de lazer que há na capital queniana. Um comando da milícia fundamentalista invadiu a porta principal do centro comercial lançando granadas e disparando contra milhares de clientes. A maioria dos guardas de segurança particular optou por ficar a salvo, e a polícia do Quênia demorou um tempo considerável para responder, por isso que o número de vítimas foi muito alto. Após percorrer e buscar em cada canto do complexo para matar quantos pudessem, os terroristas fizeram vários reféns no interior de um supermercado, e o Exército queniano, assessorado nas primeiras horas do ataque pelos serviços secretos de Israel, Estados Unidos e Reino Unido, transformou o edifício e seus arredores em um cenário de guerra. O assédio se prolongou durante quatro dias, nos quais as explosões e os disparos, inclusive fora do perímetro de segurança, se transformaram em um som cotidiano. Quatro dias mais tarde, o presidente do Quênia, Uhuru Kenyatta, declarou o fim de uma operação que se caracterizou desde seu início pela opacidade e pela contradição das fontes oficiais. A apuração oficial é de 72 mortos: 61 civis, seis soldados das forças de segurança e cinco terroristas. E isso é tudo o que se sabe de um ato terrorista silenciado oficialmente até o extremo. Até hoje se desconhece o número de agressores, se todos morreram na operação militar ou se alguns escaparam durante a evacuação se passando por clientes, como se suspeita. Também não há uma informação certa sobre o número de vítimas. A Cruz Vermelha do Quênia, uma das instituições mais confiáveis do país, contabilizou durante dias muitos mais mortos e desaparecidos dos que os comunicados pelo Governo, até que seus trabalhadores foram ameaçados para que calassem. A única certeza é que o atentado foi cometido pela Al Shabab, movimento que pretende transformar a Somália em um estado fundamentalista islâmico. A Al Shabab, que anunciou em 2012 sua união formal à rede terrorista Al Qaeda, controla parte do centro e do sul do país, onde uma coalizão internacional de exércitos tenta enfrentá-la. Entre eles está o do Quênia, argumento que bastou à milícia para assassinar dezenas de pessoas no Westgate de Nairóbi e mudar a vida de muitas mais. "Não há forma de esquecer o que aconteceu porque foi um horror, a questão está em como as pessoas querem lembrar, com tristeza ou de uma forma positiva, como é meu caso. Agora aceito qualquer plano que me propõem porque sou consciente de que a vida pode acabar em qualquer momento", lembrou à Agência Efe uma vítima que ainda não se recuperou fisicamente de uma fratura na perna. Esta mulher, que prefere não se identificar, estava em uma cafeteria quando começou o massacre. O sofrimento das vítimas é a pior lembrança do fato, embora também seja assustador o comportamento dos soldados, a quem as câmeras de segurança do Westgate gravaram roubando lojas em pleno ataque, quando ainda havia gente morrendo. "Só pegaram garrafas de água do supermercado para matar a sede", assegurou o chefe das Forças Armadas do Quênia, Julius Karangi, antes de anunciar que perseguiria os meios de comunicação que divulgassem as imagens do saque, em outra amostra de opacidade e censura. Ao contrário de outras cidades que também sofreram grandes atentados, as autoridades quenianas não reforçaram de forma notável a segurança na capital e nem nos acessos ao país apesar da persistência da ameaça terrorista, pelo menos aparentemente. A única pergunta que a maioria dos visitantes estrangeiros segue escutando no controle de passaportes do aeroporto internacional é "em dólares ou em euro?", referente ao pagamento do visto. Os responsáveis de segurança de outros grandes shoppings pediram ao Governo que envie policiais à paisana para vigiar o interior dos centros comerciais e ofereceram inclusive pagar pelo agente, mas as autoridades nem sequer deram resposta, segundo confirmaram à Efe fontes do setor. A consequência mais tangível foi um plano de repatriação em massa de refugiados somalis assentados no acampamento oriental de Dadaab, como parte de uma estratégia para eliminar a ameaça terrorista no Quênia. O proprietário do Westgate anunciou recentemente que o complexo será reaberto dentro de dois anos. Pode ser que então se conheça o que realmente aconteceu durante aqueles quatro dias que paralisaram a cidade e estremeceram o resto do mundo. EFE jmc/ff/ma

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