Atletas, modelos e apresentadores querem ser prefeitos na Venezuela
Internacional|Do R7
Alberto Andreo. Caracas, 7 dez (EFE).- Pode ser que alguns dos prefeitos que venham a se eleger nas votações municipais do próximo domingo tenha um incomum passado como jogador de beisebol, apresentador, jornalista ou modelo; algo que, no entanto, não seria uma novidade na história democrática do país. A oposição, mas todo o governo, de uma forma geral, apresenta para as eleições vários candidatos com um passado pouco comum entre os políticos. Por isso, alguns são tachados por seus rivais como oportunistas ou de terem caído de paraquedas na política. Chavismo e oposição se enfrentarão no próximo domingo pelas 337 prefeituras do país, um pleito que a Mesa da Unidade Democrática (MUD) enxerga como um plebiscito ao modelo socialista que governa há quase uma década e meia enquanto os governistas buscarão aumentar seu poder no âmbito local. As disputas mais significativas são as que compreendem as prefeituras de Caracas - uma no município Libertador ( Distrito Capital) e quatro na Grande Caracas - e a ocidental Maracaibo. Ou seja, dois grandes centros onde o chavismo conta com uma aceitação menor entre seus moradores. Os caraquenhos terão que escolher tanto o prefeito principal, atualmente opositor, como os burgomestres (espécie de subprefeito) dos cinco municípios que formam a Grande Caracas e onde os integrantes da MUD governam em quatro deles. Antonio "El Potro" Álvarez, ex-jogador profissional de beisebol e figura das Grandes Ligas dos Estados Unidos, e Winston Vallenilla, um famoso locutor de televisão, tentam arrebatar duas das praças que formam a Grande Caracas: Sucre e Baruta. "Simbolizam uma estratégia comunicacional política do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) para conseguir ampliar a base para a qual falam", disse à Agência Efe o especialista em Comunicação, Andrés Cañizález. "A política na Venezuela não é um tema nada racional, mas puramente emocional", refletiu. Já o analista político Clodovaldo Hernández comentou à Efe que a busca de figuras midiáticas se deveu ao fato que a política no país é "muito midiática, telepolítica" desde os tempos do falecido presidente Hugo Chávez, capaz de passar horas na televisão explicando seus projetos e posturas. Na ocidental Maracaibo o PSUV leva o apresentador de televisão Miguel Pérez Pirela para enfrentar a prefeita, Evelyn Rosales, candidata da MUD. Outros exemplos são o também ex-jogador de beisebol Magglio Ordóñez, outra figura internacional do esporte, que é candidato do chavismo à prefeitura de Puerto La Cruz. Enquanto isso, Fabiola Colmenarez, que trabalhou como atriz e modelo disputa pela MUD a prefeitura de Vargas. Esta não será a primeira vez que os venezuelanos verão um candidato com um passado artístico disputar as eleições, já que nas presidenciais de 1998, vencidas por Hugo Chávez, se apresentou Irene Saenz, ganhadora do Miss Universo em 1981. "Esse foi um ponto importante (...) acontece que temos políticos que passam a ter posturas mais fraudulentas (...). Políticos que entendem que fazer política é aparecer na tela de televisão", afirmou Cañizález. EFE aa/cdr-rsd (foto)











