Ataques no Reino Unido mostram que terrorismo extrapola conceito da União Europeia
Saída do bloco europeu não é suficiente para aumentar segurança do país, segundo especialista
Internacional|Eugenio Goussinsky, do R7

Assim como a França e Alemanha, o Reino Unido se tornou um palco para alguns ataques terroristas. No entanto, diferentemente de França e Alemanha, o Reino Unido está deixando a União Europeia, um bloco que tem tido problema em relação à presença de imigrantes e, por causa disso, muitos consideram os atentados como retaliações a essa xenofobia.
Mas o fato de o território britânico ter se tornado um dos principais alvos mostra, para especialistas como José Niemeyer, coordenador do curso de Relações Internacionais do Ibmec, no Rio de Janeiro, que a lógica insana dos terroristas extrapola essa premissa. Eles não só são contra a União Europeia, mas atacam qualquer sinal que contrarie seus pensamentos radicais.
— Não interessa que o país saiu da União Europeia, não interessa que não faça mais parte do mesmo bloco que a França, um país que, principalmente a partir da Guerra da Argélia, mantém uma relação marcada por conflitos com o mundo islâmico. O Reino Unido é um ator importante da Otan, aliado dos Estados Unidos, e os terroristas querem mostrar que o país será perseguido independentemente do bloco econômico ao qual pertença.
Nem mesmo o fato de a primeira-ministra britânica, Theresa May, ter recebido a aprovação do Parlamento para antecipar as eleições, a ocorrerem no próximo dia 8, poderá diminuir a ameaça pela qual o país passa nesse momento. Niemeyer acredita que, quando um país é alvo, o perigo acaba sendo constante. Em março último, um homem atropelou e esfaqueou vítimas, em ataque na ponte de Westminster e junto ao Parlamento britânico, em Londres, matando cinco pessoas. E na última segunda-feira (22), um terrorista suicida causou 22 mortes em explosão de artefato após show da cantora Ariana Grande, em Manchester.
— Antecipar eleições, mudar ou não o governo dentro do parlamentarismo, não irá alterar, em tese, o nível de segurança. Nesta situação, as Forças Armadas já têm um plano de ação que não depende do governo.
Treinar a população
Niemeyer acredita que o problema tem se tornado crônico para países como o Reino Unido. E a mudança deste cenário deve ser demorada, com as soluções paliativas sendo a única alternativa até o momento.
— Tais ações muitas vezes não têm origem externa, podem ter sido decididas em uma cidadediznha da periferia na Inglaterra. Neste caso o governo pode fazer muito pouco para garantir a segurança. No terrorismo moderno, essa maneira de atuar com células, de maneira fluida, sem padõres definidos, sem número de pessoas no ataque, fica muito difícil de precaver, quando um país é foco, ele sempre corre o risco grande de sofrer um novo ataque.
Polícia identifica as 22 vítimas de atentado em Manchester
Uma solução, para ele, é também disseminar pela população o combate ao terrorismo. Neste caso, para enfrentar ataques dos chamados lobos solitários, ou de pequenos grupos que se organizam, preparar a própria sociedade pode ajudar a prevenir esses ataques isolados, ensinando técnicas para detectar suspeitos e até neutralizar suas ações. Seria a resposta surpreendente que impediria a supresa do atentado.
— O que os governos podem fazer é aumentar efetivos, investir cada vez mais em segurança e integrar as agências de governo. Outra iniciativa importante é treinar a própria população para combater essas ações.












