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Atentado em shopping evidencia problemas de segurança em Nairóbi

Internacional|Do R7

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Desirée García. Nairóbi, 25 set (EFE).- O atentado no shopping Westgate, em Nairóbi, que durou mais de três dias e aterrorizou os moradores da capital queniana, marcará uma mudança na vida de uma cidade que talvez não tenha tratado de forma adequada a suposta ameaça representada milícia salafista somali Al Shabab, autora da ação. Por enquanto, o ataque causou 72 mortes (61 civis, seis soldados e cinco terroristas), números provisórios, pois os escombros ainda não foram retirados e podem haver mais vítimas no meio deles. Após 72 horas do ataque de Al Shabab, poucos taxistas se atreviam a fazer corridas até o bairro, onde continuavam as explosões e os disparos entre os terroristas e a polícia, até o anúncio do fim oficial da invasão. Hoje, os encarregados da segurança do Sarit Center, outro centro comercial da capital do Quênia, situado a poucos metros do Westgate, checaram, pela primeira vez, os pertences de todos os clientes antes de permitir a entrada. As medidas de segurança sempre foram rígidas nos locais públicos de Nairóbi, onde os empregados das Nações Unidas e das organizações internacionais estão proibidos, por contrato, de caminhar na rua ao cair da noite. Áreas urbanizadas, supermercados, shoppings e restaurantes são protegidos durante todo o dia por guardas armados, frequentemente possuem cercas eletrificadas e contam com estacionamentos em seus interiores para que não seja preciso passar pela rua. Entre os "expatriados" é comum pensar que estas medidas de segurança são mais aparentes que reais, uma forma de dissuadir os delinquentes e assaltantes, o principal problema da insegurança local. Até agora, para permanecer seguro, bastava evitar ir a bairros pobres como Kibera e não caminhar à noite pela cidade. "Por que isso aconteceu? O Quênia está preparado para combater o Al Shabab?", são questionamentos repetidos hoje nos noticiários quenianos e entre os cidadãos. O Al Shabab, que exige que o Quênia retire suas tropas da Somália - onde o grupo tenta instaurar um estado islâmico wahabita - restringia suas ações a Eastleigh, bairro somali de Nairóbi, onde foram registrados vários ataques com granadas no último ano. Em julho, a polícia interceptou uma carga de explosivos em um ônibus em Nairóbi, aparentemente com destino a Mombaça, o principal porto do Quênia, onde era esperado o próximo ataque do Al Shabab. No entanto, o atentado foi realizado em um símbolo da nova economia africana: um "oásis comercial" para expatriados e quenianos de classe alta, os únicos que podem pagar por uma xícara de café a quantia que uma humilde família queniana gasta para comer durante vários dias. Após o massacre, a consequência imediata do ataque foi o medo e a blindagem em uma cidade que, em alguns bairros, já era uma jaula de ouro para estrangeiros e poderosos. Na manhã de hoje, havia uma enorme fila de carros próximo à entrada de edifícios de escritórios, à espera de que os "Askari" - termo local para designar os seguranças - os revistassem, incluindo os bolsos. A tragédia estimulou a solidariedade entre os quenianos, tradicionalmente divididos por rivalidades tribais que explicam eventos violentos como os ocorridos após as eleições de 2007, pelos quais tanto o presidente do Quênia, Uhuru Keniatta, como seu vice-presidente, William Ruto, deverão responder perante o Tribunal Penal Internacional. "We are one" ("Somos um") é a frase mais compartilhada nas redes sociais desde o início do atentado, e serve como demonstração de apoio e de orgulho nacional. Centenas de voluntários quenianos e indianos formaram uma equipe que durante quatro dias prestou auxílio logístico, de saúde e psicológico ao contingente militar e de jornalistas que ficaram nos arredores do Westgate. Estes dias foram prova do "mal indizível que existe em nosso mundo", disse hoje o embaixador dos Estados Unidos no Quênia, Robert Godec. O atentado de 1998 contra a embaixada dos EUA em Nairóbi também foi lembrado. O ataque causou mais de 200 mortes e foi atribuído à Al Qaeda, rede terrorista com a qual o Al Shabab mantém estreitos vínculos. EFE dgp/apc/rsd

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