Atleta de natação morre afogado em lago nos EUA, e dois jovens são acusados de ocultar provas
Família do jovem de 18 anos agora pede que o caso seja investigado como homicídio
Internacional|Holly Yan e Maria Aguilar Prieto, da CNN Internacional
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A morte de um jovem atleta permanece cercada de mistério desde que ele se afogou em um lago no Texas há três meses. Agora, dois adolescentes que estavam com ele foram acusados de adulteração de provas, alimentando a revolta da família e especulações sobre o que aconteceu com Daniel Erving.
O jovem de 18 anos morreu afogado em abril após pular de uma ponte ferroviária sobre o Lago Ray Hubbard, localizado a cerca de 24 quilômetros a leste do centro de Dallas. As autoridades prenderam dois adolescentes — Lucas Roper, de 19 anos, e um menor de 16 anos — sob suspeita de adulteração de provas, informou a polícia de Dallas.
Um relatório da autópsia obtido pela CNN Internacional nesta quarta-feira (16) afirma que as duas pessoas que estavam com Erving no dia do afogamento “descartaram os pertences da vítima e deixaram de comunicar o incidente às autoridades”. Como consequência, o corpo de Erving só foi encontrado quatro dias depois, em 17 de abril.
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A família do jovem agora pede que o caso seja investigado como homicídio.
“Como mãe, eu soube desde o primeiro dia que havia algo errado”, disse Tameca Erving durante uma coletiva de imprensa na terça-feira (14). “Sinto que meu filho recebeu apenas uma justiça parcial. Estamos aqui para pedir que essas duas pessoas respondam por homicídio.”
As novidades sobre o caso relembraram outro episódio envolvendo um jovem negro de 18 anos: Nolan Wells, que morreu durante uma viagem de 4 de Julho à Ilha Horn, na costa do Mississippi.
Embora a causa oficial da morte de Wells ainda não tenha sido divulgada e ninguém tenha sido acusado, o caso provocou tensão racial e grande repercussão após fotos mostrarem o jovem cercado por amigos brancos durante a viagem.
“No caso de Daniel, dois jovens brancos foram buscá-lo em casa”, afirmou o advogado de direitos civis Ben Crump, que representa as famílias de Erving e Wells. “Eles foram pescar, nadar... e voltaram. Daniel, não.”
Autópsia: “Não há suspeitas atuais de crime”
Segundo o relatório da autópsia, Erving “estava com outras duas pessoas quando os três saltaram da ponte para a água”, com base em informações da investigação.
“Depois que a vítima submergiu e não voltou à superfície, os outros dois descartaram seus pertences e deixaram de informar o ocorrido às autoridades”, diz o documento.
“Ouvimos essas pessoas durante a investigação e, apesar das suspeitas iniciais, atualmente não há indícios de crime”, escreveu o legista em 29 de junho. “Caso novas informações venham à tona no futuro, a causa e/ou a forma da morte poderão ser alteradas.”
O médico legista concluiu que Erving morreu em um acidente por afogamento.
“Ele foi visto emergindo uma vez, pediu ajuda antes de submergir novamente e não voltou mais à superfície”, afirma o relatório.
Mas, para Sean Daredia, outro advogado da família, a hipótese de um afogamento acidental não faz sentido.
“Há algo muito estranho nisso”, disse Daredia durante uma coletiva de imprensa na segunda-feira. “Daniel Erving era um aluno com excelentes notas, fazia parte da equipe de natação e era um atleta forte e saudável. Esses dois suspeitos dizem que ele se afogou e simplesmente foram embora. Essa história não fecha.”
Por que os suspeitos foram presos
Segundo um documento judicial obtido pela CNN Internacional, Lucas Roper e o outro adolescente são acusados de jogar fora as roupas de Erving e deixar o local de carro.
De acordo com o depoimento, Roper disse às autoridades que teve medo de ser responsabilizado pelo afogamento e decidiu fugir. O documento também afirma que ele admitiu ter apagado mensagens de texto trocadas com Erving.
Roper foi preso em 9 de julho, informou a afiliada da CNN Internacional, KTVT.
O suspeito de 16 anos também afirmou à polícia que Roper jogou as roupas de Erving em uma área de vegetação próxima à ponte ferroviária de onde eles haviam saltado e orientou o adolescente a jogar o celular da vítima para fora do veículo enquanto fugiam.
Segundo o documento, as autoridades conseguiram recuperar parte das roupas e o celular de Erving depois que o menor indicou onde os objetos haviam sido descartados.
A CNN Internacional questionou o Departamento de Polícia de Dallas sobre o motivo de terem se passado quase três meses entre a localização do corpo, em 17 de abril, e a prisão dos dois adolescentes por suspeita de adulteração de provas, mas não obteve resposta.
Em nota enviada à CNN Internacional, a polícia informou que os detetives “realizaram uma investigação minuciosa, incluindo entrevistas, coleta de evidências e coordenação com o Instituto Médico Legal do Condado de Dallas”.
“Durante a investigação, os detetives identificaram evidências de que duas pessoas presentes no lago deixaram de comunicar o incidente e posteriormente descartaram objetos pertencentes a Daniel”, informou a polícia. “Como resultado, foram obtidos mandados de prisão contra Lucas Roper e um menor de idade.”
Os dois respondem por adulteração de prova material, crime classificado como delito de terceiro grau na legislação do Texas. Ambos já foram presos.
A polícia informou que não pode divulgar mais detalhes porque o caso continua sob investigação criminal e ainda está em andamento na Justiça.
A CNN Internacional tenta confirmar se Roper e o adolescente contam com representação jurídica.
O Ministério Público do Condado de Dallas encaminhou as perguntas sobre a investigação à polícia. Segundo a porta-voz Claire Crouch, o caso ainda não foi formalmente recebido pelo órgão, o que ela classificou como um procedimento normal, já que as prisões ocorreram há poucos dias.
Ben Crump afirmou que deseja que casos como o de Daniel Erving “sejam investigados como homicídio até que se prove o contrário”.
Enquanto isso, o advogado Sean Daredia informou que a família iniciou uma investigação independente.
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